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Das Coisas Quebradas em Gambiólogos 2.0

Das Coisas Quebradas, máquina de consolidação de obsolescências está na exposição Gambiólogos 2.0. Até 18 de agosto de 2014, no Oi Futuro Belo Horizonte.

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+ sobre a exposição aqui

+ sobre a máquina aqui

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+ info:

http://neural.it/2013/10/das-coisas-quebradas-critical-and-destructive-machine-art/

 

 

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Projeto Multitude

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O projeto Multitude parte da observação de que a última década consolida algumas transformações profundas nas relações sociais e de trabalho, caracterizando também um novo contexto cultural. A exposição no Sesc Pompeia aborda fenômenos distintos desse novo contexto, tendo em vista acontecimentos recentes como as manifestações de junho de 2013 no Brasil e que repercutem ao longo do ano de 2014 no Brasil (Copa do Mundo, eleições presidenciais e a realização de eventos normalizadores, o desentendimento entre facções da esquerda, a dissonância que contrasta pensamentos hegemônicos) fazendo reverberar o termo multidão para além do plano teórico e acadêmico. Caberia dizer que Multitude sugere um “chamamento” para novas formas de entendimento de um contexto histórico.

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A escolha do título do projeto se vale de uma base comum associada à palavra multitude (do latim: multitudin-, multitudo). Em função de sua raiz e origem anglo-latina, o termo se faz compreender globalmente em suas várias utilizações em inglês [multitude], espanhol [multitud], francês [multitudes] ou português [multidão/multitude]. Esse entendimento comum é o ponto de partida para se aferir as riquezas advindas da diferença, que se expressa no projeto como um todo, focalizando a atualidade de uma produção artística e cultural, tecnologias de medição e controle, patologias coletivas, singularidades, subjetividades e poéticas individuais que se sobressaem em meio à multidão. E muito mais por vir.

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O conceito de multidão tem sido objeto de pesquisa por parte de uma série de artistas. Me vi nesse processo mais nitidamente a partir de 2006, buscando projetos em afinidade eletiva com o tema, a partir da realização de uma instalação chamada Multidão montada no Sesc Pinheiros por ocasião da exposição Luz da Luz (curadoria de Ana Barros). Versões distintas desse projeto foram criadas para o Laboratório Arte Alameda na Cidade do México (2011), Favela Maré no Rio de Janeiro (2013) e Virada Cultural em São Paulo (2013) sempre considerando a pertinência da ações representadas com relação ao contexto local.

Em encontros que se sucederam, o projeto foi tomando corpo, em especial a partir das pesquisas desenvolvidas por Andrea Caruso Saturnino no campo das artes cênicas. O projeto Multitude foi assim sendo alinhado também em conexão com trabalhos de teatro e performance que se apresentam igualmente como potências da multidão. O eixo central da escritura cênica não estando mais calcado no protagonismo do texto dramático, abre espaços para a expressão de temas ligados ao cotidiano de múltiplas minorias e para o redimensionamento do lugar da representação.

A realização do projeto como uma exposição junto ao Sesc Pompeia permitiu novas possibilidades de inserção de obras e viabilização de formas de expansão curatorial da exposição. Como forma de estender as referências iniciais a partir de áreas distintas, ao longo do desenvolvimento do projeto foi formada uma comissão curatorial que, além dos idealizadores, envolve os pesquisadores, artistas e pensadores Lúcio Agra, Natacha Rena, Peter Pál Pelbart e Rodrigo Araújo.

acesse o site oficial do projeto aqui

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DO TETO INVISÍVEL NO CCBB

INSTALAÇÃO

palavras-chave: rede . visibilidade . campos eletromagnéticos . meta-identidade . interação . espaço físico . ondas hertzianas . instabilidade . campos invisíveis

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O projeto busca formas de ver o uso de aparelhos celulares em atividades em espaços de circulação e as intensidades de fluxos invisíveis ao nosso olhar. A rede que se forma no espaço aéreo é uma forma de ver esses campos que nos rodeiam, e que de alguma forma influenciam nossos corpos.

