Category Archives: CURATORIAL / RESEARCH PROJECTS

MOLA / GRUPO DE ESTUDOS E ACOMPANHAMENTO DE ARTISTAS

Impressão

O projeto MOLA, criado por Lucas Bambozzi e Fernando Velázquez surgiu como uma proposta de realizar encontros semanais, em um formato que se aproximava de um grupo de estudos e de acompanhamento de artistas. A ideia foi juntar interessados em um aprofundamento das questões que envolvem campos como arte, ciência e tecnologia. O nome inicial seria a palavra grega Techné, que etimologicamente remete à técnica do fazer, a uma habilidade manual artística, ou simplesmente arte. Apesar da amplitude de significados sugeridos pelo termo, utilizá-lo com título de um grupo parecia fazê-lo pautado estritamente por abordagens técnicas.
lucas fernando mola

A vontade de flexibilização de possibilidades, de adequação de metodologias de pesquisa a contextos mais ou menos específicos, envolvendo diferentes tecnologias, tanto analógicas como digitais, levou à utilização do termo MOLA para definir as intenções mais abertas e permeadas pelas experiências dos próprios participantes. Foi mais ou menos assim que o MOLA foi pensado, inicialmente junto à galeria Fauna em 2014 e posteriormente como parte da Escola Entrópica, no Instituto Tomie Ohtake a partir de 2015.

Logo tornou-se uma proposta respaldada por encontros sistemáticos, onde a abordagem artística seria pautada por modelos práticos, teóricos e de análise compartilhada. A tradicional metodologia de acompanhamento de artistas acontece no MOLA em um processo de confluência horizontal, refletindo as aulas de Michael Asher na CalArts (módulo de crítica de arte no MFA da California Institute of the Arts), modelo segundo o qual o artista apresenta a sua produção, ou uma obra/processo em particular, gerando uma discussão aberta em círculo. No MOLA, a proposta é associar a leitura e análise coletiva de textos (modelo mais próximo da academia) a práticas criativas, tendo como contraponto o encontro com convidados em um formato palestra-debate. Como elemento de confluência destas interfaces estimula-se a troca de experiências sobre assuntos práticos do dia-a-dia do fazer artístico — e também nas fronteiras do campo da arte. Como sugere o subtítulo, a relação entre arte, ciência e tecnologia é abordada levando-se em consideração também a instabilidade dos meios, as resistências do circuito artístico a nichos tipicamente tecnológicos e outras derivações, geralmente paradoxais e permeadas por inquietações. As questões provenientes desse campo diante do sistema das artes serão enfrentadas em conjunto, em um processo que envolve também a adaptação do programa a questões e demandas que surjam do grupo.

 

Como funciona:

As práticas do MOLA às vezes partes de temas colocadas como desafios para os artistas. Em 2015 foram feitas investigações sobre as sobreposições entre arte e ciência. Os participantes foram estimulados a pensar projetos a partir de três visões: _ ciência popular e acessível, presente em toda parte; _ ciência como ficção, como especulação de futuro, como devir; _ ciência gerando distopia, equívoco, estranhamento, defeito, arte.

Em 2016 serão discutidos textos para propostas práticas em torno do conceito de Imaterialidade, envolvendo também questões suscitadas pelos próprios projetos dos artistas em relação ao tema.

Ao final do semestre há a possibilidade de uma exposição dos trabalhos, mesmo considerando que a maior parte da produção não é conduzida para este fim.

 

IMG_6381

Performance de Vic Von Poser, Herebert Baioco e Fernando TImba, em frente ao Instituto Tomie Ohtake

IMG_5497

Preparação de exposição do grupo MOLA

IMG_5499

Exposição de projetos e protótipos do grupo MOLA. Trabalho de Felipe Julian ao fundo.

