Coisa Vista [operações aditivas] . 2011

Coisa Vista [operações aditivas] é uma instalação que busca a criação de uma série de situações de processamento de áudio e vídeo em tempo real tendendo à produção de resultados imprevistos e/ou caóticos. O ponto principal reside na reprodução de uma base sonora em um processo contínuo de inclusão do ruído sonoro captado no entorno do ambiente onde ela é ouvida. Como as imagens são basicamente textos, os inputs podem resultar na impossibilidade de leitura, de forma que a vontade de leitura acaba por requerer um comportamento coletivo que o permita.

Funcionamento

Um sistema de captura e processamento de áudio em tempo real (que executa regras ou algoritmos pré-definidos) gera um processo de adição indefinido, distanciando a fonte original dos momentos subseqüentes, fazendo com que a música passe a incorporar ruídos, comentários, reverberações, intervenções voluntárias e involuntárias.

Trata-se de um modelo generativo que desencadeia a continuidade de inputs sonoros iniciais simples mas que se tornam complexos a partir da soma e sobreposição de elementos desconexos ou de padrões desestabilizadores. De modo análogo, a repetição de sons ou freqüências pré-definidas no ambiente acabam por criar padrões que tendem a sugerir formas orgânicas, uma vez que estas se somam às existentes, num processo de reprocessamento contínuo.

O processamento do áudio de Operações Aditivas implica na interferência visual (por recurso de aceleração da velocidade inicial) em um vídeo que reproduz os textos:

“Não compreendo o que vi.

E nem mesmo sei se vi,

já que meus olhos

terminaram não se diferenciando

da coisa vista.”

Clarice Lispector (Paixao Segundo GH)

.

“O essencial é saber ver

Saber ver sem estar a pensar,

Saber ver quando se vê

E nem pensar quando se vê

Nem ver quando se pensa.”

Alberto Caeiro (F. Pessoa)

Outros texto distintos, ligados à fugacidade da visão e da atenção, são adicionados em pertinência com o contexto onde o trabalho é montado.

Coisa Vista foi apresentada pela primeira vez na exposição ECO, em Recife, com curadoria de Maria Duda Belem e Lucia Padilha.

Ficha técnica do trabalho:

Desenvolvimento tecnológico: Equipe Amarela (Matheus Knelsen, Lina Lopes, Paloma Oliveira, Caio Bonvenuto).

Assistencia e desenho sonoro: Caio Bonvenuto

videodocumentação da exposição

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