 

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O Tempo Não Recuperado na exposição Arquivo Vivo

O Tempo Não Recuperado (2003) é uma instalação com 5 canais de vídeo e também um DVD-Rom que apresenta um vídeo de múltipla escolha. O projeto é o resultado de uma busca de imagens videográficas em um arquivo pessoal transpostas para formatos de narrativa não-linear. As sequências constituem registros fragmentados de uma memória fugidia e dispersa e compõem no conjunto um retrato extensivo e aberto do artista ao longo de 15 anos.

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ARQUIVO VIVO

ABERTURA: 01 outubro, 2013 – 19h00

VISITAÇÃO: de 2 de outubro até 8 de dezembro de 2013 . gratuito e aberto ao público

CURADORIA: Priscila Arantes

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Puxadinho IV em Caracas

Uma nova versão da instalação Puxadinho foi montada na exposição Un Solo Cuerpo, Arte Contemporáneo en los Paises del Mercosur, no Museo Alejandro Otero, em Caracas, Venezuela, com curadoria de Morella Jurado.

Apesar de montado pela primeira vez dentro de uma espaço expositivo típico  (Museo Alejandro Otero) o projeto segue a mesma lógica provocativa das montagens anteriores: em um barraco construído de forma precária, as imagens mostram portas e janelas sendo empurradas, como se alguém lá dentro estivesse tentando sair desses ambientes fechados.

 

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Título: Puxadinho

Ano de produção inicial: 2010 (atualizações em 2011, 2012 e 2013)

Mídia de exibição: DVD, telas LCD e construção em madeira com restos encontrados na região

Descrição das imagens: 2 vídeos em loop com cerca de 5 minutos cada, são exibidos de forma contínua.

Versões: por tratar-se de uma instalação que dialoga com contextos e espaços específicos, cada versão tem características únicas, com denominações distintas.

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Exposição Travessias 2: documentário

Colocado no ar o documentário que aborda a exposição Travessias 2 na Maré (2013). Uma exposição marcante, um conjunto de iniciativas ligadas ao Observatório de Favelas e registra alguns dos trabalhos participantes (os meus inclusive).

Produção: Automatica

Curadoria: Felipe Scovino e Raul Mourão

Rio de Janeiro, março-junho de 2013

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ON_OFF 2013

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Aconteceu entre 118 e 21 de julho o Festival ON_OFF 2013, no Itaú Cultural, que teve minha curadoria. O evento existe há 9 anos e coloca foco nas práticas mais experimentais em torno das chamadas ”live-images”, performances audiovisuais, “live acts” ou cinema ao vivo como uma vertente de arte que dialoga com as tecnologias de um tempo presente.

Um dos lados interessante dessa linguagem é justamente seu caráter instável, suas confluências e possibilidades de conter também com outros meios, suportes e estéticas, expandindo os domínios do audiovisual em novas práticas.

Acredito que essa vertente vem gerando muitas possibilidades e desdobramentos no Brasil, pois trata-se de um encontro entre as tecnologias digitais e a cultura da música eletrônica que já tem bem mais de 15 anos de existência no país. É uma cena que já teve muitas fases. Talvez não seja muito comentada ou de interesse por parte dos meios mais hegemônicos, mas vem sendo uma prática apresentada e difundida por uma série de eventos que acontecem desde os anos 90 tais como: Festival Eletronika, Forum de Mídia Expandida, Festival arte.mov, Videobrasil, Live Cine, FAD, Videoataq, Multiplicidade, FILE, o recente Arranjos Experimentais. Os nomes dos artistas que fazem essa cena são muitos (não cabe cita-los aqui pois cometeria a injustiça de esquecer de algum importante) e vem se destacando nos cenários mais diversos, tanto no Brasil como no exterior.

Segue o texto de apresentação publicado no folder e a programação:

ON_OFF 2013 [INCABÍVEL]

 

Fora do palco, incabível

palavras-chave: unfit, sem lugar, incabível, incontível, sem cabimento, limites entre formatos

No texto de apresentação da Mostra ON_OFF de 2012, estava escrito: (…) “o espaço é dado. Todas as apresentações acontecem na Sala Itaú Cultural, notadamente um teatro”.