IMG_6696

Trabalho de Herbert Baioco

IMG_6700

Trabalho de Fabia Karklin

IMG_6705

Detalhe do trabalho de Fabia Karklin, em exposição de final de semestre do MOLA, junto à Escola Entrópica,

:

 

 

VISUALISMO [ARTE, TECNOLOGIA E CIDADE]

A primeira edição do Visualismo – Arte, Tecnologia e Cidade, aconteceu no Rio de Janeiro, em três etapas ao longo de 2015. A última etapa do ano foi entre 6 e 12 de setembro, em uma espécie de festival com 26 trabalhos apresentados em forma de projeção de vídeo em larga escala em espaço públicos (Parque Madureira, Central do Brasil e alguns prédios da Praça Mauá). É um projeto que trata das especificidades do contexto urbano, em ações para além da lógica dos espaços institucionais.

Fui convidado para fazer a curadoria dessa primeira edição, o que foi se mostrando um trabalho bastante amplo, envolvendo formatação de seminário, laboratórios de criação, acompanhamento de artistas, etc, em muitos processos de decisão, escolha (re)planejamentos e constante pesquisa. Tudo feito com muito prazer, com uma equipe incrível.

logo visualismo fundo branco_peq

VISUALISMO, SENSAÇÕES VISUAIS NA CIDADE
O espaço não é um dado fixo. Ele é moldado pelo uso. Que espaço é esse?

VISUALISMO coloca foco em manifestações artísticas que articulam novas sintaxes audiovisuais e se lançam para espaços abertos, adotando como suporte um pouco da imaterialidade da imagem em movimento, um pouco da arquitetura urbana, um pouco de uma arte em consonância com as tensões da cidade.

São experiências que refletem o uso expressivo de novas técnicas, afirmando formatos em processo, afetados por softwares de áudio e vídeo, pelas mudanças nas tecnologias de projeção de imagens em movimento, por possibilidades de articulação de tempo-espaço ainda em desenvolvimento,pelo diálogo com linguagens heterogêneas, estabelecidas ou não.Falamos de linguagens que não cabem dentro do esperado, que demandam uma nova atenção ao espaço à nossa volta,a partir da emergência de formatos que questionam a rigidez do acontecimento da obra em seus suportes ou ‘palcos’pré-definidos.

Pensamos na praça, na projeção ao ar livre, no prédio abandonado, nos habitantes em deriva, na heterogeneidade do centro da cidade, na tensão entre ideologias,na possibilidade de entendimento a partir de campos simbólicos abertos a interpretações,talvez menos dicotômicas.

Pensamos em zonas de intersecção, permeadas por pensamentos híbridos, quedariam novo vigor a uma configuração visual,entre arquitetura e imagem, que dariam conta de formatos que nem sempre se encaixam em estruturas previamente dadas.

VISUALISMO dá as boas-vindas a novos cinemas, a outras possibilidades de uma mesma essência cinemática. Antevê projetos experimentais que envolvemo suporte incerto como desafio, como parte da obra, e dá visibilidade ao espaço coletivo em que a obra acontece, em iniciativas que levam em consideração a realidade social de seu entorno.

VISUALISMO entende a cultura digital de nosso presente como um campo onde parece possível retomar modelos sinestésicos de percepção, potencializando os sentidos, brincando com seus cruzamentos, fazendo fluir mais livremente as linguagens que reverberam entre o corpo e o ambiente coletivo.

É isso: VISUALISMO aposta no ‘entre’ uma vez mais: entre a arte contemporânea e o cinema na praça, entre a tela limpa e aquela carregada de história, entre a convenção do espaço e o uso que se faz dele.

Lucas Bambozzi [curador – Visualismo]

mais: www.visualismo.com.br

 

Projeto Multitude

IMG_3023

O projeto Multitude parte da observação de que a última década consolida algumas transformações profundas nas relações sociais e de trabalho, caracterizando também um novo contexto cultural. A exposição no Sesc Pompeia aborda fenômenos distintos desse novo contexto, tendo em vista acontecimentos recentes como as manifestações de junho de 2013 no Brasil e que repercutem ao longo do ano de 2014 no Brasil (Copa do Mundo, eleições presidenciais e a realização de eventos normalizadores, o desentendimento entre facções da esquerda, a dissonância que contrasta pensamentos hegemônicos) fazendo reverberar o termo multidão para além do plano teórico e acadêmico. Caberia dizer que Multitude sugere um “chamamento” para novas formas de entendimento de um contexto histórico.

