VISUALISMO [ARTE, TECNOLOGIA E CIDADE]

A primeira edição do Visualismo – Arte, Tecnologia e Cidade, aconteceu no Rio de Janeiro, em três etapas ao longo de 2015. A última etapa do ano foi entre 6 e 12 de setembro, em uma espécie de festival com 26 trabalhos apresentados em forma de projeção de vídeo em larga escala em espaço públicos (Parque Madureira, Central do Brasil e alguns prédios da Praça Mauá). É um projeto que trata das especificidades do contexto urbano, em ações para além da lógica dos espaços institucionais.

Fui convidado para fazer a curadoria dessa primeira edição, o que foi se mostrando um trabalho bastante amplo, envolvendo formatação de seminário, laboratórios de criação, acompanhamento de artistas, etc, em muitos processos de decisão, escolha (re)planejamentos e constante pesquisa. Tudo feito com muito prazer, com uma equipe incrível.

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VISUALISMO, SENSAÇÕES VISUAIS NA CIDADE
O espaço não é um dado fixo. Ele é moldado pelo uso. Que espaço é esse?

VISUALISMO coloca foco em manifestações artísticas que articulam novas sintaxes audiovisuais e se lançam para espaços abertos, adotando como suporte um pouco da imaterialidade da imagem em movimento, um pouco da arquitetura urbana, um pouco de uma arte em consonância com as tensões da cidade.

São experiências que refletem o uso expressivo de novas técnicas, afirmando formatos em processo, afetados por softwares de áudio e vídeo, pelas mudanças nas tecnologias de projeção de imagens em movimento, por possibilidades de articulação de tempo-espaço ainda em desenvolvimento,pelo diálogo com linguagens heterogêneas, estabelecidas ou não.Falamos de linguagens que não cabem dentro do esperado, que demandam uma nova atenção ao espaço à nossa volta,a partir da emergência de formatos que questionam a rigidez do acontecimento da obra em seus suportes ou ‘palcos’pré-definidos.

Pensamos na praça, na projeção ao ar livre, no prédio abandonado, nos habitantes em deriva, na heterogeneidade do centro da cidade, na tensão entre ideologias,na possibilidade de entendimento a partir de campos simbólicos abertos a interpretações,talvez menos dicotômicas.

Pensamos em zonas de intersecção, permeadas por pensamentos híbridos, quedariam novo vigor a uma configuração visual,entre arquitetura e imagem, que dariam conta de formatos que nem sempre se encaixam em estruturas previamente dadas.

VISUALISMO dá as boas-vindas a novos cinemas, a outras possibilidades de uma mesma essência cinemática. Antevê projetos experimentais que envolvemo suporte incerto como desafio, como parte da obra, e dá visibilidade ao espaço coletivo em que a obra acontece, em iniciativas que levam em consideração a realidade social de seu entorno.

VISUALISMO entende a cultura digital de nosso presente como um campo onde parece possível retomar modelos sinestésicos de percepção, potencializando os sentidos, brincando com seus cruzamentos, fazendo fluir mais livremente as linguagens que reverberam entre o corpo e o ambiente coletivo.

É isso: VISUALISMO aposta no ‘entre’ uma vez mais: entre a arte contemporânea e o cinema na praça, entre a tela limpa e aquela carregada de história, entre a convenção do espaço e o uso que se faz dele.

Lucas Bambozzi [curador – Visualismo]

mais: www.visualismo.com.br

 

Multidão na Bienal WRO

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O projeto MULTIDÃO está em exibição na WRO Media Art Biennale.

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MULTITUDE

Lucas Bambozzi (BR)
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project supported by Adam Mickiewicz Institute

Multitude deals with fear related to the unknown and the rise and fall of the sense of collectivity. The site- and context-related project for large screens depicts the conflict between high and low culture, the individual versus the collective and offers an insight into the individual’s condition as interactor in the field of art and technology.