Há tempos, muitos se perguntam o que se pode fazer hoje a partir de uma arquitetura que pretende dar conta de formatos nem sempre confluentes, como o cinema, as apresentações musicais, o teatro e a ópera.

Pois bem, as muitas possibilidades de expressão audiovisual que encontramos hoje em dia não se encaixam sempre nesses formatos. Pensamos em confluências, em cruzamentos de linguagens, zonas de intersecção. A mostra desse ano acontece como desenrolar quase natural desse pensamento, já entranhado nas mídias. E de modos variados, sugere novas nuances para a discussão em torno das possibilidades mais limítrofes ou múltiplas de projetos audiovisuais, em formatos que cada vez mais não se encaixam em condições pré-definidas.

Assim, neste ano temos uma apresentação inicial que despersonifica o artista. O palco encontra-se vazio. A sonoridade de Novi_Sad e os visuais de Ryoichi Kurokawa são os únicos elementos percebidos diante do público. É algo sem qualquer tipo de encenação, executado em estado bruto, para os sentidos apenas. Na mesma noite, em Disorder, há um espécie de duelo entre corpo e máquina, entre movimentos físicos de um performer e mapeamentos dinâmicos produzidos por software. É uma performance em que mistura-se a ordem esperada, e já não se sabe o que é controle e o que é controlado.

No dia seguinte, temos como contraste uma ocupação massiva deste palco, tanto em termos de personagens reais como fictícios, virtuais, digitais e em streaming. O “Teatro Eletrônyco” proposto por Pedro Paulo Rocha e convidados não é o que parece ser (e muito menos um retorno ao teatro do corpo dentro de um evento tipicamente digital) mas uma experiência radical, “transmidiática” como a definem seus criadores, envolvendo diferentes linguagens: videografismo, sonoridades, poesia, teatro e intervenção urbana.

No sábado assistimos a um documentário, mas que não é exatamente isso. Os cinco integrantes do Embolex apresentam uma montagem composta por três telas de projeção e remixam o documentário Are you doing Right?, ainda inédito. O projeto problematiza as soluções e perspectivas adotadas pelas ONGs para problemas globais. Trata-se de uma apresentação que passeia pelos extremos do que vem a ser o gênero documentário e suas possibilidades de execução ao vivo. Em primeira mão, em uma degustação única.

No último dia apresenta-se finalmente no Brasil a Braun Tube Jazz Band. Novamente, contrariando os formatos mais conhecidos, não se trata exatamente do que parece ser. Não é uma banda de jazz, não é um ‘live’ típico de VJ, não há sequer a utilização de laptops. A ‘banda’ é formada por uma única pessoa, o japonês Ei Wada, que toca, com destreza incomum, as telas de um conjunto de velhas TVs de tubo. A partir de um campo eletrostático formado entre o performer e as telas, a interferência sonora é tornada imagem e vice-versa. A apresentação é em todos os aspectos um comentário sobre as várias obsolescências que tomam lugar hoje em dia, seja dentre as mídias e tecnologias de imagem e som, seja entre os formatos, gêneros e linguagens que já não cabem em definições prévias.

Reiterando as confluências, eliminando fronteiras, as apresentações se irradiam a partir de um palco que se torna metafórico, em uma coreografia influenciada por softwares, em um teatro que incorpora tecnologias absolutamente contemporâneas, em uma música que se faz com imagens e ruídos. Ha algo de “incabível” nesses formatos, como se os padrões existentes não pudessem fazer caber ou “conter” as propostas apresentadas. São projetos que acontecem nesse terreno do “sem lugar”. Juntas, no ON_OFF, essas experiências se somam também como forma de modular os sentidos em uma potência coletiva, que ecoa nas paredes do auditório para além do que representam as convenções do espaço.

lucas bambozzi . curadoria ON_OFF 2013

ON_OFF: PROGRAMAÇÃO:

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A vingança é uma espécie de justiça selvagem

Série de fotos, vídeo e futura instalação.

