COLEÇÃO DE BOLSO NA HIPER_ARTE

vídeo instalação com 10 TVs LCD . SESC SANTANA . 26/04 a 01/05 2016 

curadoria de Lali Krotoszynski e Rogerio Salatini

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Coleção de Bolso é uma série de trabalhos em vídeo que mostram obras renomadas e reconhecíveis de arte moderna e contemporânea, sendo manipuladas na tela de um dispositivo portátil e exibidas em telas LCD verticalizadas e disponibilizadas lado a lado no espaço expositivo.

As imagens das obras (listadas abaixo) são desfiladas uma a uma, em um fluxo dinâmico e ao mesmo tempo contemplativo (sem interações técnicas), remetendo à ideia de manipulação, de reorganização de um grande banco de imagens disponíveis na rede hoje.

As obras escolhidas tem o comum a imagem de corpos como elemento central. São representações que envolvem movimento, sempre mediados por tecnologias de reprodução.

São obras-ícones de arte do século XX (fases moderna e contemporânea) cujas imagens circulam facilmente pela internet como Étand Donnés e Nu Descendo a Escada nº2 do Duchamp, o vídeo I Am Making Art do John Baldessari, performances e caminhadas de Francis Alys, Relation in Space de Marina Abramovic e Ulay e Antropologia da Face Gloriosa de Arthur Omar.

A produção do trabalho envolve a ‘performatização’ de buscas das imagens na internet, utilizando-se um dispositivo móvel com tela de alta resolução, registrados em vídeo FullHD, com posterior edição para se obter um ritmo contínuo e ao mesmo tempo de forma a revelar variações e idiossincrasias guardadas no processo de passagem sucessiva das imagens. As imagens encontradas envolvem eventualmente releituras, obras correlatas e talvez erros derivados dos sistemas de busca.

O projeto aponta para aspectos distintos do funcionamento dos sistemas de busca, da disponibilização de imagens repetidas nas redes, fazendo referência à reprodutibilidade infinita dessas representações, quase sempre limitadas em termos de direito autoral, ou mesmo representadas por imagens que não variam muito. Ao mesmo tempo, o movimento de manipulação e passagem das imagens confere movimento e cinetismo às imagens, cujos referentes originais sempre envolvem movimento.

Concepção e direção: Lucas Bambozzi | Assistência: Julia Rodrigues  | Produção: Vanessa Lopes

Projeto comissionado para a exposição Hiper_arte no Sesc Santa, em abril de 2016, com curadoria de Lali Krotoszynski e Rogério Salatini.

Texto de apresentação da curadoria [espaço expositivo]

Ao passear por imagens de obras de arte moderna e contemporânea do séc. XX, aquelas mais icônicas, muito presentes na internet, nos deparamos com uma repetição de representações, com poucas variações diante do vasto banco de imagens disponíveis na rede hoje.

Seja pela estrutura dos sistemas de busca, seja por limitações impostas por direitos de uso dessas imagens, o que se vê é muito do mesmo.

O artista selecionou obras importantes ou icônicas, que abordam o corpo em movimento, em representações que sempre envolvem a mediação por alguma tecnologia de reprodução. E de certa forma, restitui-lhes algum movimento através do gesto, cada vez mais comum, de deslizar os dedos pelas telas touch de um celular ou de um tablet. O resultado é reproduzido em vídeos que confrontam corpo e imagem, o cinetismo nas obras e o movimento de procura.

Com isso, também acaba por atribuir novas possibilidades de olhar para cada uma das obras, e para o fluxo delas em repetição, na configuração particular que adquirem no espaço expositivo.

