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DO TETO INVISÍVEL NO CCBB

INSTALAÇÃO

palavras-chave: rede . visibilidade . campos eletromagnéticos . meta-identidade . interação . espaço físico . ondas hertzianas . instabilidade . campos invisíveis

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O projeto busca formas de ver o uso de aparelhos celulares em atividades em espaços de circulação e as intensidades de fluxos invisíveis ao nosso olhar. A rede que se forma no espaço aéreo é uma forma de ver esses campos que nos rodeiam, e que de alguma forma influenciam nossos corpos.

 

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A vingança é uma espécie de justiça selvagem

Série de fotos, vídeo e futura instalação.

arvore curva pacaembu

arvore interior cropada

arvores parque-Rover-1

No verão em São Paulo, em dias de muita chuva acontece de algumas árvores caírem. Isso causa um certo tumulto no trânsito. Os motoristas, que acreditam que a cidade foi feita para os carros e não para as árvores, blasfemam contra o absurdo de uma árvore impedir o trânsito. Sem lugar em meio a tanto concreto, sem espaço para fixarem suas raízes, estressadas pela cidade tão absurda, vemos algumas dessas árvores tomando os carros como reféns.

Fotos: dimensões: 80 x 60cm, 50 x 60cm, 80 x 60cm

moldura em madeira pintada de preto, perfil 2.5cm x 4cm, com baguete de 1cm de espessura, vidro de 2mm, estrutura traseira com parafusos, fundo em poliondas e pendurador tipo trilho.

* o título da série replica uma frase célebre de Francis Bacon (1561-1626)

Travessias, na Maré

Gravação de Multitude, versão Maré.

local: Rua Bittencourt Sampaio, em frente ao Galpão Maré

photo (1)

Screen Shot 2013-03-21 at 6.33.08 PM

 

descrição da cena

Início de noite na rua. Um pequeno grupo se forma. São umas 15 pessoas, talvez passantes, pessoas que trabalham na rua e se juntam, olhando em direção à câmera. São pessoas do bairro, estão à vontade no ambiente. Eles estranham a câmera ou o que ela faz ali, o que ela representa, mas sem maiores alvoroços. Essa pequena movimentação atrai outros passantes, e mais pessoas se juntam ao grupo, até formarem uma pequena multidão. Em menos de 2 minutos temos umas 50 pessoas, tentando entender o que se passa diante delas.

Aos poucos, alguns se sobressaem, dão um meio passo à frente, e encaram a câmera de forma um pouco mais inquisitiva, como se perguntassem, “o que vocês estão fazendo aqui?”. Ainda não há perguntas, apenas olhares e expressões que nos mostram: eles estão em casa, à vontade. Mas parece que a câmera [ou todos nós, que estamos atrás dela], incomodam os que estão ali. Eles tem a consciência de que são um grupo, trocam olhares, gesticulam, falam entre si, e nos encaram mais de frente, de forma cada vez mais interrogativa. Apesar de parecerem nos intimidar, não avançam em direção à câmera, percebemos talvez, no máximo, um passo a mais em nossa direção.

Em um momento, vemos três ou quatro deles se exaltarem. Parecem dizer algo, parecem gritar, quase ameaçador, ficam nervosos. Talvez não nos queiram mesmo ali.

Há uma dúvida sobre o que acontece, entre eles e entre nós. Olham para o fundo, acima da câmera. Persiste um olhar interrogativo, desconfiado e desafiador. Sentimos a cumplicidade entre eles. Em um momento estão sérios, em outros riem do que estão vendo. Percebemos essas oscilações. É isso o que vemos, mesmo que não seja visível.

Após algum tempo, alguns convidam outros para irem embora. Alguns puxam outros, estreitando a cumplicidade. Aos poucos, eles vão nos ignorando, mesmo que lancem olhares desconfiados para a câmera. E os grupos vão se desfazendo, a multidão se dispersa. Até que tudo recomeça.

 

projeção

_parede de projeção preta de 8.5 metros de largura, no andar de cima (mezanino) do Galpão Maré. em espaço parcialmente escurecido.

_2 projetores (4:3 nativos) com mínimo de 3.5mil ANSI lumens cada (projetores iguais com a mesma duração das lâmpadas).

 

dados para exposição

 

Título: Multidão [Complexo]

Ano de produção: 2013

Técnica: projeção em vídeo sobre parede pintada de preto

Dimensões da projeção/parede: 8.5m L x 3m A

Projeto viabilizado pela exposição Travessias 2 – Maré

 

Especulação [video-objeto]

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Título: Demolição (provisório)
Ano de produção: 2013
Técnica: projeção em vídeo sobre objeto.

As imagens mostram o dia-a-dia de uma demolição, a desconfiguração da construção e os vestígios que vão restando.
Dimensões da superfície: 30cm P x 17cm L x 14cm A
Conteúdo do vídeo: vídeo em loop com cerca de 4 minutos, exibido de forma continua, com som
Equipamentos que acompanham o trabalho: media-player HD com pico-projetor LED, AC adapter 120-240v.

[vimeo: 61010488]

https://vimeo.com/62176737

 

 

Sobre Das Coisas Quebradas

Entrevista de Lucas Bambozzi a Giselle Beiguelman a respeito da participação de DAS COISAS QUEBRADAS na exposição Tecnofagias – Mostra 3M de Arte Digital (agosto/setembro de 2012)

Giselle Beiguelman: Como você relaciona a obra que expõe na Mostra Tecnofagias com o conjunto da sua obra? (Você diria que ela dá continuidade a questões presentes em outros projetos? Quais? Ou esse é um projeto particu- lar ou que marca uma novo direcionamento em seu trabalho?)

