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Multidão na Bienal WRO

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O projeto MULTIDÃO está em exibição na WRO Media Art Biennale.

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MULTITUDE

Lucas Bambozzi (BR)
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project supported by Adam Mickiewicz Institute

Multitude deals with fear related to the unknown and the rise and fall of the sense of collectivity. The site- and context-related project for large screens depicts the conflict between high and low culture, the individual versus the collective and offers an insight into the individual’s condition as interactor in the field of art and technology.

The WRO Media Art Biennale is the major forum for new media art in Poland, and one of the leading international art events in Central Europe. Since its inception in 1989, WRO has been presenting art forms created using new media for artistic expression and communication, exploring current creative territories and building a critical perspective toward emerging issues in art, technology and society.

Over the years, the WRO Biennales have raised a variety of questions about creative approaches to new technologies and the creative crossover realms that arise where art and science, economics and social activism intersect.

 

The WRO Biennale is organized by the WRO Media Art Center Foundation and WRO Art Center.

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ÚLTIMO SUSPIRO [Exposição Adrenalina]

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Último Suspiro é uma instalação criada para exposição Adrenalina, no Redbull Station a partir de uma montagem anterior. Montada no subsolo do espaço expositivo a instalação é composta por um conjunto de 9 TVs que pulsam ruídos visuais e sonoros, de forma ritmada – como uma imagem “entranhada”, efeito colateral de sua condição eletrônica pré-digital. Retrato de precariedades e da obsolescência voraz nas tecnologias de imagens, emitem um “último suspiro” de raio catódico. Há algo de incômodo nesse refluxo, talvez por sermos testemunhas de uma arqueologia que opera em nosso presente (Para onde vão as coisas que não queremos mais?). Percebemos que algo ainda acontece nesse arsenal sucateado, enxerga-se um faiscar elétrico, as telas emitem lampejos, ouve-se uma pequena descarga, um possível curto-circuito, um último lampejar. O projeto foi pensado a partir da obra Curto-Circuito, criada originalmente para a exposição Sistemas Ecos (Praça Vitor Civita, 2014).

Sobre a exposição:

Exposição: Adrenalina, A Imagem em Movimento no Século XXI

RedBull Station – 14 de março a 5 de maio de 2015 . São Paulo

Curadoria: Fernando Velázquez

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Vídeo sobre a exposição com depoimentos de F. Velázquez, L. Bambozzi e H. Roscoe: http://redbullstation.com.br/adrenalina-video/

Equipe original do trabalho:

criação: Lucas Bambozzi

produção: Larissa Alves

desenvolvimento e cenografia: Leo Ceolin

versão original criada para a exposição Sistemas Ecos (2014), com curadoria de Sonia Guggisberg. Informações adicionais sobre esta exposição aqui.

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COISA LIDA [SP_Urban]

Coisa Lida é um projeto que executa uma série de frases a partir de determinados parâmetros, comprometendo ou proporcionando a leitura de suas mensagens.

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Coisa Lida responde em tempo real aos estímulos visuais e sonoros dos arredores. De acordo com os sons e imagens captados na Avenida Paulista, palavras de poesias pré-selecionadas aparecem no vídeo, em ritmo inconstante.

Na intenção de transformar em imagens a aceleração e os fluxos locais, o projeto envolve um sistema de detecção de movimentos a partir de um Kinect instalado no Mirante da Al. das Flores, em frente ao edifício Fiesp/Sesi, que “enxerga” o fluxo de carros na Av. Paulista e tornam o fluxo de poemas uma espécie de comentário do próprio ambiente.

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POEMAS E TEXTOS UTILIZADOS

ALBERTO CAEIRO

FRASE DE JOÃOZITO PEREIRA [APUD PAUL VIRILIO]

EXTRATO DE TEXTO DE PIERRE CLASTRES

POEMA DE CAMILA NUÑEZ MUITAS

FRASE DE OSCAR WILDE

TRECHO DE A PAIXÃO SEGUNDO G.H. DE CLARICE LISPECTOR

 

FICHA TÉCNICA

Tecnologia: Edgar Zanella

Colaboração [AfterFX]: Lu Nunes

Curadoria: Marília Pasculli e Tania Toft

Veja a página do projeto aqui: http://www.lucasbambozzi.net/projetosprojects/coisa-lida-sp_urban

 

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O Gabinete de Alice

O GABINETE DE ALICE é uma instalação que convida o público a vivenciar situações sensoriais através de recursos tecnológicos associados à manipulação da percepção. O projeto é materializado em uma cabine onde imagens e gráficos respondem à presença e interações do púbico. Sons, padrões visuais, pulsações luminosas e sensores de movimento conduzem o visitante em uma viagem narrativa pontuada por diferentes intensidades.

A instalação foi aberta ao público dia 12/11 na Galeria do Jardim no Museu de Arte da Bahia, no Corredor da Vitória, em Salvador e fica em cartaz até o dia 26/11. O projeto foi idealizado por Lucas Bambozzi, Laura Campos, Ale Duarte e Joãozito Pereira.

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O Gabinete de Alice faz referência aos Gabinetes de Curiosidades, ou Quartos das Maravilhas (Wunderkammer), populares nos séculos XVI e XVII, que de certa forma antecederam os museus e exposições atuais. Os gabinetes daquele tempo reuniam instrumentos tecnicamente avançados e curiosidades advindas de pesquisas e explorações associadas ao contexto das grandes navegações e descobertas.

O projeto é resultado de uma analogia entre essas referências, o espaço informacional que nos rodeia e a percepção alterada de Alice de Lewis Carrol – em alusão livre e colateral.