 

Obras visitadas :

Nude descending a staircase (1912) Marcel Duchamp

Étand Donnés (1946-1966) – Marcel Duchamp

Slow Angle Walk (1967) Bruce Nauman

I am Making Art (1971) John Baldessari –

Sometimes Making Something Leads to Nothing (2005) – Francis Alys

As senhoritas de Avignon (1907) Pablo Picasso

Relation in Space (1976) Marina Abramovic e Ulay

Self portraits – Lucian Freud

Self portraits – Andy Warhol

Self portraits – Mapplethorpe

Suspensions (1984 – 2002) Stelarc

Antropologia da face gloriosa (1997) Artur Omar

Design e Conspiração: ziguezagues entre Arte e Filosofia

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A partir da proposição de Vliém Flusser sobre significações do design como TRAMA, ESQUEMA MALIGNO [relativo à ASTÚCIA, FRAUDE e SIMULAÇÃO] o projeto propõe ampliar conexões e subverter concepções assépticas e mercadológicas.

EXPANSÕES TEÓRICAS E PRÁTICAS . PROCESSOS DE CRIAÇÃO . PERSPECTIVAS POÉTICAS, ESTÉTICAS e POLÍTICAS.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

29/03 – OFICINAS TRANSITIVAS – Universidade Anhembi Morumbi – Campus Morumbi
09H às 12H _ Caixa de truques e ferramentas_ Karlla Girotto (20 vagas)
14H às 18H _ Pop-up / cartões tridimensionais _Guto Lacaz (20 vagas)
14H às 17H_Imagens do Sentir_Leila Reinert (20 vagas)

30/03 – ziguezague de ABERTURA / CONVERSAS TRANSVERSAIS – Itaú Cultural
9H_ Registro para envio de certificados
9H30_ Abertura DCzz _ Ana Paula de Campos e Cristiane Mesquita
10H às 12H_ Gavin Grindon / André Mesquita
14H às 16H_ Juliano Pessanha / Vinicius Spricigo

31/03 – CONVERSAS TRANSVERSAIS – Itaú Cultural
9H às 12H_ Peter Pál Pelbart / Rosane Preciosa / Silvio Mieli
14H às 16H_ Ligia Nobre / Lucas Bambozzi

MOLA / GRUPO DE ESTUDOS E ACOMPANHAMENTO DE ARTISTAS

Impressão

O projeto MOLA, criado por Lucas Bambozzi e Fernando Velázquez surgiu como uma proposta de realizar encontros semanais, em um formato que se aproximava de um grupo de estudos e de acompanhamento de artistas. A ideia foi juntar interessados em um aprofundamento das questões que envolvem campos como arte, ciência e tecnologia. O nome inicial seria a palavra grega Techné, que etimologicamente remete à técnica do fazer, a uma habilidade manual artística, ou simplesmente arte. Apesar da amplitude de significados sugeridos pelo termo, utilizá-lo com título de um grupo parecia fazê-lo pautado estritamente por abordagens técnicas.
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A vontade de flexibilização de possibilidades, de adequação de metodologias de pesquisa a contextos mais ou menos específicos, envolvendo diferentes tecnologias, tanto analógicas como digitais, levou à utilização do termo MOLA para definir as intenções mais abertas e permeadas pelas experiências dos próprios participantes. Foi mais ou menos assim que o MOLA foi pensado, inicialmente junto à galeria Fauna em 2014 e posteriormente como parte da Escola Entrópica, no Instituto Tomie Ohtake a partir de 2015.

Logo tornou-se uma proposta respaldada por encontros sistemáticos, onde a abordagem artística seria pautada por modelos práticos, teóricos e de análise compartilhada. A tradicional metodologia de acompanhamento de artistas acontece no MOLA em um processo de confluência horizontal, refletindo as aulas de Michael Asher na CalArts (módulo de crítica de arte no MFA da California Institute of the Arts), modelo segundo o qual o artista apresenta a sua produção, ou uma obra/processo em particular, gerando uma discussão aberta em círculo. No MOLA, a proposta é associar a leitura e análise coletiva de textos (modelo mais próximo da academia) a práticas criativas, tendo como contraponto o encontro com convidados em um formato palestra-debate. Como elemento de confluência destas interfaces estimula-se a troca de experiências sobre assuntos práticos do dia-a-dia do fazer artístico — e também nas fronteiras do campo da arte. Como sugere o subtítulo, a relação entre arte, ciência e tecnologia é abordada levando-se em consideração também a instabilidade dos meios, as resistências do circuito artístico a nichos tipicamente tecnológicos e outras derivações, geralmente paradoxais e permeadas por inquietações. As questões provenientes desse campo diante do sistema das artes serão enfrentadas em conjunto, em um processo que envolve também a adaptação do programa a questões e demandas que surjam do grupo.

