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Sobre o projeto meta4walls

Tuesday, January 26th, 2010

Conversa informal entre Lucas Bambozzi e Christine Mello, sobre o site meta4walls, Internet, spam e intenções ligadas ao uso da web para fins artísticos

São Paulo 02/02/2002

o projeto “Meta4walls” foi apresentado na 25ª Bienal Internacional de São Paulo, em área especial voltada à net-arte, curada por Christine Mello e Rudolf Frieling (Alemanha)

http://www.comum.com/diphusa/meta

Christine Mello: Explique o projeto deste site, o Meta4walls

Lucas Bambozzi: A idéia do site é transpor para um trabalho de web, parte de uma pesquisa que conecta mecanismos intrusivos de vários tipos: coisas que vem acontecendo na Internet através dos sistemas de cartão de crédito, procedimentos de seguro saúde, seguro de vida, profusão de webcams e muitos procedimentos de ‘bisbilhotagem’. Principalmente aqueles procedimentos ligados a um contexto que eu vinha observando na Inglaterra ao longo dessa pesquisa, ao que eu vinha fazendo por lá, na condição de artista residente no centro de “CaiiA-Star”. Como eu já havia desenvolvido e planejado teoricamente uma instalação que trataria de alguns aspectos ligados a essa vigilância (a perda de privacidade nos dias de hoje e como essa perda de privacidade vem sendo sentida e vem acontecendo principalmente através da Internet, um espaço público, onde as pessoas expõem situações privadas também), eu pensava, desde o início da pesquisa, em fazer vertentes, projetos que acontecessem na própria Internet, que não fossem uma instalação ou vídeo, mas tratar do que eu venho observando e devolver isso para o ambiente de onde veio, que o engendrou, e que é onde essa coisa toda está mais efervescente. Então eu considero esse projeto um protótipo, uma primeira tentativa, um esboço de outros projetos que podem vir nessa mesma linha.

O tema da vigilância voltou à tona, depois de já ter estado na moda em vários momentos, e mais recentemente, de uma forma bem nítida, na Europa e Inglaterra a partir de 2000/01. Os motivos são vários: um deles é o fato das leis terem sido modificadas para permitir que o Estado e as autoridades utilizem a Internet como forma de exercer práticas, ações, que eles já vinham fazendo com tecnologias mais antigas. Então, essa foi a desculpa que foi dada aos usuários como forma de entrar na vida deles: – a polícia e as autoridades têm que se atualizar, que utilizar métodos que são compatíveis com os métodos dos criminosos hoje. Os criminosos hoje usam a Internet para o terrorismo e pedofilia e a polícia teria que ter sob controle esse ambiente também. Algumas leis foram modificadas nesse sentido, para permitir uma intrusão maior e várias coisas passaram a acontecer, como provedores instalando sistemas de triagem do fluxo de comunicação. Coisas que antes não era permitido por lei, passaram a ser não só permitido como obrigatório. Isso gerou uma certa reação de grupos políticos ou artistas fazendo trabalhos e propostas questionando essas leis. Isso aconteceu em vários níveis. Exemplos: uma revista que se chama “MUTE magazine” que sempre divulgava projetos de arte ligados à política, passou a abordar sistematicamente a vigilância, por exemplo; o ZKM na Alemanha, promoveu no ano passado um prêmio, que eles conferem anualmente e que geralmente é temático (em 2000 o tema foi Cidades e Metrópoles) em 2001 foi “Control Space”, que são duas teclas do computador (ctrl + space bar), mas também se refere ao controle do espaço (virtual e atual). O ZKM, que é essa instituição bem respeitada no mundo das artes digitais, incentivou muito a criação de trabalhos nessa linha. Eu infelizmente perdi o deadline para inscrever este trabalho no ZKM, mas acabei sendo um pouco motivado também, já que eu já vinha trabalhando questões ligadas ao público e ao privado. Eu me senti um pouco na obrigação de fazer algo conectado e adaptado à Internet, e não só dar continuidade ao que eu vinha desenvolvendo antes, que era uma instalação. Então, um dos aspectos é esse: são vários os motivos e há uma ambiente de discussões em torno das questões envolvidas pelo tema.

Outro aspecto é o seguinte: esse trabalho [meta4walls] é resultado de uma coleção de “junk-mail”, de e-mails que a gente recebe de forma meio indevida. São um retrato possível de invasão de privacidade, considerando o computador um instrumento de armazenamento de informações pessoais onde a princípio você deveria poder escolher o que entra e o que sai, o que você guarda. Como sua gaveta, seu armário ou guarda roupas.

Christine Mello: Como um rastro de onde você anda?

Lucas: Não apenas. A princípio você só passa a receber e.mails ligados a site pornôs se você passou por um site pornô. Mas, eu recebo também coisas sobre conserto de cadeira, diploma universitário, viagra, financiamento de casa própria, sendo que eu nunca entrei em nenhum desses sites. Há cruzamentos indevidos de informações pessoais.

Existem sistemas de vários tipos, por exemplo, ligados a cartões de crédito e há uma venda de informação por parte de uma instituição à qual você pertence, na qual você se cadastrou. E essa empresa passa essa informação para outras, sem pedir autorização. Mas, existem coisas mais perversas, por exemplo, geradores de endereços eletrônicos, a partir de um provedor como “Hotmail.com”, é fácil você criar um programa que gere alberto@hotmail.com, albert@hotmail.com, alberta@hotmail.com, albertino, albertina, etc… , que vai gerando uma lógica de nomes que estariam em frente do @ formando um endereço, que pode ser válido ou não. Fazem um dicionário de nomes. Geralmente esses e.mails permitem que você se descadastre: “se você não deseja mais receber essas informações, clique aqui”. Isso é tão perverso que muitas vezes você clicando ali, aquilo é o ‘ok’ que faltava. Você está simplesmente legitimando aquele nome. Isto pode não acontecer se você não responder. Depois de um tempo, pode ser que eles parem de emitir e.mails para aquele endereço que pode não existir. Na medida em que você dá o “reply”, você diz: esse existe e se ele existe, ele passa a fazer parte de uma lista imensa.