A instalação surgiu da vontade de uma experiência: a de conduzir estados sensoriais através de recursos tecnológicos diversos, em técnicas de manipulação da percepção. É um sistema em estado de pesquisa. Em algum ponto, pensamos, esse processo se encontra com a arte. Em algum momento, faz ver talvez, nossas capacidades fisiológicas. Ou esbarra em hábitos perceptivos arraigados. Em alguma das situações criadas evidencia com certeza, estados subjetivos em relação às situações criadas. Ou aponta um entendimento de arte que absorve experiências alheias a seus sistema. E é em torno desse ponto difuso de confluências e coexistências, que o projeto foi se estruturando.

O desafio envolveu cerca de 2 anos de desenvolvimento, permeados por um pensamento crítico acerca do uso das tecnologias atuais no sentido de conscientização de nossas capacidades sensoriais e fisiológicas — uma das questões centrais no projeto é a relação do ambiente com a fisiologia do corpo, um acontecimento constante e presente (em continua negociação), que molda nossa subjetividade.

O Gabinete situa-se assim nessa fronteira difusa, quase improvável, entre conhecimentos produzidos no campo da fisiologia do sistema nervoso autônomo, envolvendo o entendimento de ambientes imersivos, embutidos de certa inteligência programada, buscando entender como esses espaços híbridos podem reduzir ou aumentar a nossa potencia sensorial perceptiva.

É um projeto que arrisca o instável, o indefinido, e convida o público a pensar em formatos que se expandem, que permitem pensar a arte para além de padrões pre-configurados, em contato com campos a serem experimentados, na prática, na tessitura do que escapa.

Texto produzido pela equipe de idealização [Lucas Bambozzi, Laura Campos, Ale Duarte, Joãozito Pereira]

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FICHA TÉCNICA

Direção artística: Lucas Bambozzi e Joãozito Pereira

Roteiro multimídia: Lucas Bambozzi

Conceito fisiológico e supervisão: Alê Duarte

Pesquisa e ideia original: Laura Campos

Desenho cenográfico: Joãozito Pereira

Montagem e cenografia: Blade

Textos: Laura Campos e Lucas Bambozzi

Desenvolvimento tecnológico: Toni Oliveira e Javier Cruz

Trilha sonora: Pedro Augusto Dias

Produção executiva: Tiago Tao

Projeto contemplado pelo Edital de Artes Visuais do Fundo de Cultura da Bahia

+ informações na página do projeto aqui e na evento criado no facebook:

 

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FRESTAS TRIENAL DE ARTES

 

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O Fim do Sem Fim, trabalho de Lucas Bambozzi, Cao Guimarães e Beto Magalhães, participante na Trienal de Artes de Sorocaba. 

 

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Mobile Crash no Singularidades / Anotações

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Alexandre Vogler, André Komatsu, Bárbara Wagner, Berna Reale, Cadu, Caio Reisewitz, Carla Zaccagnini, Cinthia Marcelle, Ducha, Fabrício Lopez, Gilbertto Prado, Gisela Motta & Leandro Lima, Grupo EmpreZa, João Castilho,Katia Maciel, Laerte Ramos, Lucas Bambozzi, Luiz Roque, Marcellvs L., Marcelo Moscheta, Marcius Galan, Marcone Moreira, Nicolás Robbio, Paulo Vivacqua, Raquel Kogan, Raquel Stolf, Rejane Cantoni & Leonardo Crescenti, Rodrigo Braga, Rodrigo Paglieri, Rommulo Vieira Conceição, Sara Ramo, Sofia Borges, Tatiana Blass, Thiago Martins de Melo, Vitor Cesar

Curadoria de Aracy Amaral, Paulo Miyada e Regina Silveira

Instituto Itaú Cultural
Avenida Paulista 149, Jardins, São Paulo
Ter a sex, 9-20h; sáb, dom e fer, 11-20h
Até 26 de outubro de 2014

 

_Título original: Mobile Crash v3: Obsolescence Trimmer
_Título sugerido: Mobile Crash v3: Anotador de Obsolescências
_Ano de produção: 2012 – 2014
_Técnica/formato de apresentação: imagens de celulares sendo destruídos a partir do campo eletromagnético gerado no ambiente.

A peça é a versão mais recente da instalação Mobile Crash (2010) – inicialmente concebida como um projeto audiovisual imersivo (Menção Honrosa no Ars Electronica 2010). Nesta versão a obra passa a envolver novas formas de leitura de dados e medição de sinais eletromagnéticos em um determinado ambiente.

Um algoritmo de computador escolhe as sequências de vídeo dentre centenas de pequenos clipes. A velocidade de reprodução dos clipes varia de um estado quase estático a uma velocidade normal, de acordo com a leitura de um sensor de campos eletromagnéticos (um detector de uso de telefone celular).

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Projeto Multitude

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O projeto Multitude parte da observação de que a última década consolida algumas transformações profundas nas relações sociais e de trabalho, caracterizando também um novo contexto cultural. A exposição no Sesc Pompeia aborda fenômenos distintos desse novo contexto, tendo em vista acontecimentos recentes como as manifestações de junho de 2013 no Brasil e que repercutem ao longo do ano de 2014 no Brasil (Copa do Mundo, eleições presidenciais e a realização de eventos normalizadores, o desentendimento entre facções da esquerda, a dissonância que contrasta pensamentos hegemônicos) fazendo reverberar o termo multidão para além do plano teórico e acadêmico. Caberia dizer que Multitude sugere um “chamamento” para novas formas de entendimento de um contexto histórico.