 

Como funciona:

As práticas do MOLA às vezes partes de temas colocadas como desafios para os artistas. Em 2015 foram feitas investigações sobre as sobreposições entre arte e ciência. Os participantes foram estimulados a pensar projetos a partir de três visões: _ ciência popular e acessível, presente em toda parte; _ ciência como ficção, como especulação de futuro, como devir; _ ciência gerando distopia, equívoco, estranhamento, defeito, arte.

Em 2016 serão discutidos textos para propostas práticas em torno do conceito de Imaterialidade, envolvendo também questões suscitadas pelos próprios projetos dos artistas em relação ao tema.

Ao final do semestre há a possibilidade de uma exposição dos trabalhos, mesmo considerando que a maior parte da produção não é conduzida para este fim.

 

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Performance de Vic Von Poser, Herebert Baioco e Fernando TImba, em frente ao Instituto Tomie Ohtake

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Preparação de exposição do grupo MOLA

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Exposição de projetos e protótipos do grupo MOLA. Trabalho de Felipe Julian ao fundo.

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Trabalho de Herbert Baioco

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Trabalho de Fabia Karklin

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Detalhe do trabalho de Fabia Karklin, em exposição de final de semestre do MOLA, junto à Escola Entrópica,

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15 | ATÉ 27 DE FEVEREIRO

curadoria de Jacopo Crivelli Visconti . Maria Montero . Rafael Vogt Maia Rosa

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o trabalho participante na exposição:

MICRO-PRESENÇAS [O QUARTO DOS FUNDOS]

videomapping em maquete, 2010

Micro-ambiente em mutação contínua, formado por uma projeção mapeada sobre uma maquete em madeira. O quarto branco se transforma de acordo com as fases do dia e é habitado por elementos como uma cama desarrumada, um porta-retratos, uma possível sombra de árvores, uma garrafa no criado mudo, um livro caído no chão, variações de um quadro na parede – podendo ser de Cézanne, Edward Hopper ou Francis Bacon. Quarto dos Fundos é uma obra integrante de Presenças Insustentáveis, exposição individual de Lucas Bambozzi na Galeria Luciana Brito. É dos primeiros trabalhos que se tem conhecimento envolvendo técnicas de videomapping aplicados a uma obra de arte.

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Mobile Crash no Paço Imperial

Mobile Crash v3 . Medidor de Obsolescência

Paco Imperial . Rio de Janeiro

de 15 de outubro a 29 de novembro de 2015

Singularidades / Anotações
Rumos Artes Visuais . 1998-2013
curadoria de Aracy Amaral, Paulo Myiada e Regina Silveira

Mobile Crash Paço Imperial

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foto de Fernanda Bruno

Links:

_post sobre exposição no Itau Cultural

_página do evento no site do Paço Imperial

_página do evento no Facebook

_documentação em vídeo da exposição pelo Arte 1:

VISUALISMO [ARTE, TECNOLOGIA E CIDADE]

A primeira edição do Visualismo – Arte, Tecnologia e Cidade, aconteceu no Rio de Janeiro, em três etapas ao longo de 2015. A última etapa do ano foi entre 6 e 12 de setembro, em uma espécie de festival com 26 trabalhos apresentados em forma de projeção de vídeo em larga escala em espaço públicos (Parque Madureira, Central do Brasil e alguns prédios da Praça Mauá). É um projeto que trata das especificidades do contexto urbano, em ações para além da lógica dos espaços institucionais.

Fui convidado para fazer a curadoria dessa primeira edição, o que foi se mostrando um trabalho bastante amplo, envolvendo formatação de seminário, laboratórios de criação, acompanhamento de artistas, etc, em muitos processos de decisão, escolha (re)planejamentos e constante pesquisa. Tudo feito com muito prazer, com uma equipe incrível.