IMG_3016    IMG_3017  IMG_3027

A escolha do título do projeto se vale de uma base comum associada à palavra multitude (do latim: multitudin-, multitudo). Em função de sua raiz e origem anglo-latina, o termo se faz compreender globalmente em suas várias utilizações em inglês [multitude], espanhol [multitud], francês [multitudes] ou português [multidão/multitude]. Esse entendimento comum é o ponto de partida para se aferir as riquezas advindas da diferença, que se expressa no projeto como um todo, focalizando a atualidade de uma produção artística e cultural, tecnologias de medição e controle, patologias coletivas, singularidades, subjetividades e poéticas individuais que se sobressaem em meio à multidão. E muito mais por vir.

IMG_3026

O conceito de multidão tem sido objeto de pesquisa por parte de uma série de artistas. Me vi nesse processo mais nitidamente a partir de 2006, buscando projetos em afinidade eletiva com o tema, a partir da realização de uma instalação chamada Multidão montada no Sesc Pinheiros por ocasião da exposição Luz da Luz (curadoria de Ana Barros). Versões distintas desse projeto foram criadas para o Laboratório Arte Alameda na Cidade do México (2011), Favela Maré no Rio de Janeiro (2013) e Virada Cultural em São Paulo (2013) sempre considerando a pertinência da ações representadas com relação ao contexto local.

Em encontros que se sucederam, o projeto foi tomando corpo, em especial a partir das pesquisas desenvolvidas por Andrea Caruso Saturnino no campo das artes cênicas. O projeto Multitude foi assim sendo alinhado também em conexão com trabalhos de teatro e performance que se apresentam igualmente como potências da multidão. O eixo central da escritura cênica não estando mais calcado no protagonismo do texto dramático, abre espaços para a expressão de temas ligados ao cotidiano de múltiplas minorias e para o redimensionamento do lugar da representação.

A realização do projeto como uma exposição junto ao Sesc Pompeia permitiu novas possibilidades de inserção de obras e viabilização de formas de expansão curatorial da exposição. Como forma de estender as referências iniciais a partir de áreas distintas, ao longo do desenvolvimento do projeto foi formada uma comissão curatorial que, além dos idealizadores, envolve os pesquisadores, artistas e pensadores Lúcio Agra, Natacha Rena, Peter Pál Pelbart e Rodrigo Araújo.

acesse o site oficial do projeto aqui

 IMG_3020

ON_OFF 2013

 ei-wada_braun-tube-jazz-band_5-1_8 

Aconteceu entre 118 e 21 de julho o Festival ON_OFF 2013, no Itaú Cultural, que teve minha curadoria. O evento existe há 9 anos e coloca foco nas práticas mais experimentais em torno das chamadas “live-images”, performances audiovisuais, “live acts” ou cinema ao vivo como uma vertente de arte que dialoga com as tecnologias de um tempo presente.

Um dos lados interessante dessa linguagem é justamente seu caráter instável, suas confluências e possibilidades de conter também com outros meios, suportes e estéticas, expandindo os domínios do audiovisual em novas práticas.

Acredito que essa vertente vem gerando muitas possibilidades e desdobramentos no Brasil, pois trata-se de um encontro entre as tecnologias digitais e a cultura da música eletrônica que já tem bem mais de 15 anos de existência no país. É uma cena que já teve muitas fases. Talvez não seja muito comentada ou de interesse por parte dos meios mais hegemônicos, mas vem sendo uma prática apresentada e difundida por uma série de eventos que acontecem desde os anos 90 tais como: Festival Eletronika, Forum de Mídia Expandida, Festival arte.mov, Videobrasil, Live Cine, FAD, Videoataq, Multiplicidade, FILE, o recente Arranjos Experimentais. Os nomes dos artistas que fazem essa cena são muitos (não cabe cita-los aqui pois cometeria a injustiça de esquecer de algum importante) e vem se destacando nos cenários mais diversos, tanto no Brasil como no exterior.