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A escolha do título do projeto se vale de uma base comum associada à palavra multitude (do latim: multitudin-, multitudo). Em função de sua raiz e origem anglo-latina, o termo se faz compreender globalmente em suas várias utilizações em inglês [multitude], espanhol [multitud], francês [multitudes] ou português [multidão/multitude]. Esse entendimento comum é o ponto de partida para se aferir as riquezas advindas da diferença, que se expressa no projeto como um todo, focalizando a atualidade de uma produção artística e cultural, tecnologias de medição e controle, patologias coletivas, singularidades, subjetividades e poéticas individuais que se sobressaem em meio à multidão. E muito mais por vir.

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O conceito de multidão tem sido objeto de pesquisa por parte de uma série de artistas. Me vi nesse processo mais nitidamente a partir de 2006, buscando projetos em afinidade eletiva com o tema, a partir da realização de uma instalação chamada Multidão montada no Sesc Pinheiros por ocasião da exposição Luz da Luz (curadoria de Ana Barros). Versões distintas desse projeto foram criadas para o Laboratório Arte Alameda na Cidade do México (2011), Favela Maré no Rio de Janeiro (2013) e Virada Cultural em São Paulo (2013) sempre considerando a pertinência da ações representadas com relação ao contexto local.

Em encontros que se sucederam, o projeto foi tomando corpo, em especial a partir das pesquisas desenvolvidas por Andrea Caruso Saturnino no campo das artes cênicas. O projeto Multitude foi assim sendo alinhado também em conexão com trabalhos de teatro e performance que se apresentam igualmente como potências da multidão. O eixo central da escritura cênica não estando mais calcado no protagonismo do texto dramático, abre espaços para a expressão de temas ligados ao cotidiano de múltiplas minorias e para o redimensionamento do lugar da representação.

A realização do projeto como uma exposição junto ao Sesc Pompeia permitiu novas possibilidades de inserção de obras e viabilização de formas de expansão curatorial da exposição. Como forma de estender as referências iniciais a partir de áreas distintas, ao longo do desenvolvimento do projeto foi formada uma comissão curatorial que, além dos idealizadores, envolve os pesquisadores, artistas e pensadores Lúcio Agra, Natacha Rena, Peter Pál Pelbart e Rodrigo Araújo.

acesse o site oficial do projeto aqui

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Multidão na Bienal de Artes Mediales

Desdobramentos do projeto Multidão (2006-2013) em Santiago, Chile. A debater, sempre.

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Puxadinho IV em Caracas

Uma nova versão da instalação Puxadinho foi montada na exposição Un Solo Cuerpo, Arte Contemporáneo en los Paises del Mercosur, no Museo Alejandro Otero, em Caracas, Venezuela, com curadoria de Morella Jurado.

Apesar de montado pela primeira vez dentro de uma espaço expositivo típico  (Museo Alejandro Otero) o projeto segue a mesma lógica provocativa das montagens anteriores: em um barraco construído de forma precária, as imagens mostram portas e janelas sendo empurradas, como se alguém lá dentro estivesse tentando sair desses ambientes fechados.

 

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Título: Puxadinho

Ano de produção inicial: 2010 (atualizações em 2011, 2012 e 2013)

Mídia de exibição: DVD, telas LCD e construção em madeira com restos encontrados na região

Descrição das imagens: 2 vídeos em loop com cerca de 5 minutos cada, são exibidos de forma contínua.

Versões: por tratar-se de uma instalação que dialoga com contextos e espaços específicos, cada versão tem características únicas, com denominações distintas.

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Exposição Travessias 2: documentário

Colocado no ar o documentário que aborda a exposição Travessias 2 na Maré (2013). Uma exposição marcante, um conjunto de iniciativas ligadas ao Observatório de Favelas e registra alguns dos trabalhos participantes (os meus inclusive).

Produção: Automatica

Curadoria: Felipe Scovino e Raul Mourão

Rio de Janeiro, março-junho de 2013

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A vingança é uma espécie de justiça selvagem

Série de fotos, vídeo e futura instalação.

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No verão em São Paulo, em dias de muita chuva acontece de algumas árvores caírem. Isso causa um certo tumulto no trânsito. Os motoristas, que acreditam que a cidade foi feita para os carros e não para as árvores, blasfemam contra o absurdo de uma árvore impedir o trânsito. Sem lugar em meio a tanto concreto, sem espaço para fixarem suas raízes, estressadas pela cidade tão absurda, vemos algumas dessas árvores tomando os carros como reféns.

Fotos: dimensões: 80 x 60cm, 50 x 60cm, 80 x 60cm

moldura em madeira pintada de preto, perfil 2.5cm x 4cm, com baguete de 1cm de espessura, vidro de 2mm, estrutura traseira com parafusos, fundo em poliondas e pendurador tipo trilho.

* o título da série replica uma frase célebre de Francis Bacon (1561-1626)

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Multitude e outros no Travessias2

Projetos de Lucas Bambozzi na exposição Travessias 2, na Maré, RJ

1) sala com 5 trabalhos (2010-2013), em torno de temas como moradia, especulação imobiliária e a suposta estética da favela.

2) projeção em grande escala com uma nova versão do projeto Multitude (2003): um monte de gente, indagando quem chega. Gravado com ajuda do Observatório de Favelas, na Maré, alguns dias antes da exposição abrir.

Veja slide-show:

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Seeking Silicon Valley – Zero1 Biennial

Under the theme Seeking Silicon Valley, the 2012 ZERO1 Biennial features work by local, national, and international contemporary artists whose work will transform Silicon Valley into an epicenter for innovative art production and public experience.

My participation at Zero1 Biennial happened with an installation called Obsolescence Trimmer, commissioned by the organizers.