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VISUALISMO, SENSAÇÕES VISUAIS NA CIDADE
O espaço não é um dado fixo. Ele é moldado pelo uso. Que espaço é esse?

VISUALISMO coloca foco em manifestações artísticas que articulam novas sintaxes audiovisuais e se lançam para espaços abertos, adotando como suporte um pouco da imaterialidade da imagem em movimento, um pouco da arquitetura urbana, um pouco de uma arte em consonância com as tensões da cidade.

São experiências que refletem o uso expressivo de novas técnicas, afirmando formatos em processo, afetados por softwares de áudio e vídeo, pelas mudanças nas tecnologias de projeção de imagens em movimento, por possibilidades de articulação de tempo-espaço ainda em desenvolvimento,pelo diálogo com linguagens heterogêneas, estabelecidas ou não.Falamos de linguagens que não cabem dentro do esperado, que demandam uma nova atenção ao espaço à nossa volta,a partir da emergência de formatos que questionam a rigidez do acontecimento da obra em seus suportes ou ‘palcos’pré-definidos.

Pensamos na praça, na projeção ao ar livre, no prédio abandonado, nos habitantes em deriva, na heterogeneidade do centro da cidade, na tensão entre ideologias,na possibilidade de entendimento a partir de campos simbólicos abertos a interpretações,talvez menos dicotômicas.

Pensamos em zonas de intersecção, permeadas por pensamentos híbridos, quedariam novo vigor a uma configuração visual,entre arquitetura e imagem, que dariam conta de formatos que nem sempre se encaixam em estruturas previamente dadas.

VISUALISMO dá as boas-vindas a novos cinemas, a outras possibilidades de uma mesma essência cinemática. Antevê projetos experimentais que envolvemo suporte incerto como desafio, como parte da obra, e dá visibilidade ao espaço coletivo em que a obra acontece, em iniciativas que levam em consideração a realidade social de seu entorno.

VISUALISMO entende a cultura digital de nosso presente como um campo onde parece possível retomar modelos sinestésicos de percepção, potencializando os sentidos, brincando com seus cruzamentos, fazendo fluir mais livremente as linguagens que reverberam entre o corpo e o ambiente coletivo.

É isso: VISUALISMO aposta no ‘entre’ uma vez mais: entre a arte contemporânea e o cinema na praça, entre a tela limpa e aquela carregada de história, entre a convenção do espaço e o uso que se faz dele.

Lucas Bambozzi [curador – Visualismo]

mais: www.visualismo.com.br

 

Multidão na Bienal WRO

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O projeto MULTIDÃO está em exibição na WRO Media Art Biennale.

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MULTITUDE

Lucas Bambozzi (BR)
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project supported by Adam Mickiewicz Institute

Multitude deals with fear related to the unknown and the rise and fall of the sense of collectivity. The site- and context-related project for large screens depicts the conflict between high and low culture, the individual versus the collective and offers an insight into the individual’s condition as interactor in the field of art and technology.

The WRO Media Art Biennale is the major forum for new media art in Poland, and one of the leading international art events in Central Europe. Since its inception in 1989, WRO has been presenting art forms created using new media for artistic expression and communication, exploring current creative territories and building a critical perspective toward emerging issues in art, technology and society.

Over the years, the WRO Biennales have raised a variety of questions about creative approaches to new technologies and the creative crossover realms that arise where art and science, economics and social activism intersect.

 

The WRO Biennale is organized by the WRO Media Art Center Foundation and WRO Art Center.