The WRO Media Art Biennale is the major forum for new media art in Poland, and one of the leading international art events in Central Europe. Since its inception in 1989, WRO has been presenting art forms created using new media for artistic expression and communication, exploring current creative territories and building a critical perspective toward emerging issues in art, technology and society.

Over the years, the WRO Biennales have raised a variety of questions about creative approaches to new technologies and the creative crossover realms that arise where art and science, economics and social activism intersect.

 

The WRO Biennale is organized by the WRO Media Art Center Foundation and WRO Art Center.

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ÚLTIMO SUSPIRO [Exposição Adrenalina]

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Último Suspiro é uma instalação criada para exposição Adrenalina, no Redbull Station a partir de uma montagem anterior. Montada no subsolo do espaço expositivo a instalação é composta por um conjunto de 9 TVs que pulsam ruídos visuais e sonoros, de forma ritmada – como uma imagem “entranhada”, efeito colateral de sua condição eletrônica pré-digital. Retrato de precariedades e da obsolescência voraz nas tecnologias de imagens, emitem um “último suspiro” de raio catódico. Há algo de incômodo nesse refluxo, talvez por sermos testemunhas de uma arqueologia que opera em nosso presente (Para onde vão as coisas que não queremos mais?). Percebemos que algo ainda acontece nesse arsenal sucateado, enxerga-se um faiscar elétrico, as telas emitem lampejos, ouve-se uma pequena descarga, um possível curto-circuito, um último lampejar. O projeto foi pensado a partir da obra Curto-Circuito, criada originalmente para a exposição Sistemas Ecos (Praça Vitor Civita, 2014).

Sobre a exposição:

Exposição: Adrenalina, A Imagem em Movimento no Século XXI

RedBull Station – 14 de março a 5 de maio de 2015 . São Paulo

Curadoria: Fernando Velázquez

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Vídeo sobre a exposição com depoimentos de F. Velázquez, L. Bambozzi e H. Roscoe: http://redbullstation.com.br/adrenalina-video/

Equipe original do trabalho:

criação: Lucas Bambozzi

produção: Larissa Alves

desenvolvimento e cenografia: Leo Ceolin

versão original criada para a exposição Sistemas Ecos (2014), com curadoria de Sonia Guggisberg. Informações adicionais sobre esta exposição aqui.

COISA LIDA [SP_Urban]

Coisa Lida é um projeto que executa uma série de frases a partir de determinados parâmetros, comprometendo ou proporcionando a leitura de suas mensagens.

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Coisa Lida responde em tempo real aos estímulos visuais e sonoros dos arredores. De acordo com os sons e imagens captados na Avenida Paulista, palavras de poesias pré-selecionadas aparecem no vídeo, em ritmo inconstante.

Na intenção de transformar em imagens a aceleração e os fluxos locais, o projeto envolve um sistema de detecção de movimentos a partir de um Kinect instalado no Mirante da Al. das Flores, em frente ao edifício Fiesp/Sesi, que “enxerga” o fluxo de carros na Av. Paulista e tornam o fluxo de poemas uma espécie de comentário do próprio ambiente.

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POEMAS E TEXTOS UTILIZADOS

ALBERTO CAEIRO

FRASE DE JOÃOZITO PEREIRA [APUD PAUL VIRILIO]

EXTRATO DE TEXTO DE PIERRE CLASTRES

POEMA DE CAMILA NUÑEZ MUITAS

FRASE DE OSCAR WILDE

TRECHO DE A PAIXÃO SEGUNDO G.H. DE CLARICE LISPECTOR

 

FICHA TÉCNICA

Tecnologia: Edgar Zanella

Colaboração [AfterFX]: Lu Nunes

Curadoria: Marília Pasculli e Tania Toft

Veja a página do projeto aqui: http://www.lucasbambozzi.net/projetosprojects/coisa-lida-sp_urban

 

O dissenso em 3 ou 4 casos

Do constrangimento como meio de desarticulação social

Texto escrito em abril de 2013, por ocasião da exposição Poética do Dissenso, na Mostra O Abrigo e o Terreno, que abriu o Museu MAR, no Rio de Janeiro.