The piece is based on a newer version of the installation Mobile Crash (2010) – initially conceived as an immersive audiovisual system (Honorary Mention at Ars Electronica 2010) which is now being updated to employ new ways of reading data and measuring signals in a given environment.

 

A computer algorithm picks the video sequences among the hundreds of short clips available. The rhythmic rate of the clips played vary according to a sensor (actually a cell phone detector) measuring electromagnetic fields in the environment, such as mobile phone calls.

Such invisible signals are the sources for leading the inputs, triggering the system to progressively display the sound and visual sequences in a mash-up style, which can be experienced in real time by the audience.

Similarly to the machine Das Coisas Quebradas (commissioned for the Tecnofagia – Mostra 3M) the installation presented at Seeking Silicon Valley Zero1 Biennial aims to produce an ironic comment about obsolescence issues on the use of technological trends, as the more we consume and use them, the more it renders obsolescence.

 above photo by Karina Smigla-Bobinski

info:

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artist: lucas bambozzi

technologial development: Radames Ajna

assistance: Paloma Oliveira and Lucas Gervilla

hardware: customized electromagnetic fields / cell phone detector

Arduino board, macmini

software: Processing

video footage: 240 short clips

local setup: videoprojection and sound

 

 

 

 

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Das Coisas Quebradas

Entre autonomia e fluxo de comunicação :: a rede das coisas quebradas

A instalação “Das coisas quebradas”, trata do fluxo de comunicação que nos rodeia e de sua potencial transformação em dejetos. Somos usuários de um sistema em teste contínuo, que jamais estará pronto. Utilizamos hardwares disfuncionais e nos deixamos regular por redes que cada vez mais avançam sobre nossas vidas. A onipresença da comunicação aumenta e passamos a ser agentes, operadores e reféns desse fluxo. “Das coisas quebradas” é uma máquina autônoma, que toma suas decisões a partir da intensidade dos campos eletromagnéticos que pairam sobre nós. É a simulação física de um mecanismo contínuo, que opera entre as redes e o mundo real, onde a autonomia eventualmente caduca, os princípios se mostram obsoletos e percebemos que estamos na era da Internet das coisas quebradas.

Das Coisas Quebradas é uma instalação-maquina cuja autonomia se vale dos fluxos eletromagnéticos existentes no espaço onde ela é instalada. De forma insistente, dramática e irônica (se essas podem ser qualidades de uma máquina), ela repete a ação de esmagamento de celulares obsoletos ou cujo uso já não é mais desejado.

O projeto converte o espaço informacional que nos rodeia em um sistema “objetificado”, que representa um processo geralmente invisível, de transfor- mação de dados em inutilidade. A máquina tem como input as variações de leitura dos sinais que circulam no espaço aéreo (sinais de Radiofrequencia RF, ou campos/ondas conhecidas como Extreme Low Frequency ELF ou Electric Magnetic Fields), cuja saturação em determinados ambientes pode ser preocupante em vários aspectos.

A partir desses dados, o sistema se acelera e executa movimentos que culminam com uma ação destrutiva dos aparelhos estocados na máquina (ou dispensados pelo usuário), o que para muitos pode representar uma espécie de acerto de contas com o consumismo associado às tecnologias que observamos hoje.

 

Em seu conjunto de relações, o projeto sugere um pensamento crítico a partir de uma condição onde todos são veem responsáveis pela que ocorre nos espaços de circulação pública. Seu funcionamento leva em consideração um fluxo de informação que é produzido coletivamente, em interações entre o público e o sistema que vão além da interatividade imediatista comum à maioria dos projetos de arte digital

Das Coisas Quebradas busca dar conta de determinadas questões reincidentes na obra do artista, tais como: a instabilidade das mídias, as oscilações de linguagem percebidas nos meios de produção técnica de imagem, o caráter anacrônico dos meios audiovisuais em tempos de portabilidade, o con- sumismo e o fetiche ligado aos sistemas tecnológicos. O projeto dá continuidade de certo modo às pesquisas presentes no projeto Mobile Crash (performance audiovisual e instalação interativa), que comenta a constante (e crescente) obsolescência típica das mídias móveis recentes.

A leitura que o sistema faz do espaço aéreo é emblemática, associando por um lado os dispositivos da comunicação interpessoal à produção de obsolescência, mas sobretudo questionando a respon- sabilidade de cada um na formação e sustentabilidade dos chamados ambientes informacionais.

Funcionamento

Um tubo de acrílico com cerca de 2 metros de altura contém centenas de celulares e outros aparelhos de pequeno porte em desuso. Embaixo há uma abertura, uma pequena porta que abre segundo uma rotina que parece pré-definida. Um dispositivo age sobre essa portinhola, que ao abrir, deixa passar a cada momento, um aparelho celular, que cai num nicho que fica sob o alvo de uma grande morsa mecânica.

O sistema tem um ritmo lento e que causa curiosidade. Vários módulos aparecem integrados, explicitando a precisão precária dos movimentos: o mecanismo que empurra e dispensa os celulares, as engrenagens e correntes acionadas pelo motor que move a morsa hidráulica, um nicho de escoamento do material dilacerado. A lentidão obedece a padrões dinâmicos: em um fluxo de visita normal, apenas a cada 3 horas acontece o esmagamento de um dos aparelhos dispensados pelo funil. A partir da leitura do campo eletromagnético no espaço, caso haja um fluxo in- tenso, o sistema se acelera a ponto de aumentar para cerca de 30 aparelhos a cada 6 horas. Caso não hajam conversas ou uso de celular no ambiente, o sistema se detém, operando em ‘slowmotion’.