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ÚLTIMO SUSPIRO [Exposição Adrenalina]

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Último Suspiro é uma instalação criada para exposição Adrenalina, no Redbull Station a partir de uma montagem anterior. Montada no subsolo do espaço expositivo a instalação é composta por um conjunto de 9 TVs que pulsam ruídos visuais e sonoros, de forma ritmada – como uma imagem “entranhada”, efeito colateral de sua condição eletrônica pré-digital. Retrato de precariedades e da obsolescência voraz nas tecnologias de imagens, emitem um “último suspiro” de raio catódico. Há algo de incômodo nesse refluxo, talvez por sermos testemunhas de uma arqueologia que opera em nosso presente (Para onde vão as coisas que não queremos mais?). Percebemos que algo ainda acontece nesse arsenal sucateado, enxerga-se um faiscar elétrico, as telas emitem lampejos, ouve-se uma pequena descarga, um possível curto-circuito, um último lampejar. O projeto foi pensado a partir da obra Curto-Circuito, criada originalmente para a exposição Sistemas Ecos (Praça Vitor Civita, 2014).

Sobre a exposição:

Exposição: Adrenalina, A Imagem em Movimento no Século XXI

RedBull Station – 14 de março a 5 de maio de 2015 . São Paulo

Curadoria: Fernando Velázquez

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Vídeo sobre a exposição com depoimentos de F. Velázquez, L. Bambozzi e H. Roscoe: http://redbullstation.com.br/adrenalina-video/

Equipe original do trabalho:

criação: Lucas Bambozzi

produção: Larissa Alves

desenvolvimento e cenografia: Leo Ceolin

versão original criada para a exposição Sistemas Ecos (2014), com curadoria de Sonia Guggisberg. Informações adicionais sobre esta exposição aqui.

COISA LIDA [SP_Urban]

Coisa Lida é um projeto que executa uma série de frases a partir de determinados parâmetros, comprometendo ou proporcionando a leitura de suas mensagens.

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Coisa Lida, criado em 2014 a partir de um convite do festival SP_Urban, responde em tempo real aos estímulos visuais e sonoros dos arredores. De acordo com os sons e imagens captados na Avenida Paulista, palavras de poesias pré-selecionadas aparecem no vídeo, em ritmo inconstante.

Na intenção de transformar em imagens a aceleração e os fluxos locais, o projeto envolve um sistema de detecção de movimentos a partir de um Kinect instalado no Mirante da Al. das Flores, em frente ao edifício Fiesp/Sesi, que “enxerga” o fluxo de carros na Av. Paulista e tornam o fluxo de poemas uma espécie de comentário do próprio ambiente.

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POEMAS E TEXTOS UTILIZADOS

ALBERTO CAEIRO

FRASE DE JOÃOZITO PEREIRA [APUD PAUL VIRILIO]

EXTRATO DE TEXTO DE PIERRE CLASTRES

POEMA DE CAMILA NUÑEZ MUITAS

FRASE DE OSCAR WILDE

TRECHO DE A PAIXÃO SEGUNDO G.H. DE CLARICE LISPECTOR

 

FICHA TÉCNICA

Tecnologia: Edgar Zanella

Colaboração [AfterFX]: Lu Nunes

Curadoria: Marília Pasculli e Tania Toft

Veja a página do projeto aqui: http://www.lucasbambozzi.net/projetosprojects/coisa-lida-sp_urban

 

O dissenso em 3 ou 4 casos

Do constrangimento como meio de desarticulação social

Texto escrito em abril de 2013, por ocasião da exposição Poética do Dissenso, na Mostra O Abrigo e o Terreno, que abriu o Museu MAR, no Rio de Janeiro.

noname-2   Região central do Rio de Janeiro (foto de Rogerio Borovik)

 

 

Caso1:

Então o/a artista se vê finalmente dentro do sistema. Ele/ela tem consciência do feito, de que esse degrau na ascensão de sua reputação entre seus pares, tem um certo preço. Sabendo o que isso representa, ele/ela talvez não tenha a noção, ainda, de que deu um passo em direção a um ambiente ou patamar onde as estabilidades são mais relativas e frágeis. Ele/ela lamenta, pois justo “na sua vez”, há barulho, vozes e vaias lá fora… Há uma falta de consenso, aparentemente inexplicável para o caso. Nesse momento, algo então age sobre esse estado de euforia, que faz com que, de repente, atue como um puxar de rédeas, como um freio brusco em suas pretensões. Esse algo talvez seja constrangimento. Ele/ela percebe que aquilo não tem o sabor que esperava ter. É amargo, pode durar pouco. É contraditório. E seus pares já não estão por perto. Pode não mais conseguir ‘voltar pra casa’. Ouve vaias, agora internas talvez, percebe o cochichar perverso de uma turma da qual não pertence, e no meio – talvez apenas a entrada – desse suposto salão de glórias, perde o caminhar, e permanece estático.