noname-2   Região central do Rio de Janeiro (foto de Rogerio Borovik)

 

 

Caso1:

Então o/a artista se vê finalmente dentro do sistema. Ele/ela tem consciência do feito, de que esse degrau na ascensão de sua reputação entre seus pares, tem um certo preço. Sabendo o que isso representa, ele/ela talvez não tenha a noção, ainda, de que deu um passo em direção a um ambiente ou patamar onde as estabilidades são mais relativas e frágeis. Ele/ela lamenta, pois justo “na sua vez”, há barulho, vozes e vaias lá fora… Há uma falta de consenso, aparentemente inexplicável para o caso. Nesse momento, algo então age sobre esse estado de euforia, que faz com que, de repente, atue como um puxar de rédeas, como um freio brusco em suas pretensões. Esse algo talvez seja constrangimento. Ele/ela percebe que aquilo não tem o sabor que esperava ter. É amargo, pode durar pouco. É contraditório. E seus pares já não estão por perto. Pode não mais conseguir ‘voltar pra casa’. Ouve vaias, agora internas talvez, percebe o cochichar perverso de uma turma da qual não pertence, e no meio – talvez apenas a entrada – desse suposto salão de glórias, perde o caminhar, e permanece estático.

 

Certas situações são constrangedoras. Todos sabemos ou já sentimos o que pode ser isso. O constrangimento pode ser um conflito interno, uma oscilação moral, uma dúvida que confronta uma certeza tida como autêntica. Vilém Flusser comenta que a dúvida, como exercício intelectual, é o berço da pesquisa, um estímulo ao pensamento, “mas como experiência moral, é uma tortura, o fim de todo conhecimento” (Flusser, 2011)[1]. Esse é o risco: a dúvida, aniquilando a convicção e a determinação, paralisa.

Mas é preciso questionar o consenso que nos sussurram. É preciso se revirar com a contradição. E entender o conjunto de sensações advindas do constrangimento através do viés político é um exercício complexo. Entre nós, integrantes do coletivo Cobaia, buscamos debater essas paralisias e dicotomias improdutivas, desde a formação do grupo, em 2004. As ações ligadas à reintegração de posse do Edifício Prestes Maia (2004-2006), e que levou a uma colaboração entre artistas e movimentos sociais populares como o MSTC – Movimento dos Sem Teto do Centro, evidenciava alguns desses constrangimentos políticos, que escapam da vergonha individual e vazam para um coletivo em grande escala.

Ali, um prédio simbolizando as contradições urbanas e acirramentos da especulação imobiliária levou a questionamentos em torno do funcionamento do sistema da arte, da política, da mídia e da vida urbana e pública. O que nos movia eram urgências, e não uma estratégia artística de inserção no circuito da arte atenta à política. Mas vieram curadores, buscaram casos, especularam estéticas, levaram imagens, tomaram conceitos emprestados.

Esse constrangimento veio acompanhado da lisura, da validade ou da pertinência do “fazer arte” para tal situação específica. Para quem e como essa arte seria produzida? Para os moradores do edifício? (eles estariam desejando isso de fato?) Para a situação midiática que se apresentava? Como forma de aproveitar a visibilidade obtida com a situação? O que fazer de efetivo, para além da arte, diante daquela realidade? De um modo ou de outro, muitas perguntas ficaram sem resposta. E quando o veredito do despejo foi dado, a despeito de toda luta, a despeito de toda arte, demonstrando a força avassaladora do lobby empresarial e da especulação imobiliária, quando as famílias se foram, a maioria para lugares muito distantes do centro, o que pairou em comum, como um silêncio apertado e seco, foi um grande constrangimento. Teríamos feito a coisa certa? Teríamos feito da melhor forma?

Assim, o constrangimento que surge de um sentimento interno, de um conflito de valores, adquire uma proporção social, às vezes gritante. E desarticula movimentos, divide potências, contradiz ações e acirra o desentendimento. Em muitos casos, a imposição da lei pode ser menos eficaz que o constrangimento. Numa sociedade disciplinar, as situações panópticas podem ser menos eficientes do que a indução ao constrangimento. Em seus efeitos colaterais e desvios, o constrangimento pode ser uma arma social apontada na direção errada.