A cena parece interessante em meio aos destroços dos aparelhos – para muitos, é primeira vez que se vê as entranhas desses aparatos. Ao lado da traquitana, um monitor LCD mostra um gráfico, que mesmo parecendo abstrato à primeira vista, expõe o fluxo das ondas eletromagnéticas no ambiente, nos informando sobre a interação que ocorre no sistema. Uma série de outras informações relativas à leitura da densidade da potência no ambiente (milliwatts por metro quadrado – mw/m2) são escritas na tela, nos permitindo entender o que acontece entre as medições e o funcionamento da máquina.

Através desse componente digital da máquina, podemos saber por exemplo, qual foi o pico dos sinais nos últimos minutos, quando o sistema iniciou as operações e há quanto tempo está em funciona- mento. A idéia é que o sistema ofereça informações detalhadas, como o tempo decorrido desde que foi destruído o último celular, bem como quando vai ocorrer a destruição do próximo. Todo esse conjunto de informações faz parte da intenção de tornar visível algo que não apenas circula na forma de onda, mas que geralmente nos é omitido (numa tentativa de “clareamento” das caixas pretas, como diria Vilem Flusser) visando a abertura de sistemas fechados, que permanecem como herméticos ou como tabus quando se menciona radiofrequência produzida por roteadores, celulares e outros sistemas largamente utilizados à nossa volta.

Como forma de pontuar os eventos e as ações disparadas no espaço, o som relativo ao aumento das intensidades de sinal eletromagnético, bem como a própria ação de esmagamento produzida pela morsa, é amplificado através de um circuito de áudio, que deve envolver um mi- crofone direcional para a captação dos ruídos produzidos durante o esmagamento, bem como pela transformação dos dados visualizados nos gráficos em pulsos sonoros.

Uma série de evidencias (ver links e referências ao final do projeto) nos faz acreditar que o ritual da morsa hidráulica quebrando cada aparelho é algo esperado, desejado por um público que guarda sentimentos ambíguos e contraditórios com relação ao uso de determinadas tecnologias.

O fluxo de comunicação aumenta e passamos a ser responsáveis por esse fluxo. É o espaço que nos rodeia, permeado de consumo, de va- lores, de ideologias, de informação privada circulando em espaço público. Se não nos sentimos ainda responsáveis, deveríamos começar a pensar mais nisso tudo. Os dejetos se acomodam, o lixo desaparece de nossas vistas, quase tudo parece esvair. Até que um novo estrondo ocorra, e percebemos que o incômodo permanece.

 

documentação em vídeo:

 

ficha técnica:

 

Das coisas quebradas, 2012

Máquina de consolidação de obsolescência a partir de campos eletromagnéticos)

 

concepção: Lucas Bambozzi

desenvolvimento tecnológico: Radamés Ajna

montagem e mecânica: Leonardo Ceolin

apoio técnico: Guima San

assistência e produção: Luciana Tognon

> projeto comissionado pela Mostra 3M de Arte Digital

 

ver também página do projeto:  http://www.lucasbambozzi.net/index.php/projetosprojects/das-coisas-quebradas

 

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Finalista, agora premiado!

Lucas Bambozzi é artista premiado na categoria meio de carreira.

Em cerimônia realizada no Museu da Imagem do Som de São Paulo (MIS_SP), em 3 de outubro, foram anunciados os artistas contemplados pelo 9º Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia. Com curadoria de Giselle Beiguelman, esta edição distribuiu 4 Prêmios para artistas em Início de Carreira e 2 Prêmios para artistas em Meio de Carreira.

Os participantes em Início e Meio de Carreira foram selecionados a partir de 352 portfólios inscritos entre maio e agosto de 2011. Os portfólios foram submetidos à duas comissões que elegeram por unanimidade 12 finalistas e, entre eles, os 6 artistas contemplados. Adriana Amaral (RS), Clarissa Diniz (PE), Eduardo Jesus (MG), Marcos Boffa (SP) e Priscila Farias (SP), integraram a Comissão de Seleção; Claudia Assef (SP), Cícero Silva (SP), Ivana Bentes (RJ), Tadeu Chiarelli (SP) e Tiago Mesquita (SP), formaram a Comissão de Premiação [+ info no site do Instituto Sergio Motta]

baixe o catálogo aqui! [portuguese with english texts]

Comentário colateral:

É a segunda vez que sou contemplado com o prêmio. A primeira foi em 2003, quando o ISM oferecia bolsas para a realização de projetos. Naquela ocasião o Prêmio foi viabilizador da instalação e do DVD-Rom O Tempo Não Recuperado.

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O ESPAÇO ENTRE NÓS E OS OUTROS

Acompanhe o blog da curadoria de processo, produzido por Josy Panao, Ana Luisa Nossar e a curadora Christine Mello

http://oespacoentrenoseosoutros.wordpress.com/

LAA . LABORATORIO ARTE ALAMEDA

Mexico . DF

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Mobile Crash recebe Menção Honrosa no Ars Eletronica

A instalação interativa Mobile Crash recebe Menção Honrosa no evento mais importante do mundo dedicado às chamadas novas mídias. Sediado em Linz, na Áustria o Ars Eletronica distribui prêmios e distinções anuais.

Mobile Crash ainda não foi apresentado no Brasil, mas apenas na exposição Geografias Celulares, em suas edições na Argentina e Peru.