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No verão em São Paulo, em dias de muita chuva acontece de algumas árvores caírem. Isso causa um certo tumulto no trânsito. Os motoristas, que acreditam que a cidade foi feita para os carros e não para as árvores, blasfemam contra o absurdo de uma árvore impedir o trânsito. Sem lugar em meio a tanto concreto, sem espaço para fixarem suas raízes, estressadas pela cidade tão absurda, vemos algumas dessas árvores tomando os carros como reféns.

Fotos: dimensões: 80 x 60cm, 50 x 60cm, 80 x 60cm

moldura em madeira pintada de preto, perfil 2.5cm x 4cm, com baguete de 1cm de espessura, vidro de 2mm, estrutura traseira com parafusos, fundo em poliondas e pendurador tipo trilho.

* o título da série replica uma frase célebre de Francis Bacon (1561-1626)

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Multitude e outros no Travessias2

Projetos de Lucas Bambozzi na exposição Travessias 2, na Maré, RJ

1) sala com 5 trabalhos (2010-2013), em torno de temas como moradia, especulação imobiliária e a suposta estética da favela.

2) projeção em grande escala com uma nova versão do projeto Multitude (2003): um monte de gente, indagando quem chega. Gravado com ajuda do Observatório de Favelas, na Maré, alguns dias antes da exposição abrir.

Veja slide-show:

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Bottled Chat: Um casal perfeito

Uma nova versão do trabalho Bottled Chat: Um casal perfeito (De-erre) está em exibição na exposição O Cotidiano na Arte, na Galeria Santander, em São Paulo.

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A primeira versão desta pequena instalação foi criada em 2009 e foi mostrada ao público uma única vez.

A documentação pode ser vista nesse vídeo:

 

Título: Bottled Chat: Um Casal Perfeito
Técnica: projeção de vídeo em duas garrafas de vinho
Ano de realização: 2009
Vídeo: de-erre, casal em crise, 4minutos
Atores: Thais de Almeida Prado e Marcus Bastos
Assistência: Paloma Oliveira
Agradecimentos: Larissa Alves e Luciana Tognon

Re-encenação a partir de trecho de Un Couple Parfait, de Nobohiro Suwa, 1995.

 

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Seeking Silicon Valley – Zero1 Biennial

Under the theme Seeking Silicon Valley, the 2012 ZERO1 Biennial features work by local, national, and international contemporary artists whose work will transform Silicon Valley into an epicenter for innovative art production and public experience.

My participation at Zero1 Biennial happened with an installation called Obsolescence Trimmer, commissioned by the organizers.

The piece is based on a newer version of the installation Mobile Crash (2010) – initially conceived as an immersive audiovisual system (Honorary Mention at Ars Electronica 2010) which is now being updated to employ new ways of reading data and measuring signals in a given environment.

 

A computer algorithm picks the video sequences among the hundreds of short clips available. The rhythmic rate of the clips played vary according to a sensor (actually a cell phone detector) measuring electromagnetic fields in the environment, such as mobile phone calls.

Such invisible signals are the sources for leading the inputs, triggering the system to progressively display the sound and visual sequences in a mash-up style, which can be experienced in real time by the audience.

Similarly to the machine Das Coisas Quebradas (commissioned for the Tecnofagia – Mostra 3M) the installation presented at Seeking Silicon Valley Zero1 Biennial aims to produce an ironic comment about obsolescence issues on the use of technological trends, as the more we consume and use them, the more it renders obsolescence.

 above photo by Karina Smigla-Bobinski

info:

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artist: lucas bambozzi

technologial development: Radames Ajna

assistance: Paloma Oliveira and Lucas Gervilla

hardware: customized electromagnetic fields / cell phone detector

Arduino board, macmini

software: Processing

video footage: 240 short clips

local setup: videoprojection and sound

 

 

 

 

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Das Coisas Quebradas

Entre autonomia e fluxo de comunicação :: a rede das coisas quebradas

A instalação “Das coisas quebradas”, trata do fluxo de comunicação que nos rodeia e de sua potencial transformação em dejetos. Somos usuários de um sistema em teste contínuo, que jamais estará pronto. Utilizamos hardwares disfuncionais e nos deixamos regular por redes que cada vez mais avançam sobre nossas vidas. A onipresença da comunicação aumenta e passamos a ser agentes, operadores e reféns desse fluxo. “Das coisas quebradas” é uma máquina autônoma, que toma suas decisões a partir da intensidade dos campos eletromagnéticos que pairam sobre nós. É a simulação física de um mecanismo contínuo, que opera entre as redes e o mundo real, onde a autonomia eventualmente caduca, os princípios se mostram obsoletos e percebemos que estamos na era da Internet das coisas quebradas.