 

 

noname-3Vista da região chamada de Porto Maravilha a partir do Museu MAR (foto de Rogerio Borovik)

 

Caso 2:

Então um grupo de senhoras da sociedade em São Paulo passou a se reunir em torno de uma causa comum: criar formas de barrar e desarticular um outro grupo, que havia passado a se reunir com preocupante frequência: suas próprias babás. As empregadoras criaram então o Gatb, Grupo Anti-Terrorismo de Babás, uma espécie de mutirão fechado. Argumentando sobre a necessidade de se protegerem da “petulância” das funcionárias reinventaram o que seria um sindicato patronal para trocar informações e dicas sobre como fazer em caso de “abuso de direitos” por parte das empregadas. Assim as reuniões de umas passaram a ter função controladora enquanto a de outras, controladas. Para estas últimas, reunir passou a ser ilegal, subversivo e arriscado. E assim passaram a ser consideradas “terroristas”.

Tendo o movimento divulgado pela mídia oficial, os leitores passaram a se afinar em particular com a facção das empregadoras supostamente oprimidas ou “lesadas” pelo direito de… direito (!) das empregadas.

No mundo online, as posições mais reacionárias ganham destaque em tom de valentia. Um leitor escreve:

 

“Eu sei o seguinte, se eu tivesse uma babá e uma delas fosse essa da reportagem, estaria na rua no dia seguinte. Se elas estão na pracinha de papo, não estão olhando meu filho. E segundo, aqui no Brasil virou moda nego sem formação querer ganhar bem… (anônimo).”

 

O que temos em comum, a ver com este texto, a ver com os editores deste site, com a continuidade de propostas que se fazem em torno de questões como essa que agora envolve o MAR? Algum constrangimento, talvez.

 

noname-1 Detalhes do entorno do Museu MAR (foto de Rogerio Borovik)

 

 

Caso 3:

O crítico de arte Sergio Bruno Martins em seu artigo, O MAR de cima a baixo[2], descreve a incerteza da política habitacional e urbanística da area que vem sendo conhecida como Porto Maravilha. Sergio aponta a ausência de debates minimamente aprofundados que possam sugerir alternativas à ocupação ou “revitalização” da região. Em um link para o Youtube que mostram um video institucional com renderings do que se planeja para a região, há uma revelação sintomática: em meio a cerca de 32 mil visualizações, há no momento apenas 16 comentários. Em sua maioria elogiosos, alguns denotam o pensamento típico associado à região:

 

Agostinho fernandes peres ‪‪4 days ago

Se for como está na maquet, será um porto fora de série, de país adiantado.

‪‪Rodrigo Araujo ‪‪1 month ago

vai fica muito lindo!!!!

TheJhFisher ‪‪2 months ago

(…) Espero que essa obra seja só o começo e a reurbanização se estenda para as outras regiões. A capital fluminense está cercada de favelas.

PEPE EL GRANDE ‪‪2 months ago

Achei ótimo o projeto… Mas e aquela nojeira e fedentina da rodoviária novo Rio e entornos?

sérgio júnior ‪‪2 months ago

Falou tudo.

Ernesto São Thiago ‪‪2 months ago

Maravilhoso.

 

Pois bem, há pouco dissenso aqui. Ouve-se, por mais que não acreditemos, uma opinião pública genericamente a favor de estratégias de limpeza urbana e social. Não há sequer cuidado da imprensa em utilizar essas palavras. Sabe-se que o museu Mar não está devidamente conectado ao seu entorno, mas sim ao poder que viabiliza sua gestão. E sabe-se o quanto os dispositivos culturais são, em todo o mundo, a porta de entrada para estratégias de “revitalização” que levam a cabo processos de gentrificação, sempre violentos, por definição, mas desejado por muitos que vem a cidade como mera paisagem. Nada de novo. Então refaçamos algumas perguntas:

Qual a função da arte para os habitantes e frequentadores da Praça XV ou Praça Mauá? No que eles estão interessados? (apontem por favor, alguma pesquisa consistente nesse sentido?) Ha alguma intervenção cabível nesse ambiente? A favor de quem que não seja o próprio artista ou coletivo? Quem quer a intervenção? Quem quer a arte, que arte se quer?