Segue o texto de apresentação publicado no folder e a programação:

ON_OFF 2013 [INCABÍVEL]

 

Fora do palco, incabível

palavras-chave: unfit, sem lugar, incabível, incontível, sem cabimento, limites entre formatos

No texto de apresentação da Mostra ON_OFF de 2012, estava escrito: (…) “o espaço é dado. Todas as apresentações acontecem na Sala Itaú Cultural, notadamente um teatro”.

Há tempos, muitos se perguntam o que se pode fazer hoje a partir de uma arquitetura que pretende dar conta de formatos nem sempre confluentes, como o cinema, as apresentações musicais, o teatro e a ópera.

Pois bem, as muitas possibilidades de expressão audiovisual que encontramos hoje em dia não se encaixam sempre nesses formatos. Pensamos em confluências, em cruzamentos de linguagens, zonas de intersecção. A mostra desse ano acontece como desenrolar quase natural desse pensamento, já entranhado nas mídias. E de modos variados, sugere novas nuances para a discussão em torno das possibilidades mais limítrofes ou múltiplas de projetos audiovisuais, em formatos que cada vez mais não se encaixam em condições pré-definidas.

Assim, neste ano temos uma apresentação inicial que despersonifica o artista. O palco encontra-se vazio. A sonoridade de Novi_Sad e os visuais de Ryoichi Kurokawa são os únicos elementos percebidos diante do público. É algo sem qualquer tipo de encenação, executado em estado bruto, para os sentidos apenas. Na mesma noite, em Disorder, há um espécie de duelo entre corpo e máquina, entre movimentos físicos de um performer e mapeamentos dinâmicos produzidos por software. É uma performance em que mistura-se a ordem esperada, e já não se sabe o que é controle e o que é controlado.

No dia seguinte, temos como contraste uma ocupação massiva deste palco, tanto em termos de personagens reais como fictícios, virtuais, digitais e em streaming. O “Teatro Eletrônyco” proposto por Pedro Paulo Rocha e convidados não é o que parece ser (e muito menos um retorno ao teatro do corpo dentro de um evento tipicamente digital) mas uma experiência radical, “transmidiática” como a definem seus criadores, envolvendo diferentes linguagens: videografismo, sonoridades, poesia, teatro e intervenção urbana.

No sábado assistimos a um documentário, mas que não é exatamente isso. Os cinco integrantes do Embolex apresentam uma montagem composta por três telas de projeção e remixam o documentário Are you doing Right?, ainda inédito. O projeto problematiza as soluções e perspectivas adotadas pelas ONGs para problemas globais. Trata-se de uma apresentação que passeia pelos extremos do que vem a ser o gênero documentário e suas possibilidades de execução ao vivo. Em primeira mão, em uma degustação única.

No último dia apresenta-se finalmente no Brasil a Braun Tube Jazz Band. Novamente, contrariando os formatos mais conhecidos, não se trata exatamente do que parece ser. Não é uma banda de jazz, não é um ‘live’ típico de VJ, não há sequer a utilização de laptops. A ‘banda’ é formada por uma única pessoa, o japonês Ei Wada, que toca, com destreza incomum, as telas de um conjunto de velhas TVs de tubo. A partir de um campo eletrostático formado entre o performer e as telas, a interferência sonora é tornada imagem e vice-versa. A apresentação é em todos os aspectos um comentário sobre as várias obsolescências que tomam lugar hoje em dia, seja dentre as mídias e tecnologias de imagem e som, seja entre os formatos, gêneros e linguagens que já não cabem em definições prévias.

Reiterando as confluências, eliminando fronteiras, as apresentações se irradiam a partir de um palco que se torna metafórico, em uma coreografia influenciada por softwares, em um teatro que incorpora tecnologias absolutamente contemporâneas, em uma música que se faz com imagens e ruídos. Ha algo de “incabível” nesses formatos, como se os padrões existentes não pudessem fazer caber ou “conter” as propostas apresentadas. São projetos que acontecem nesse terreno do “sem lugar”. Juntas, no ON_OFF, essas experiências se somam também como forma de modular os sentidos em uma potência coletiva, que ecoa nas paredes do auditório para além do que representam as convenções do espaço.

lucas bambozzi . curadoria ON_OFF 2013

ON_OFF: PROGRAMAÇÃO:

Continue reading

ON_OFF [curadoria]

texto curatorial:

Som e imagem em busca de um sentido completo.