Das Coisas Quebradas é uma instalação-maquina cuja autonomia se vale dos fluxos eletromagnéticos existentes no espaço onde ela é instalada. De forma insistente, dramática e irônica (se essas podem ser qualidades de uma máquina), ela repete a ação de esmagamento de celulares obsoletos ou cujo uso já não é mais desejado.

O projeto converte o espaço informacional que nos rodeia em um sistema “objetificado”, que representa um processo geralmente invisível, de transfor- mação de dados em inutilidade. A máquina tem como input as variações de leitura dos sinais que circulam no espaço aéreo (sinais de Radiofrequencia RF, ou campos/ondas conhecidas como Extreme Low Frequency ELF ou Electric Magnetic Fields), cuja saturação em determinados ambientes pode ser preocupante em vários aspectos.

A partir desses dados, o sistema se acelera e executa movimentos que culminam com uma ação destrutiva dos aparelhos estocados na máquina (ou dispensados pelo usuário), o que para muitos pode representar uma espécie de acerto de contas com o consumismo associado às tecnologias que observamos hoje.

 

Em seu conjunto de relações, o projeto sugere um pensamento crítico a partir de uma condição onde todos são veem responsáveis pela que ocorre nos espaços de circulação pública. Seu funcionamento leva em consideração um fluxo de informação que é produzido coletivamente, em interações entre o público e o sistema que vão além da interatividade imediatista comum à maioria dos projetos de arte digital

Das Coisas Quebradas busca dar conta de determinadas questões reincidentes na obra do artista, tais como: a instabilidade das mídias, as oscilações de linguagem percebidas nos meios de produção técnica de imagem, o caráter anacrônico dos meios audiovisuais em tempos de portabilidade, o con- sumismo e o fetiche ligado aos sistemas tecnológicos. O projeto dá continuidade de certo modo às pesquisas presentes no projeto Mobile Crash (performance audiovisual e instalação interativa), que comenta a constante (e crescente) obsolescência típica das mídias móveis recentes.

A leitura que o sistema faz do espaço aéreo é emblemática, associando por um lado os dispositivos da comunicação interpessoal à produção de obsolescência, mas sobretudo questionando a respon- sabilidade de cada um na formação e sustentabilidade dos chamados ambientes informacionais.

Funcionamento

Um tubo de acrílico com cerca de 2 metros de altura contém centenas de celulares e outros aparelhos de pequeno porte em desuso. Embaixo há uma abertura, uma pequena porta que abre segundo uma rotina que parece pré-definida. Um dispositivo age sobre essa portinhola, que ao abrir, deixa passar a cada momento, um aparelho celular, que cai num nicho que fica sob o alvo de uma grande morsa mecânica.

O sistema tem um ritmo lento e que causa curiosidade. Vários módulos aparecem integrados, explicitando a precisão precária dos movimentos: o mecanismo que empurra e dispensa os celulares, as engrenagens e correntes acionadas pelo motor que move a morsa hidráulica, um nicho de escoamento do material dilacerado. A lentidão obedece a padrões dinâmicos: em um fluxo de visita normal, apenas a cada 3 horas acontece o esmagamento de um dos aparelhos dispensados pelo funil. A partir da leitura do campo eletromagnético no espaço, caso haja um fluxo in- tenso, o sistema se acelera a ponto de aumentar para cerca de 30 aparelhos a cada 6 horas. Caso não hajam conversas ou uso de celular no ambiente, o sistema se detém, operando em ‘slowmotion’.