Questões como essas endossam uma premissa: é preciso ressignificar a relação entre artistas e movimentos sociais. Mesmo que as questões que envolvem a responsabilidade da arte para além da produção simbólica não produzam no momento reverberações relevantes há que se reinventar essas conexões. Pois os processos de legitimação de uma arte política já estão demasiadamente arraigados ao sistema da arte, como estratégia, como verniz. Hoje, um artista que evita a política pode ter maior reverberação política do que os tidos como “artivistas”.

As ambiguidades e contradições são muitas, mais do que dão conta as ações esboçadas. Se fossem outros curadores, cujo histórico e seriedade não conhecêssemos, poderíamos ter afirmado que o que houve foi cooptação simples e eficiente. O que aconteceu porém decorreu de uma tentativa de arranhar o sistema estando dentro dele. Por parte de muitos dos envolvidos, inclusive grupos e coletivos que deveriam ter assumido uma posição mais explícita, as tensões foram lançadas como adereço político, não como articulação transformadora.

Ser bem intencionado parece não bastar. Como agem os antídotos, as ações que arranham apenas superficialmente o mecanismo capitalista apenas o tornam mais forte. Segundo os pesquisadores canadenses Andrew Potter e Joseph Heath, em vez de funcionar como força de oposição à economia de mercado, a contracultura, o ativismo antiglobalização acaba sendo motor dela.[3] Segundo os autores “os símbolos da rebeldia não são apenas cooptados pelo ‘sistema’, mas impulsionam efetivamente o capital e seus poderes, gerando as novidades para a competição entre os consumidores” e o público ávido por novidades.

Novos conceitos na sociedade surgirão na medida em que os porta-vozes desses conceitos tiverem de fato voz ativa e comprometimento com as causas que seus artistas articulam.

 

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O cartaz com os dizeres “algumas coisas você nunca vai saber pela mídia’ foi criado pelo grupo Formigueiro em 2004 se estendeu a ações do grupo Cobaia nos anos seguintes. A foto acima, tirada no Edifício Prestes Maia, representa a inserção do grupo Cobaia junto ao coletivo Poética do Dissenso, que participa da Mostra O Abrigo e o Terreno no Museu MAR. (foto de Rogerio Borovik)

 

 

Caso 4:

Suponhamos um grupo formado por indivíduos capazes e ativos, porém insatisfeitos com a condição que lhes é dada. Falemos de um indivíduo estimulado pelo mercado, pela sua condição de consumidor ativo, pela sua participação nas redes sociais e fora delas. Suponhamos ainda este indivíduo como consciente de sua eventual capacidade de engajamento. Se essa pequena multidão tem dentro de sua constituição, algum poder da rebelião, se há uma potência de articulação latente ali, por que este grupo permanece ali, apático, à margem?

Talvez porque não perceba a urgência de uma ação, talvez porque pese sobre si a expiação de um pensamento que lhe foi entranhado pela educação servil, pelo que imagina de seu Deus ou religião, pela primeira comunhão que agora lhe é saudosa, pelo respeito ao pai direitista que já se foi, pelo que julgue antecipadamente proibido. Talvez nesse momento tão importante, sinta-se sozinho… Ou talvez hajam algumas urgências, em levar dinheiro pra casa, em assumir uma dívida, em cuidar do filho(a) pequeno(a) que chegou sem a estrutura ideal – e isso urge, de fato. Ou talvez também porque, ao perceber o olhar do outro, e sua dúvida oscilante, o indivíduo constituinte dessa multidão, sente que vai ser em vão, e negando toda tragédia, abdica finalmente de sua condição sísifica, e agora, diante desta normalidade que o acomete, ele/ela de seguir adiante, prefere não mais avançar. E assim, olha para os lados e abaixa a cabeça.