 

Certas situações são constrangedoras. Todos sabemos ou já sentimos o que pode ser isso. O constrangimento pode ser um conflito interno, uma oscilação moral, uma dúvida que confronta uma certeza tida como autêntica. Vilém Flusser comenta que a dúvida, como exercício intelectual, é o berço da pesquisa, um estímulo ao pensamento, “mas como experiência moral, é uma tortura, o fim de todo conhecimento” (Flusser, 2011)[1]. Esse é o risco: a dúvida, aniquilando a convicção e a determinação, paralisa.

Mas é preciso questionar o consenso que nos sussurram. É preciso se revirar com a contradição. E entender o conjunto de sensações advindas do constrangimento através do viés político é um exercício complexo. Entre nós, integrantes do coletivo Cobaia, buscamos debater essas paralisias e dicotomias improdutivas, desde a formação do grupo, em 2004. As ações ligadas à reintegração de posse do Edifício Prestes Maia (2004-2006), e que levou a uma colaboração entre artistas e movimentos sociais populares como o MSTC – Movimento dos Sem Teto do Centro, evidenciava alguns desses constrangimentos políticos, que escapam da vergonha individual e vazam para um coletivo em grande escala.

Ali, um prédio simbolizando as contradições urbanas e acirramentos da especulação imobiliária levou a questionamentos em torno do funcionamento do sistema da arte, da política, da mídia e da vida urbana e pública. O que nos movia eram urgências, e não uma estratégia artística de inserção no circuito da arte atenta à política. Mas vieram curadores, buscaram casos, especularam estéticas, levaram imagens, tomaram conceitos emprestados.

Esse constrangimento veio acompanhado da lisura, da validade ou da pertinência do “fazer arte” para tal situação específica. Para quem e como essa arte seria produzida? Para os moradores do edifício? (eles estariam desejando isso de fato?) Para a situação midiática que se apresentava? Como forma de aproveitar a visibilidade obtida com a situação? O que fazer de efetivo, para além da arte, diante daquela realidade? De um modo ou de outro, muitas perguntas ficaram sem resposta. E quando o veredito do despejo foi dado, a despeito de toda luta, a despeito de toda arte, demonstrando a força avassaladora do lobby empresarial e da especulação imobiliária, quando as famílias se foram, a maioria para lugares muito distantes do centro, o que pairou em comum, como um silêncio apertado e seco, foi um grande constrangimento. Teríamos feito a coisa certa? Teríamos feito da melhor forma?

Assim, o constrangimento que surge de um sentimento interno, de um conflito de valores, adquire uma proporção social, às vezes gritante. E desarticula movimentos, divide potências, contradiz ações e acirra o desentendimento. Em muitos casos, a imposição da lei pode ser menos eficaz que o constrangimento. Numa sociedade disciplinar, as situações panópticas podem ser menos eficientes do que a indução ao constrangimento. Em seus efeitos colaterais e desvios, o constrangimento pode ser uma arma social apontada na direção errada.

 

 

noname-3Vista da região chamada de Porto Maravilha a partir do Museu MAR (foto de Rogerio Borovik)

 

Caso 2:

Então um grupo de senhoras da sociedade em São Paulo passou a se reunir em torno de uma causa comum: criar formas de barrar e desarticular um outro grupo, que havia passado a se reunir com preocupante frequência: suas próprias babás. As empregadoras criaram então o Gatb, Grupo Anti-Terrorismo de Babás, uma espécie de mutirão fechado. Argumentando sobre a necessidade de se protegerem da “petulância” das funcionárias reinventaram o que seria um sindicato patronal para trocar informações e dicas sobre como fazer em caso de “abuso de direitos” por parte das empregadas. Assim as reuniões de umas passaram a ter função controladora enquanto a de outras, controladas. Para estas últimas, reunir passou a ser ilegal, subversivo e arriscado. E assim passaram a ser consideradas “terroristas”.