Receber esta distinção é mesmo um incentivo a continuar produzindo instalações dessa natureza, que exigem ajustes e cuidados bastante complexos na sua montagem, algo nem sempre bem visto pelas instituições ou espaços expositivos que se dispõem a abrigar projetos envolvendo interatividade. Mobile Crash foi desenvolvido com a ajuda de Ricardo Palimieri, Roger Sodré, Paloma Oliveira e Lucas Gervilla, emprega software livre (Ubuntu, Pure Data, e openFrameworks) e é uma sistema robusto: em seus 3 meses de exibição na Argentina e quase 4 em Lima, não houve notícia de problemas técnicos ou definciência no funcionamento.

O ambiente criado pelas 4 projeções em grande escala, pelo detector de vetores e pelos ruídos disparados a partir das interações cria um conjunto envolvente, que incita uma participação ‘aditiva’ que tem se mostrado catártica e ao mesmo tempo aponta para um pensamento mais crítico com relação ao consumo e à obsolescência de aparatos tecnológicos nos dias de hoje.

Enquanto o projeto não é mostrado por aqui, vamos preparando sua exibição em pelo menos duas exposições na Europa neste ano: no ISEA na Alemanha e em mostra justo ao próprio Ars Eletronica.

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Veja a lista dos demais premiados no Ars Eletronica aqui:

Mais informações sobreo  Mobile Crash nos seguintes links, a partir deste blog:

Descrição do projeto, vídeos e ficha técnica:

http://lucasbambozzi.net/projetosprojects/mobile-crash/

http://vimeo.com/10054233

http://vimeo.com/10053739

Geografias Celulares no Peru

http://lucasbambozzi.net/2010/02/27/mobile-crash-em-lima-peru/

Artigos na imprensa entre Argentina e Peru

http://lucasbambozzi.net/2009/11/22/los-mapas-del-futuro-desde-argentina/

http://elcomercio.pe/noticia/462399/se-puede-hacer-arte-celular

http://centro.fundaciontelefonica.org.pe/geo_celulares_intro.htm

Comentário de Lorea Iglesias @ Mobile Art blog

http://artismobile.wordpress.com/2010/05/23/mobile-crash-creacion-destructiva/

O dissenso em 3 ou 4 casos

Do constrangimento como meio de desarticulação social

Texto escrito em abril de 2013, por ocasião da exposição Poética do Dissenso, na Mostra O Abrigo e o Terreno, que abriu o Museu MAR, no Rio de Janeiro.

noname-2   Região central do Rio de Janeiro (foto de Rogerio Borovik)

 

 

Caso1:

Então o/a artista se vê finalmente dentro do sistema. Ele/ela tem consciência do feito, de que esse degrau na ascensão de sua reputação entre seus pares, tem um certo preço. Sabendo o que isso representa, ele/ela talvez não tenha a noção, ainda, de que deu um passo em direção a um ambiente ou patamar onde as estabilidades são mais relativas e frágeis. Ele/ela lamenta, pois justo “na sua vez”, há barulho, vozes e vaias lá fora… Há uma falta de consenso, aparentemente inexplicável para o caso. Nesse momento, algo então age sobre esse estado de euforia, que faz com que, de repente, atue como um puxar de rédeas, como um freio brusco em suas pretensões. Esse algo talvez seja constrangimento. Ele/ela percebe que aquilo não tem o sabor que esperava ter. É amargo, pode durar pouco. É contraditório. E seus pares já não estão por perto. Pode não mais conseguir ‘voltar pra casa’. Ouve vaias, agora internas talvez, percebe o cochichar perverso de uma turma da qual não pertence, e no meio – talvez apenas a entrada – desse suposto salão de glórias, perde o caminhar, e permanece estático.

 

Certas situações são constrangedoras. Todos sabemos ou já sentimos o que pode ser isso. O constrangimento pode ser um conflito interno, uma oscilação moral, uma dúvida que confronta uma certeza tida como autêntica. Vilém Flusser comenta que a dúvida, como exercício intelectual, é o berço da pesquisa, um estímulo ao pensamento, “mas como experiência moral, é uma tortura, o fim de todo conhecimento” (Flusser, 2011)[1]. Esse é o risco: a dúvida, aniquilando a convicção e a determinação, paralisa.

Mas é preciso questionar o consenso que nos sussurram. É preciso se revirar com a contradição. E entender o conjunto de sensações advindas do constrangimento através do viés político é um exercício complexo. Entre nós, integrantes do coletivo Cobaia, buscamos debater essas paralisias e dicotomias improdutivas, desde a formação do grupo, em 2004. As ações ligadas à reintegração de posse do Edifício Prestes Maia (2004-2006), e que levou a uma colaboração entre artistas e movimentos sociais populares como o MSTC – Movimento dos Sem Teto do Centro, evidenciava alguns desses constrangimentos políticos, que escapam da vergonha individual e vazam para um coletivo em grande escala.

Ali, um prédio simbolizando as contradições urbanas e acirramentos da especulação imobiliária levou a questionamentos em torno do funcionamento do sistema da arte, da política, da mídia e da vida urbana e pública. O que nos movia eram urgências, e não uma estratégia artística de inserção no circuito da arte atenta à política. Mas vieram curadores, buscaram casos, especularam estéticas, levaram imagens, tomaram conceitos emprestados.

Esse constrangimento veio acompanhado da lisura, da validade ou da pertinência do “fazer arte” para tal situação específica. Para quem e como essa arte seria produzida? Para os moradores do edifício? (eles estariam desejando isso de fato?) Para a situação midiática que se apresentava? Como forma de aproveitar a visibilidade obtida com a situação? O que fazer de efetivo, para além da arte, diante daquela realidade? De um modo ou de outro, muitas perguntas ficaram sem resposta. E quando o veredito do despejo foi dado, a despeito de toda luta, a despeito de toda arte, demonstrando a força avassaladora do lobby empresarial e da especulação imobiliária, quando as famílias se foram, a maioria para lugares muito distantes do centro, o que pairou em comum, como um silêncio apertado e seco, foi um grande constrangimento. Teríamos feito a coisa certa? Teríamos feito da melhor forma?