Sente então constrangimento. E não sabe o que fazer com isso.

Talvez haja um ponto onde as ambiguidades levantadas em debates como este que ocorre neste site, possam explicitar possibilidades efetivas e permitam ensejar novas perspectivas para antigas contradições. É o que se espera, apesar do constrangimento latente. Assim, em algum momento ou situação específica, essas práticas podem ganhar a contundência e o poder da transformação. Uma transformação necessária ao redimensionamento de processos culturais e de práticas artísticas correntes.

 

Lucas Bambozzi

Colaboração: Almir Almas e Rogério Borovik

[grupo COBAIA]

 

NOTAS:

[1] Flusser, Vilém, A Duvida, Anablume, 2011 (pgs 21-22)

 

[2] http://www.blogdoims.com.br/ims/o-mar-de-cima-a-baixo-–-por-sergio-martins/

 

[3] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1408200506.htm

 

 

FRESTAS TRIENAL DE ARTES

 

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O Fim do Sem Fim, trabalho de Lucas Bambozzi, Cao Guimarães e Beto Magalhães, participante na Trienal de Artes de Sorocaba. 

 

Curto Circuito [Último Suspiro] no Sistema ECOS

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Curto Circuito [Último Suspiro], 2014

de Lucas Bambozzi

Instalação com 30 TVs de tubo tipo CRT . obra site-speceific para o Sistema ECOS

Uma espécie de videowall abandonado, formado por TVs que pulsam uma imagem ‘entranhada’, efeito colateral de sua condição eletrônica pré-digital. Em estado de entropia com a natureza, emitem um “último suspiro” de raio catódico. Retrato de precariedades e da obsolescência voraz nas tecnologias de imagens, há algo de incômodo nesse refluxo, talvez por sermos testemunhas de uma arqueologia que opera em nosso presente.

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Em meio às árvores, notamos uma montanha de TVs de tubo, no solo da praça Victor Civita. Aparentemente sem funcionamento, parecem ali há algum tempo, como mais uma forma de descarte de material eletrônico. Mas as telas cintilam, como uma descarga de luz, um lampejo de imagens aprisionadas, em curto-circuito reincidente.

ver mais informação na página do projeto aqui

 

Equipe de criação:

criação: Lucas Bambozzi

produção: Larissa Alves

desenvolvimento e cenografia: Leo Ceolin

cenotecnia: Sergio Lippe

 

Mobile Crash no Singularidades / Anotações

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Alexandre Vogler, André Komatsu, Bárbara Wagner, Berna Reale, Cadu, Caio Reisewitz, Carla Zaccagnini, Cinthia Marcelle, Ducha, Fabrício Lopez, Gilbertto Prado, Gisela Motta & Leandro Lima, Grupo EmpreZa, João Castilho,Katia Maciel, Laerte Ramos, Lucas Bambozzi, Luiz Roque, Marcellvs L., Marcelo Moscheta, Marcius Galan, Marcone Moreira, Nicolás Robbio, Paulo Vivacqua, Raquel Kogan, Raquel Stolf, Rejane Cantoni & Leonardo Crescenti, Rodrigo Braga, Rodrigo Paglieri, Rommulo Vieira Conceição, Sara Ramo, Sofia Borges, Tatiana Blass, Thiago Martins de Melo, Vitor Cesar

Curadoria de Aracy Amaral, Paulo Miyada e Regina Silveira

Instituto Itaú Cultural
Avenida Paulista 149, Jardins, São Paulo
Ter a sex, 9-20h; sáb, dom e fer, 11-20h
Até 26 de outubro de 2014

 

_Título original: Mobile Crash v3: Obsolescence Trimmer
_Título sugerido: Mobile Crash v3: Anotador de Obsolescências
_Ano de produção: 2012 – 2014
_Técnica/formato de apresentação: imagens de celulares sendo destruídos a partir do campo eletromagnético gerado no ambiente.