Tendo o movimento divulgado pela mídia oficial, os leitores passaram a se afinar em particular com a facção das empregadoras supostamente oprimidas ou “lesadas” pelo direito de… direito (!) das empregadas.

No mundo online, as posições mais reacionárias ganham destaque em tom de valentia. Um leitor escreve:

 

“Eu sei o seguinte, se eu tivesse uma babá e uma delas fosse essa da reportagem, estaria na rua no dia seguinte. Se elas estão na pracinha de papo, não estão olhando meu filho. E segundo, aqui no Brasil virou moda nego sem formação querer ganhar bem… (anônimo).”

 

O que temos em comum, a ver com este texto, a ver com os editores deste site, com a continuidade de propostas que se fazem em torno de questões como essa que agora envolve o MAR? Algum constrangimento, talvez.

 

noname-1 Detalhes do entorno do Museu MAR (foto de Rogerio Borovik)

 

 

Caso 3:

O crítico de arte Sergio Bruno Martins em seu artigo, O MAR de cima a baixo[2], descreve a incerteza da política habitacional e urbanística da area que vem sendo conhecida como Porto Maravilha. Sergio aponta a ausência de debates minimamente aprofundados que possam sugerir alternativas à ocupação ou “revitalização” da região. Em um link para o Youtube que mostram um video institucional com renderings do que se planeja para a região, há uma revelação sintomática: em meio a cerca de 32 mil visualizações, há no momento apenas 16 comentários. Em sua maioria elogiosos, alguns denotam o pensamento típico associado à região:

 

Agostinho fernandes peres ‪‪4 days ago

Se for como está na maquet, será um porto fora de série, de país adiantado.

‪‪Rodrigo Araujo ‪‪1 month ago

vai fica muito lindo!!!!

TheJhFisher ‪‪2 months ago

(…) Espero que essa obra seja só o começo e a reurbanização se estenda para as outras regiões. A capital fluminense está cercada de favelas.

PEPE EL GRANDE ‪‪2 months ago

Achei ótimo o projeto… Mas e aquela nojeira e fedentina da rodoviária novo Rio e entornos?

sérgio júnior ‪‪2 months ago

Falou tudo.

Ernesto São Thiago ‪‪2 months ago

Maravilhoso.

 

Pois bem, há pouco dissenso aqui. Ouve-se, por mais que não acreditemos, uma opinião pública genericamente a favor de estratégias de limpeza urbana e social. Não há sequer cuidado da imprensa em utilizar essas palavras. Sabe-se que o museu Mar não está devidamente conectado ao seu entorno, mas sim ao poder que viabiliza sua gestão. E sabe-se o quanto os dispositivos culturais são, em todo o mundo, a porta de entrada para estratégias de “revitalização” que levam a cabo processos de gentrificação, sempre violentos, por definição, mas desejado por muitos que vem a cidade como mera paisagem. Nada de novo. Então refaçamos algumas perguntas:

Qual a função da arte para os habitantes e frequentadores da Praça XV ou Praça Mauá? No que eles estão interessados? (apontem por favor, alguma pesquisa consistente nesse sentido?) Ha alguma intervenção cabível nesse ambiente? A favor de quem que não seja o próprio artista ou coletivo? Quem quer a intervenção? Quem quer a arte, que arte se quer?

Questões como essas endossam uma premissa: é preciso ressignificar a relação entre artistas e movimentos sociais. Mesmo que as questões que envolvem a responsabilidade da arte para além da produção simbólica não produzam no momento reverberações relevantes há que se reinventar essas conexões. Pois os processos de legitimação de uma arte política já estão demasiadamente arraigados ao sistema da arte, como estratégia, como verniz. Hoje, um artista que evita a política pode ter maior reverberação política do que os tidos como “artivistas”.