As experiências com manipulação de imagens em movimento têm uma história que antecede muito o contexto atual. Mas foi o recente encontro com os aparatos digitais que permitiu ao vídeo e ao cinema o exercício mais radical de possibilidades de reprodução, sampleagem, processamento e associações entre imagem e som. Passaram a fazer parte do campo das imagens, os códigos e informações numéricas que podem adquirir inúmeras e novas formas de representação. Tais confluências dos procedimentos digitais com os fenômenos que envolvem a cultura da música eletrônica mudaram de fato alguns paradigmas da imagem em movimento.

Esse encontro entre as tecnologias digitais e a cultura da música eletrônica tem cerca de 15 anos de existência no Brasil. Foi a partir desse contexto que surgiu a cena em torno do que passou a ser chamado de VJing, videoperformance e live act ou cinema ao vivo. É uma cena que já teve muitas fases. Houve momentos de euforia pela novidade, entendimento das linguagens envolvidas, conquista de espaços e definição de circuitos e campos de atuação.

Passados os tempos de afirmação de pioneirismos, já temos uma história mais ou menos bem contada. Por um lado, a prática se profissionalizou e clarearam-se as vertentes de atuação. Houve festas (muitas), lançamentos de compilações, fóruns, listas de discussão, websites, cursos e oficinas. Por outro lado, surgiram novos circuitos, entrecruzando linguagens.

E, assim, nos referimos a um conjunto de experiências audiovisuais ou de espetáculos multimídia que têm sempre algo a ver com outras práticas.  Se as definições são quase sempre antiquadas (tudo que se associa ao termo multimídia, por exemplo, tem algo de cafona) são as imprecisões das mesmas que tornam essa cena sempre carregada de possibilidades interessantes. Ou seja, aquilo que não é exatamente o veejaying ou o cinema ao vivo é sempre mais inquietante do que o que se acomoda nesses termos.

Para o On_Off deste ano foram escolhidas algumas dessas propostas difíceis de serem situadas num campo de práticas mais precisas, seja em torno do audiovisual, seja das próprias práticas envolvidas pelas live images. Vale dizer que a maioria dos nomes que marcaram as cenas mais específicas e as mais expandidas desses circuitos, já passaram pelo evento, em seus oito anos de existência. Não repetir nomes seria difícil. O recorte definido aponta exatamente para as regiões indefinidas.  Próximas do conceito de ruído, tanto da imagem quanto do som, os projetos buscam na distorção, no erro ou nos glitches [falha de sistema] aquilo que permeia a comunicação e a torna imprecisa, mas que podem ser desejáveis no ambiente da música, do cinema e da arte.

Nessa linha, os Antivjs apresentam um espetáculo criado com o mexicano Murcof. Juntos, abrem a mostra com uma obra densa, permeada de ruídos eletrostáticos, mas, ao mesmo tempo, melódica, mínima e apoteótica, sugerindo uma linha a partir da qual variam as demais apresentações. O encerramento fica a cargo de um projeto inédito criado para a On_Off pelo grupo Cão, formado por conhecidos nomes tanto das artes visuais como da performance. O grupo LigaLingha se apresenta pela primeira vez em São Paulo trazendo instrumentos desenhados pelos próprios integrantes e interações e improvisos utilizando interfaces digitais. Caio Fazolin traz Equações, que valendo-se de padrões matemáticos precisos e simples, resulta em ruídos visuais e sonoros intensos. Já o uruguaio Brian Mckern vem à mostra com uma nova versão de Temporal de Santa Rosa, apresentação baseada em interferências elétricas causadas por tempestades.

Do conjunto das apresentações, pode-se falar de uma proximidade entre ruído e sensorialidade, aliterando imagens e sons na essência do que pode ser o cinemático na forma de espetáculo – no que a ideia de espetáculo ainda pode conter de interessante. Ao promover a relação entre planos sensoriais diferentes se configuram como experiências sinestésicas, em possibilidades distintas de atravessamento dos sentidos.