A cena parece interessante em meio aos destroços dos aparelhos – para muitos, é primeira vez que se vê as entranhas desses aparatos. Ao lado da traquitana, um monitor LCD mostra um gráfico, que mesmo parecendo abstrato à primeira vista, expõe o fluxo das ondas eletromagnéticas no ambiente, nos informando sobre a interação que ocorre no sistema. Uma série de outras informações relativas à leitura da densidade da potência no ambiente (milliwatts por metro quadrado – mw/m2) são escritas na tela, nos permitindo entender o que acontece entre as medições e o funcionamento da máquina.

Através desse componente digital da máquina, podemos saber por exemplo, qual foi o pico dos sinais nos últimos minutos, quando o sistema iniciou as operações e há quanto tempo está em funciona- mento. A idéia é que o sistema ofereça informações detalhadas, como o tempo decorrido desde que foi destruído o último celular, bem como quando vai ocorrer a destruição do próximo. Todo esse conjunto de informações faz parte da intenção de tornar visível algo que não apenas circula na forma de onda, mas que geralmente nos é omitido (numa tentativa de “clareamento” das caixas pretas, como diria Vilem Flusser) visando a abertura de sistemas fechados, que permanecem como herméticos ou como tabus quando se menciona radiofrequência produzida por roteadores, celulares e outros sistemas largamente utilizados à nossa volta.

Como forma de pontuar os eventos e as ações disparadas no espaço, o som relativo ao aumento das intensidades de sinal eletromagnético, bem como a própria ação de esmagamento produzida pela morsa, é amplificado através de um circuito de áudio, que deve envolver um mi- crofone direcional para a captação dos ruídos produzidos durante o esmagamento, bem como pela transformação dos dados visualizados nos gráficos em pulsos sonoros.

Uma série de evidencias (ver links e referências ao final do projeto) nos faz acreditar que o ritual da morsa hidráulica quebrando cada aparelho é algo esperado, desejado por um público que guarda sentimentos ambíguos e contraditórios com relação ao uso de determinadas tecnologias.

O fluxo de comunicação aumenta e passamos a ser responsáveis por esse fluxo. É o espaço que nos rodeia, permeado de consumo, de va- lores, de ideologias, de informação privada circulando em espaço público. Se não nos sentimos ainda responsáveis, deveríamos começar a pensar mais nisso tudo. Os dejetos se acomodam, o lixo desaparece de nossas vistas, quase tudo parece esvair. Até que um novo estrondo ocorra, e percebemos que o incômodo permanece.

 

documentação em vídeo:

 

ficha técnica:

 

Das coisas quebradas, 2012

Máquina de consolidação de obsolescência a partir de campos eletromagnéticos)

 

concepção: Lucas Bambozzi

desenvolvimento tecnológico: Radamés Ajna

montagem e mecânica: Leonardo Ceolin

apoio técnico: Guima San

assistência e produção: Luciana Tognon

> projeto comissionado pela Mostra 3M de Arte Digital

 

ver também página do projeto:  http://www.lucasbambozzi.net/index.php/projetosprojects/das-coisas-quebradas

 

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MAM – Bahia

[do blog do MAM-BA]

Museu de Arte Moderna da Bahia exibe, de 01 a 11 de dezembro, em ocasião da quarta etapa do projeto Networked Hack Lab, a instalação Pêndulo, do premiado videoartista Lucas Bambozzi. O Pêndulo foi montado pela primeira vez em 2005 no Centro Cultural Banco do Brasil, de São Paulo e recentemente no México. A obra é um objeto suspenso em forma de pêndulo que projeta imagens de acordo com os ruídos do ambiente. Na versão planejada para Salvador, as imagens projetadas representam situações locais.

Um dos principais expoentes da vídeoarte no Brasil, Bambozzi é o criador e curador do Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis e do Vivo arte.mov, que acontece desde 2006 em diversas capitais do País. A abertura da exposição acontece no dia 30 de novembro, às 20h.

fotos e registros da etapa anterior, em Cachoeira:

http://www.flickr.com/groups/hacklabbahia/

 

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Finalista, agora premiado!