Lucas Bambozzi: O projeto “Das Coisas Quebradas”, é de fato a continuidade de um ou mais projetos anteriores – sendo um deles a instalação Mobile Crash (2010 – que obteve menção honrosa no Ars Electronica 2010). Executar o desdobramento dos trabalhos que o antecedem é uma oportunidade de aprofundar em tecnologias e questões que permeiam um percurso anterior — e são exemplares as curadorias que não apenas dão atenção a esse processo mas disparam novas possibilidades.

Me parece que alguns projetos demandam essa continuidade, como se não se resolvessem em uma única proposta. E acho também que, revendo um certo percurso, vejo que não persigo muitos temas, havendo um alinhamento de meus projetos entre uma meia dúzia de questões, que continuam a se renovar, em função das mídias que se en- trecruzam, dos ‘memes’ que se contaminam, da Internet que sai pra fora da rede e nos impacta em outros âmbitos. Mas também em função de uma necessidade pessoal de revisitação de questões, a partir de um amadurecimento diante dos temas. Algumas dessas questões são reincidentes e suas possíveis palavras-chave seriam: intimidade, sociabilidade, mediação, vigilância, controle, privacidade, precariedade, obsolescência, baixa resolução, engenharia reversa,

GB: A mostra deste ano tem como tema Tecnofagias; Ciência de Ponta/ Ciência de Garagem. Como você se posiciona em relação a essa abordagem? Como vê o seu trabalho nessa perspectiva?

LB: Poderia dizer que essa abordagem se cruza com alguns dos temas mencionados [pergunta anterior] que venho perseguindo, ou sendo vítima, de tempos em tempos. Na ambivalência entre ciência de ponta e ciência de garagem, sempre me afinei mais com as perspectivas de quem está dentro da garagem. Em tempos de euforia diante dos vídeos da alta resolução, permaneci buscando as estéticas associadas à baixa resolução. Diante das expectativa de alargamento das bandas de internet, segui buscando formas de uso das conexões mais lentas, em formas que demandariam menor tráfego. Diante do cinema 4k venho ainda acreditando na profusão de telas pequenas ou na redistribuição das bandas em canais que representem maior número de produtores.

Dentre outras intersecções que me ocorrem, entre o tema e minhas próprias conexões, lembro que em 2005 fui um dos organizadores do festival Digitofagia (http://digitofagia.midiatatica.info/), que propunha colocar foco na emergência desse contexto. Como dizia na época o saudoso pesquisador e tecnólogo autodidata, Ricardo Rosas (mentor do Digitofagia) as práticas endêmicas no Brasil incluem a precariedade, a gambiarra e a apropriação tecnológica.

Se até então Ricardo reclamava não haver uma teoria que contemplasse tais práxis, o tema Tecnofagias endossa o corpo de um pensamento hoje mais visível, que continua a crescer em pertinência.

GB: Com relação ao Brasil, você se definiria como um artista brasileiro, porque nasceu e/ou desenvolve seu trabalho no Brasil, ou porque identifica alguma característica em seu trabalho que o particulariza como tal? (Seja qual for sua resposta, esclareça sua posição).

LB: Sou brasileiro a ver o mundo dessa perspectiva peculiar, meio enviesada e meio de esguelha, precária às vezes, em vários aspectos. Não busco essa condição por estratégia, nem acho que há arquétipos desta natureza no que faço. Mas a sensação de estar à margem me é familiar, está de fato presente, independente das teorias. E já ficou muito atrás o tempo em que evitava tal caracterização.

Por outro lado, cheguei a iniciar trabalhos fora do país que a princípio não tinham uma relação com uma condição associada o Brasil. Mas em algum momento as abordagens acabam se aproximando, tendo temas ou estéticas como atratores. Ou se aproximam os contextos, tendo em vista os deslocamentos culturais ou os efeitos da globalização.

 

[vimeo 82631949]

[vimeo 71116914]

 

LABMOVEL

Labmovel é um projeto de criação e difusão de trabalhos em várias mídias, em ações que se deslocam pela cidade.

A ideia é trabalhar com mídias móveis em residências de arte, workshops e eventos culturais. Em função de seu caráter nômade, o programa proporciona ambientes temporários, que despertem a curiosidade e maior acesso a situações fora do eixo institucional, favorecendo um cruzamento de origens culturais, sociais e econômicas diversas. A mediação desempenha um papel crucial na interação entre esta estrutura e seu público.

Na foto, os artistas Sander Veenhof (Holanda) e VJ Pixel (SP) em trabalho no centro de São Paulo, na região da Biblioteca Mario de Andrade, onde foi criada uma forma de narrativa a partir de textos inseridos em um sistema de Realidade Aumentada. Esse primeiro projeto do Labmovel foi uma parceria entre o NIMK (Holanda) e o Vivo arte.mov.

Mais informações sobre o Labmovel aqui.

As oficinas já realizadas abordam computação física, desenvolvimento de interações a partir de Arduino e Processing, construção de veículos DIY, videomapping, grafite eletroíonico, e outras formas de uso da tecnologia em espaço público de forma lúdica e descomplicada. A oficina #2, ministrada por Mateus Knelsen utiliza carrinhos de rolimã como plataforma para desenvolvimento de sistemas de transmissão audiovisual de curto alcance. [eflyer abaixo]