Nas atrações da On_Off, o espaço é dado. Todas as apresentações acontecem na Sala Itaú Cultural, notadamente um teatro. Ainda há muito que se pode fazer dentro dessa arquitetura que se criou como estratégia para aproximar o cinema do público do teatro e da ópera. Potencializando as confluências, as apresentações se fazem também como forma de modular os sentidos estendida a muitos, coletivamente, em um único espaço.

Lucas Bambozzi

LABMOVEL

Labmovel é um projeto de criação e difusão de trabalhos em várias mídias, em ações que se deslocam pela cidade.

A ideia é trabalhar com mídias móveis em residências de arte, workshops e eventos culturais. Em função de seu caráter nômade, o programa proporciona ambientes temporários, que despertem a curiosidade e maior acesso a situações fora do eixo institucional, favorecendo um cruzamento de origens culturais, sociais e econômicas diversas. A mediação desempenha um papel crucial na interação entre esta estrutura e seu público.

Na foto, os artistas Sander Veenhof (Holanda) e VJ Pixel (SP) em trabalho no centro de São Paulo, na região da Biblioteca Mario de Andrade, onde foi criada uma forma de narrativa a partir de textos inseridos em um sistema de Realidade Aumentada. Esse primeiro projeto do Labmovel foi uma parceria entre o NIMK (Holanda) e o Vivo arte.mov.

Mais informações sobre o Labmovel aqui.

As oficinas já realizadas abordam computação física, desenvolvimento de interações a partir de Arduino e Processing, construção de veículos DIY, videomapping, grafite eletroíonico, e outras formas de uso da tecnologia em espaço público de forma lúdica e descomplicada. A oficina #2, ministrada por Mateus Knelsen utiliza carrinhos de rolimã como plataforma para desenvolvimento de sistemas de transmissão audiovisual de curto alcance. [eflyer abaixo]

 

 

 

Ruído de Fronteira

Entre 11 e 27 de novembro de 2011 o Festival arte.mov e o Eletronika organizaram juntos uma exposição chamada Ruído de Fronteira, a partir de conceitos que intercedem os dois eventos.

 

A exposição foi uma experiência muito valiosa no sentido de buscar questões em torno da idéia de ruído, (noises, glitches, artefatos e outras “imperfeições” que sempre permearam as mídias analógicas e hoje também aparecem de diferentes modos nas mídias digitais.

A idéia principal foi demonstrar que o ruído, em suas várias manifestações, já não mais se contrapõe à informação, mas é parte desejada dela. As obras escolhidas, sejam sons ou imagens, já não fazem parte dos domínios conhecidos de alguns anos atrás.

Os artistas participantes da exposição foram Amor Muñoz, Goran Skofic, Janaina Mello + Daniel Landini, Lea Van Steen, Luiz Duva, Ricardo Carioba, Timo Kahlen, Varvara Guljajeva + Mar Canet Sola. Juntamente com a mostra autdiovisual, performances e os debates entre convidados o corpo de obras e conceitos formados nesse conjunto foi surpreendente. Com origens em países tão diversos como Alemanha, Croácia, Espanha, Estônia, Grécia, México, Taiwan, Uruguai e Brasil, foi interessante notar o quanto os artistas contrapõem um fluxo hegemônico, em um eixo diagonal (colateral talvez), introduzindo novas nuances – ruídos desejáveis – no ambiente digital da media arte. Nessas novas perspectivas de organização já não cabem mais a geografia oficial ou a noção de periferia-centro. Há, talvez, o indício ou o impacto de uma reconfiguração da ordem econômica, onde novas possibilidades de diálogo se estabelecem, expandindo a noção de fronteira, onde se absorvem também as zonas de indefinição ou ruído.

Mais informações sobre a mostra aqui:

O catálogo não ficou pronto para os dias do evento mas foi distribuído em cartões SD gratuitamente e pode ser baixado ou visualizado aqui!