Lucas Bambozzi é artista premiado na categoria meio de carreira.

Em cerimônia realizada no Museu da Imagem do Som de São Paulo (MIS_SP), em 3 de outubro, foram anunciados os artistas contemplados pelo 9º Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia. Com curadoria de Giselle Beiguelman, esta edição distribuiu 4 Prêmios para artistas em Início de Carreira e 2 Prêmios para artistas em Meio de Carreira.

Os participantes em Início e Meio de Carreira foram selecionados a partir de 352 portfólios inscritos entre maio e agosto de 2011. Os portfólios foram submetidos à duas comissões que elegeram por unanimidade 12 finalistas e, entre eles, os 6 artistas contemplados. Adriana Amaral (RS), Clarissa Diniz (PE), Eduardo Jesus (MG), Marcos Boffa (SP) e Priscila Farias (SP), integraram a Comissão de Seleção; Claudia Assef (SP), Cícero Silva (SP), Ivana Bentes (RJ), Tadeu Chiarelli (SP) e Tiago Mesquita (SP), formaram a Comissão de Premiação [+ info no site do Instituto Sergio Motta]

baixe o catálogo aqui! [portuguese with english texts]

Comentário colateral:

É a segunda vez que sou contemplado com o prêmio. A primeira foi em 2003, quando o ISM oferecia bolsas para a realização de projetos. Naquela ocasião o Prêmio foi viabilizador da instalação e do DVD-Rom O Tempo Não Recuperado.

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Mobile Crash recebe Menção Honrosa no Ars Eletronica

A instalação interativa Mobile Crash recebe Menção Honrosa no evento mais importante do mundo dedicado às chamadas novas mídias. Sediado em Linz, na Áustria o Ars Eletronica distribui prêmios e distinções anuais.

Mobile Crash ainda não foi apresentado no Brasil, mas apenas na exposição Geografias Celulares, em suas edições na Argentina e Peru.

Receber esta distinção é mesmo um incentivo a continuar produzindo instalações dessa natureza, que exigem ajustes e cuidados bastante complexos na sua montagem, algo nem sempre bem visto pelas instituições ou espaços expositivos que se dispõem a abrigar projetos envolvendo interatividade. Mobile Crash foi desenvolvido com a ajuda de Ricardo Palimieri, Roger Sodré, Paloma Oliveira e Lucas Gervilla, emprega software livre (Ubuntu, Pure Data, e openFrameworks) e é uma sistema robusto: em seus 3 meses de exibição na Argentina e quase 4 em Lima, não houve notícia de problemas técnicos ou definciência no funcionamento.

O ambiente criado pelas 4 projeções em grande escala, pelo detector de vetores e pelos ruídos disparados a partir das interações cria um conjunto envolvente, que incita uma participação ‘aditiva’ que tem se mostrado catártica e ao mesmo tempo aponta para um pensamento mais crítico com relação ao consumo e à obsolescência de aparatos tecnológicos nos dias de hoje.

Enquanto o projeto não é mostrado por aqui, vamos preparando sua exibição em pelo menos duas exposições na Europa neste ano: no ISEA na Alemanha e em mostra justo ao próprio Ars Eletronica.

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Veja a lista dos demais premiados no Ars Eletronica aqui:

Mais informações sobreo  Mobile Crash nos seguintes links, a partir deste blog:

Descrição do projeto, vídeos e ficha técnica:

http://lucasbambozzi.net/projetosprojects/mobile-crash/

http://vimeo.com/10054233

http://vimeo.com/10053739

Geografias Celulares no Peru

http://lucasbambozzi.net/2010/02/27/mobile-crash-em-lima-peru/

Artigos na imprensa entre Argentina e Peru

http://lucasbambozzi.net/2009/11/22/los-mapas-del-futuro-desde-argentina/

http://elcomercio.pe/noticia/462399/se-puede-hacer-arte-celular

http://centro.fundaciontelefonica.org.pe/geo_celulares_intro.htm

Comentário de Lorea Iglesias @ Mobile Art blog

http://artismobile.wordpress.com/2010/05/23/mobile-crash-creacion-destructiva/