A peça é a versão mais recente da instalação Mobile Crash (2010) – inicialmente concebida como um projeto audiovisual imersivo (Menção Honrosa no Ars Electronica 2010). Nesta versão a obra passa a envolver novas formas de leitura de dados e medição de sinais eletromagnéticos em um determinado ambiente.

Um algoritmo de computador escolhe as sequências de vídeo dentre centenas de pequenos clipes. A velocidade de reprodução dos clipes varia de um estado quase estático a uma velocidade normal, de acordo com a leitura de um sensor de campos eletromagnéticos (um detector de uso de telefone celular).

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Das Coisas Quebradas, máquina de consolidação de obsolescências está na exposição Gambiólogos 2.0. Até 18 de agosto de 2014, no Oi Futuro Belo Horizonte.

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+ sobre a exposição aqui

+ sobre a máquina aqui

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+ info:

http://neural.it/2013/10/das-coisas-quebradas-critical-and-destructive-machine-art/

 

 

Projeto Multitude

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O projeto Multitude parte da observação de que a última década consolida algumas transformações profundas nas relações sociais e de trabalho, caracterizando também um novo contexto cultural. A exposição no Sesc Pompeia aborda fenômenos distintos desse novo contexto, tendo em vista acontecimentos recentes como as manifestações de junho de 2013 no Brasil e que repercutem ao longo do ano de 2014 no Brasil (Copa do Mundo, eleições presidenciais e a realização de eventos normalizadores, o desentendimento entre facções da esquerda, a dissonância que contrasta pensamentos hegemônicos) fazendo reverberar o termo multidão para além do plano teórico e acadêmico. Caberia dizer que Multitude sugere um “chamamento” para novas formas de entendimento de um contexto histórico.

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A escolha do título do projeto se vale de uma base comum associada à palavra multitude (do latim: multitudin-, multitudo). Em função de sua raiz e origem anglo-latina, o termo se faz compreender globalmente em suas várias utilizações em inglês [multitude], espanhol [multitud], francês [multitudes] ou português [multidão/multitude]. Esse entendimento comum é o ponto de partida para se aferir as riquezas advindas da diferença, que se expressa no projeto como um todo, focalizando a atualidade de uma produção artística e cultural, tecnologias de medição e controle, patologias coletivas, singularidades, subjetividades e poéticas individuais que se sobressaem em meio à multidão. E muito mais por vir.

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O conceito de multidão tem sido objeto de pesquisa por parte de uma série de artistas. Me vi nesse processo mais nitidamente a partir de 2006, buscando projetos em afinidade eletiva com o tema, a partir da realização de uma instalação chamada Multidão montada no Sesc Pinheiros por ocasião da exposição Luz da Luz (curadoria de Ana Barros). Versões distintas desse projeto foram criadas para o Laboratório Arte Alameda na Cidade do México (2011), Favela Maré no Rio de Janeiro (2013) e Virada Cultural em São Paulo (2013) sempre considerando a pertinência da ações representadas com relação ao contexto local.

Em encontros que se sucederam, o projeto foi tomando corpo, em especial a partir das pesquisas desenvolvidas por Andrea Caruso Saturnino no campo das artes cênicas. O projeto Multitude foi assim sendo alinhado também em conexão com trabalhos de teatro e performance que se apresentam igualmente como potências da multidão. O eixo central da escritura cênica não estando mais calcado no protagonismo do texto dramático, abre espaços para a expressão de temas ligados ao cotidiano de múltiplas minorias e para o redimensionamento do lugar da representação.

A realização do projeto como uma exposição junto ao Sesc Pompeia permitiu novas possibilidades de inserção de obras e viabilização de formas de expansão curatorial da exposição. Como forma de estender as referências iniciais a partir de áreas distintas, ao longo do desenvolvimento do projeto foi formada uma comissão curatorial que, além dos idealizadores, envolve os pesquisadores, artistas e pensadores Lúcio Agra, Natacha Rena, Peter Pál Pelbart e Rodrigo Araújo.

acesse o site oficial do projeto aqui

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