 

FICHA TÉCNICA

Curadoria Ruído de Fronteira (exposição e mostras): Lucas Bambozzi

Curadoria performances audiovisuais: Rodrigo Minelli

Produção da exposição Ruído de Fronteira: Caroline Ramos

Produção técnica e audiovisual: Erick Ricco

Produção de mostras audiovisuais: Samuel Marotta

Produção fórum de debates: Nina Trevisan

Identidade visual e design gráfico: Hardy design

Projeto Expográfico e ambientação: Mach arquitetos

Produção executiva Eletronika/Vivo arte.mov: Aluizer Malab

Uploaded: videos en la red

A convite do Centro Fundacion Telefonica (Lima, Perú) fiz uma seleção de vídeos muito diversos que se encontram na rede – e que tem por característica em comum serem um  comentário sobre a própria rede. A lista ficou mais extensa do que os demais convidados e foi criada uma lista de extras. Não há hierarquias entre os trabalhos porém, são todos um indicativo instantâneo do que se pode encontrar em torno da arte contemporânea na rede.
.

Uploaded

Selección de “favoritos” a cargo de Mauricio Delfín, Lucas Bambozzi y Daphne Dragona

La accesibilidad de internet y la inclusión de las nuevas tecnologías en el medio artístico abre un inmenso abanico de posibilidades de producción y difusión de manifestaciones audiovisuales en todo el mundo y hacia todo el mundo, enriqueciendo notablemente el intercambio de nuevas formas, soportes y sobre todo: ideas. Esta selección muestra los videos que más han calado en tres importantes investigadores y curadores de Arte en Latam como son: Mauricio Delfín (realidad Visual – Perú), Lucas Bambozzi.

Uploaded presenta una selección de videos a cargo de tres importantes críticos, curadores y productores artísticos como son Mauricio Delfín (Perú) Lucas Bambozzi (Brasil) y Dafni Dragona (Grecia) quienes encuentran en las redes virtuales importantes potenciales de producción artística.
En los últimos años, la masiva accesibilidad a Internet y la existencia de canales en red como You Tube, VIMEO, los canales de transmisión en vivo y el desarrollo de programas y aplicaciones de licencias libres han impulsado diferentes proyectos artísticos promovidos por asociaciones, laboratorios y centros de estudio y producción, así como la creación de diversos concursos a niveles locales, continentales y mundiales. Este clima de difusión y promoción de la producción artística permiten y generan una competencia genuina y una constante innovación desde las diferentes plataformas de realización tanto para web como para soportes más convencionales: como la animación, el video y sus diversas vertientes, la música, las artes escénicas.
Esta apertura tanto a la producción como a la difusión, marca el reto de la creatividad del contexto artístico actual, permitiendo la producción de costosas producciones visuales construidas sobre el esquema del virtuosismo técnico, como trabajos de igual calidad conceptual elaborados con costos mínimos.  Así mismo, la interdisciplinariedad característica del arte post moderno, se ve incrementada, sumando a sus filas a sociólogos, comunicadores, ingenieros de sistemas, entre muchas otras disciplinas. La internet actualmente ofrece desde documentales, tradicionales y alternativos, series y películas clase B, videos y cortos, registros de acciones performáticas, públicas y privadas, hasta manuales y cursos para la construcción de todo tipo de artefacto, herramientas; sin dejar de mencionar a las innovadoras campañas online para la recaudación de fondos de producción.
Continue reading

Artistic residency in Netherlands

Impakt has selected the Brazilian artist Lucas Bambozzi for the residency in Utrecht, NL.

The residency foresees the development of a project related to the theme “The Right to Know”, along July and August 2011.

About Impakt:

The Impakt Foundation focuses on presenting and stimulating innovative audiovisual artsin an interdisciplinary context. To this end Impakt organises the annual Impakt Festival and year-round Impakt Events; short projects centering a certain theme, movement, or artist. It also launches annual net.art projects on its webgallery Impakt Online (www.impaktonline.nl). Beside this, Impakt runs the production house and residency programme Impakt Works. Raising Impakt is the educational programme for schoolkids and students.