Assim, o constrangimento que surge de um sentimento interno, de um conflito de valores, adquire uma proporção social, às vezes gritante. E desarticula movimentos, divide potências, contradiz ações e acirra o desentendimento. Em muitos casos, a imposição da lei pode ser menos eficaz que o constrangimento. Numa sociedade disciplinar, as situações panópticas podem ser menos eficientes do que a indução ao constrangimento. Em seus efeitos colaterais e desvios, o constrangimento pode ser uma arma social apontada na direção errada.

 

 

noname-3Vista da região chamada de Porto Maravilha a partir do Museu MAR (foto de Rogerio Borovik)

 

Caso 2:

Então um grupo de senhoras da sociedade em São Paulo passou a se reunir em torno de uma causa comum: criar formas de barrar e desarticular um outro grupo, que havia passado a se reunir com preocupante frequência: suas próprias babás. As empregadoras criaram então o Gatb, Grupo Anti-Terrorismo de Babás, uma espécie de mutirão fechado. Argumentando sobre a necessidade de se protegerem da “petulância” das funcionárias reinventaram o que seria um sindicato patronal para trocar informações e dicas sobre como fazer em caso de “abuso de direitos” por parte das empregadas. Assim as reuniões de umas passaram a ter função controladora enquanto a de outras, controladas. Para estas últimas, reunir passou a ser ilegal, subversivo e arriscado. E assim passaram a ser consideradas “terroristas”.

Tendo o movimento divulgado pela mídia oficial, os leitores passaram a se afinar em particular com a facção das empregadoras supostamente oprimidas ou “lesadas” pelo direito de… direito (!) das empregadas.

No mundo online, as posições mais reacionárias ganham destaque em tom de valentia. Um leitor escreve:

 

“Eu sei o seguinte, se eu tivesse uma babá e uma delas fosse essa da reportagem, estaria na rua no dia seguinte. Se elas estão na pracinha de papo, não estão olhando meu filho. E segundo, aqui no Brasil virou moda nego sem formação querer ganhar bem… (anônimo).”

 

O que temos em comum, a ver com este texto, a ver com os editores deste site, com a continuidade de propostas que se fazem em torno de questões como essa que agora envolve o MAR? Algum constrangimento, talvez.

 

noname-1 Detalhes do entorno do Museu MAR (foto de Rogerio Borovik)

 

 

Caso 3:

O crítico de arte Sergio Bruno Martins em seu artigo, O MAR de cima a baixo[2], descreve a incerteza da política habitacional e urbanística da area que vem sendo conhecida como Porto Maravilha. Sergio aponta a ausência de debates minimamente aprofundados que possam sugerir alternativas à ocupação ou “revitalização” da região. Em um link para o Youtube que mostram um video institucional com renderings do que se planeja para a região, há uma revelação sintomática: em meio a cerca de 32 mil visualizações, há no momento apenas 16 comentários. Em sua maioria elogiosos, alguns denotam o pensamento típico associado à região:

 

Agostinho fernandes peres ‪‪4 days ago

Se for como está na maquet, será um porto fora de série, de país adiantado.

‪‪Rodrigo Araujo ‪‪1 month ago

vai fica muito lindo!!!!

TheJhFisher ‪‪2 months ago

(…) Espero que essa obra seja só o começo e a reurbanização se estenda para as outras regiões. A capital fluminense está cercada de favelas.

PEPE EL GRANDE ‪‪2 months ago

Achei ótimo o projeto… Mas e aquela nojeira e fedentina da rodoviária novo Rio e entornos?

sérgio júnior ‪‪2 months ago

Falou tudo.

Ernesto São Thiago ‪‪2 months ago

Maravilhoso.

 

Pois bem, há pouco dissenso aqui. Ouve-se, por mais que não acreditemos, uma opinião pública genericamente a favor de estratégias de limpeza urbana e social. Não há sequer cuidado da imprensa em utilizar essas palavras. Sabe-se que o museu Mar não está devidamente conectado ao seu entorno, mas sim ao poder que viabiliza sua gestão. E sabe-se o quanto os dispositivos culturais são, em todo o mundo, a porta de entrada para estratégias de “revitalização” que levam a cabo processos de gentrificação, sempre violentos, por definição, mas desejado por muitos que vem a cidade como mera paisagem. Nada de novo. Então refaçamos algumas perguntas:

Qual a função da arte para os habitantes e frequentadores da Praça XV ou Praça Mauá? No que eles estão interessados? (apontem por favor, alguma pesquisa consistente nesse sentido?) Ha alguma intervenção cabível nesse ambiente? A favor de quem que não seja o próprio artista ou coletivo? Quem quer a intervenção? Quem quer a arte, que arte se quer?

Questões como essas endossam uma premissa: é preciso ressignificar a relação entre artistas e movimentos sociais. Mesmo que as questões que envolvem a responsabilidade da arte para além da produção simbólica não produzam no momento reverberações relevantes há que se reinventar essas conexões. Pois os processos de legitimação de uma arte política já estão demasiadamente arraigados ao sistema da arte, como estratégia, como verniz. Hoje, um artista que evita a política pode ter maior reverberação política do que os tidos como “artivistas”.