As ambiguidades e contradições são muitas, mais do que dão conta as ações esboçadas. Se fossem outros curadores, cujo histórico e seriedade não conhecêssemos, poderíamos ter afirmado que o que houve foi cooptação simples e eficiente. O que aconteceu porém decorreu de uma tentativa de arranhar o sistema estando dentro dele. Por parte de muitos dos envolvidos, inclusive grupos e coletivos que deveriam ter assumido uma posição mais explícita, as tensões foram lançadas como adereço político, não como articulação transformadora.

Ser bem intencionado parece não bastar. Como agem os antídotos, as ações que arranham apenas superficialmente o mecanismo capitalista apenas o tornam mais forte. Segundo os pesquisadores canadenses Andrew Potter e Joseph Heath, em vez de funcionar como força de oposição à economia de mercado, a contracultura, o ativismo antiglobalização acaba sendo motor dela.[3] Segundo os autores “os símbolos da rebeldia não são apenas cooptados pelo ‘sistema’, mas impulsionam efetivamente o capital e seus poderes, gerando as novidades para a competição entre os consumidores” e o público ávido por novidades.

Novos conceitos na sociedade surgirão na medida em que os porta-vozes desses conceitos tiverem de fato voz ativa e comprometimento com as causas que seus artistas articulam.

 

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O cartaz com os dizeres “algumas coisas você nunca vai saber pela mídia’ foi criado pelo grupo Formigueiro em 2004 se estendeu a ações do grupo Cobaia nos anos seguintes. A foto acima, tirada no Edifício Prestes Maia, representa a inserção do grupo Cobaia junto ao coletivo Poética do Dissenso, que participa da Mostra O Abrigo e o Terreno no Museu MAR. (foto de Rogerio Borovik)

 

 

Caso 4:

Suponhamos um grupo formado por indivíduos capazes e ativos, porém insatisfeitos com a condição que lhes é dada. Falemos de um indivíduo estimulado pelo mercado, pela sua condição de consumidor ativo, pela sua participação nas redes sociais e fora delas. Suponhamos ainda este indivíduo como consciente de sua eventual capacidade de engajamento. Se essa pequena multidão tem dentro de sua constituição, algum poder da rebelião, se há uma potência de articulação latente ali, por que este grupo permanece ali, apático, à margem?

Talvez porque não perceba a urgência de uma ação, talvez porque pese sobre si a expiação de um pensamento que lhe foi entranhado pela educação servil, pelo que imagina de seu Deus ou religião, pela primeira comunhão que agora lhe é saudosa, pelo respeito ao pai direitista que já se foi, pelo que julgue antecipadamente proibido. Talvez nesse momento tão importante, sinta-se sozinho… Ou talvez hajam algumas urgências, em levar dinheiro pra casa, em assumir uma dívida, em cuidar do filho(a) pequeno(a) que chegou sem a estrutura ideal – e isso urge, de fato. Ou talvez também porque, ao perceber o olhar do outro, e sua dúvida oscilante, o indivíduo constituinte dessa multidão, sente que vai ser em vão, e negando toda tragédia, abdica finalmente de sua condição sísifica, e agora, diante desta normalidade que o acomete, ele/ela de seguir adiante, prefere não mais avançar. E assim, olha para os lados e abaixa a cabeça.

Sente então constrangimento. E não sabe o que fazer com isso.

Talvez haja um ponto onde as ambiguidades levantadas em debates como este que ocorre neste site, possam explicitar possibilidades efetivas e permitam ensejar novas perspectivas para antigas contradições. É o que se espera, apesar do constrangimento latente. Assim, em algum momento ou situação específica, essas práticas podem ganhar a contundência e o poder da transformação. Uma transformação necessária ao redimensionamento de processos culturais e de práticas artísticas correntes.

 

Lucas Bambozzi

Colaboração: Almir Almas e Rogério Borovik

[grupo COBAIA]

 

NOTAS:

[1] Flusser, Vilém, A Duvida, Anablume, 2011 (pgs 21-22)

 

[2] http://www.blogdoims.com.br/ims/o-mar-de-cima-a-baixo-–-por-sergio-martins/

 

[3] http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1408200506.htm