As ambiguidades e contradições são muitas, mais do que dão conta as ações esboçadas. Se fossem outros curadores, cujo histórico e seriedade não conhecêssemos, poderíamos ter afirmado que o que houve foi cooptação simples e eficiente. O que aconteceu porém decorreu de uma tentativa de arranhar o sistema estando dentro dele. Por parte de muitos dos envolvidos, inclusive grupos e coletivos que deveriam ter assumido uma posição mais explícita, as tensões foram lançadas como adereço político, não como articulação transformadora.

Ser bem intencionado parece não bastar. Como agem os antídotos, as ações que arranham apenas superficialmente o mecanismo capitalista apenas o tornam mais forte. Segundo os pesquisadores canadenses Andrew Potter e Joseph Heath, em vez de funcionar como força de oposição à economia de mercado, a contracultura, o ativismo antiglobalização acaba sendo motor dela.[3] Segundo os autores “os símbolos da rebeldia não são apenas cooptados pelo ‘sistema’, mas impulsionam efetivamente o capital e seus poderes, gerando as novidades para a competição entre os consumidores” e o público ávido por novidades.

Novos conceitos na sociedade surgirão na medida em que os porta-vozes desses conceitos tiverem de fato voz ativa e comprometimento com as causas que seus artistas articulam.

 

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O cartaz com os dizeres “algumas coisas você nunca vai saber pela mídia’ foi criado pelo grupo Formigueiro em 2004 se estendeu a ações do grupo Cobaia nos anos seguintes. A foto acima, tirada no Edifício Prestes Maia, representa a inserção do grupo Cobaia junto ao coletivo Poética do Dissenso, que participa da Mostra O Abrigo e o Terreno no Museu MAR. (foto de Rogerio Borovik)

 

 

Caso 4:

Suponhamos um grupo formado por indivíduos capazes e ativos, porém insatisfeitos com a condição que lhes é dada. Falemos de um indivíduo estimulado pelo mercado, pela sua condição de consumidor ativo, pela sua participação nas redes sociais e fora delas. Suponhamos ainda este indivíduo como consciente de sua eventual capacidade de engajamento. Se essa pequena multidão tem dentro de sua constituição, algum poder da rebelião, se há uma potência de articulação latente ali, por que este grupo permanece ali, apático, à margem?

Talvez porque não perceba a urgência de uma ação, talvez porque pese sobre si a expiação de um pensamento que lhe foi entranhado pela educação servil, pelo que imagina de seu Deus ou religião, pela primeira comunhão que agora lhe é saudosa, pelo respeito ao pai direitista que já se foi, pelo que julgue antecipadamente proibido. Talvez nesse momento tão importante, sinta-se sozinho… Ou talvez hajam algumas urgências, em levar dinheiro pra casa, em assumir uma dívida, em cuidar do filho(a) pequeno(a) que chegou sem a estrutura ideal – e isso urge, de fato. Ou talvez também porque, ao perceber o olhar do outro, e sua dúvida oscilante, o indivíduo constituinte dessa multidão, sente que vai ser em vão, e negando toda tragédia, abdica finalmente de sua condição sísifica, e agora, diante desta normalidade que o acomete, ele/ela de seguir adiante, prefere não mais avançar. E assim, olha para os lados e abaixa a cabeça.

Sente então constrangimento. E não sabe o que fazer com isso.

Talvez haja um ponto onde as ambiguidades levantadas em debates como este que ocorre neste site, possam explicitar possibilidades efetivas e permitam ensejar novas perspectivas para antigas contradições. É o que se espera, apesar do constrangimento latente. Assim, em algum momento ou situação específica, essas práticas podem ganhar a contundência e o poder da transformação. Uma transformação necessária ao redimensionamento de processos culturais e de práticas artísticas correntes.

 

Lucas Bambozzi

Colaboração: Almir Almas e Rogério Borovik

[grupo COBAIA]

 

NOTAS:

[1] Flusser, Vilém, A Duvida, Anablume, 2011 (pgs 21-22)

 

[2] http://www.blogdoims.com.br/ims/o-mar-de-cima-a-baixo-–-por-sergio-martins/

 

[3] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1408200506.htm

 

 

Curto Circuito [Último Suspiro] no Sistema ECOS

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Curto Circuito [Último Suspiro], 2014

de Lucas Bambozzi

Instalação com 30 TVs de tubo tipo CRT . obra site-speceific para o Sistema ECOS

Uma espécie de videowall abandonado, formado por TVs que pulsam uma imagem ‘entranhada’, efeito colateral de sua condição eletrônica pré-digital. Em estado de entropia com a natureza, emitem um “último suspiro” de raio catódico. Retrato de precariedades e da obsolescência voraz nas tecnologias de imagens, há algo de incômodo nesse refluxo, talvez por sermos testemunhas de uma arqueologia que opera em nosso presente.

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Em meio às árvores, notamos uma montanha de TVs de tubo, no solo da praça Victor Civita. Aparentemente sem funcionamento, parecem ali há algum tempo, como mais uma forma de descarte de material eletrônico. Mas as telas cintilam, como uma descarga de luz, um lampejo de imagens aprisionadas, em curto-circuito reincidente.

ver mais informação na página do projeto aqui

 

Equipe de criação:

criação: Lucas Bambozzi

produção: Larissa Alves

desenvolvimento e cenografia: Leo Ceolin

cenotecnia: Sergio Lippe

 

Das Coisas Quebradas em Gambiólogos 2.0

Das Coisas Quebradas, máquina de consolidação de obsolescências está na exposição Gambiólogos 2.0. Até 18 de agosto de 2014, no Oi Futuro Belo Horizonte.

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+ sobre a exposição aqui

+ sobre a máquina aqui

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+ info:

http://neural.it/2013/10/das-coisas-quebradas-critical-and-destructive-machine-art/