Não há quem não tenha recebido algum e.mail contando alguma forma de enriquecer pela Internet ou como trabalhar em casa usando o seu computador. Uma das formas de trabalhar em casa, usando computador, é gerando SPAM. O trabalho consiste muitas vezes em você gerar e/ou buscar endereços. Você se cadastra com um nome diferente, um nome não existente ou número 00052@yahoo.com e através desse nome você gera o máximo de SPAM de e.mails possíveis ligados a um determinado produto. SPAM é o envio não autorizado de e.mails, a invasão de sua caixa postal, você recebeu um e.mail que você não solicitou, isso é considerado um SPAM. Uma dessas formas de venda hoje, de obtenção de lucro na Internet, é através de SPAM. A lógica é a seguinte, se você mandou uma mala direta para 10 milhões de pessoas e você tiver um retorno de 0,01% , você teve lucro. O envio de e.mails para 1, 5, 10, 40 milhões de pessoas é cada vez mais barato e é feito através dessa espécie de rede de SPAMers, de geradores de SPAM que se cadastram com um endereço que vai existir só naquele momento do envio, depois ele é esquecido, deixado para traz. É uma corrente sem fim. Pessoas que como eu, tem um endereço há cinco anos estão fadadas a receber SPAM numa ordem crescente e absurda. Pessoas que vendem CDs com endereços eletrônicos vendem a 10, 5 dólares um CD com 15 milhões de endereços. Alguém quer vender um remédio, financiamento, seguros, um produto qualquer na Internet, ele acaba usando esses CDs. Não têm nada a perder, principalmente se esse meio foi gerado por um anônimo, porque se foi gerado por uma companhia conhecida, ela pode ser processada. É uma coisa bem complexa.

Encerrando tudo isso, meu trabalho se apropria desse contexto. Esse contexto de “vale tudo” na Internet, de selvageria, de envio indiscriminado de produtos e ofertas de coisas cada vez mais bizarras. Isso é o conteúdo do trabalho, como forma de criar uma espécie de meta-conteúdo e meta-invasão. Supostamente essa meta-invasão seria capaz de gerar uma espécie de conscientização, ou pelo menos, proporcionar um olhar crítico na pessoa, fazer a pessoa se dar conta desse mecanismo. Eu acho que essa é a função da net art hoje, criar visibilidade, apontar coisas, direcionar a atenção. Não há nada inédito colocado na Internet. A Internet utiliza todo um suporte que vem de várias outras mídias, vem do videogame, do vídeo, do cinema, do texto, do hipertexto, de coisas que já estavam por aí. A Internet teve o poder de fazer convergir isso tudo e ao mesmo tempo de tirar a visibilidade de tudo. Ao mesmo tempo em que tudo existe na Internet, fica cada vez mais difícil de encontrar aquilo que interessa ou produz alguma emoção, aquilo que toca, aquilo que diz e comunica. Eu acho que uma das funções que me interessam (se não é uma função, pelo menos é uma coisa que me interessa muito): é apontar e direcionar a atenção. A visibilidade é um grande problema na Internet, inclusive para o comércio, para o e-business. As pessoas fazem SPAM para tornar um produto visível, para chamar atenção, uma bandeirinha, um tipo de banner. Quem conseguir alguma visibilidade na Internet, consegue em muitos casos ficar muito rico. Então é uma espécie de guerra pela visibilidade.

Este trabalho, no que ele consiste? Consiste na criação de um portal onde estariam reunidas todas essas coisas bizarras. Só que esse portal, a princípio teria de ter uma fachada, um design atraente (ao menos um pouco mais atraente do que os originais), que buscaria um público que normalmente não vai atrás desse conteúdo, ou que tem uma espécie de constrangimento em ir atrás desse conteúdo. Então, seria atraído por um viés um pouco mais “artístico”, um pouco mais ligado ao design. É uma forma de trazer o público da arte para o mundo cão, ou o público que circula no limite do site bem desenhado. Está entre o site bem desenhado (com flash e imagens dúbias, captadas na rede) e esse mundo trash. É uma pequena faixa de público, na verdade, é a faixa de público que eu convivo e que se relacionam com arte através da Internet, com vídeo através da Internet e com cinema através da Internet. Esse trabalho é uma espécie de armadilha, de arapuca pra fazer a pessoa acreditar que está indo para um site de bom gosto, mas na verdade, esse site vai levá-la para o mundo real da Internet, o mundo que eu considero real da Internet. O mundo da selvageria, da venda de qualquer coisa, do sexo, da pornografia. A pornografia montou uma estrutura absurda na Internet.

Christine Mello: É a mesma vertente que você pôs no 1+1?

L: Exato, várias pessoas irem para aquele espaço institucional seguro e se depararem com uma coisa que elas não querem ver ou que elas querem ver, mas estão constrangidas em serem vistas enquanto observam, enquanto vêem. É exatamente isso, você tocou no ponto: isso não é muito consciente da minha parte e curioso porque os trabalhos foram feito em seguida um do outro. Mas eu coleciono esses juke-mails desde 1999. E há desde aquelas mensagens: “cuidado com seus rins, pessoas podem te dar remédio, você vai cair, eles vão te seqüestrar e tirar seus rins enquanto você dorme” (um tipo de boa noite cinderela). Enfim, vários tipos de lendas da Internet: a famosa lenda da criança que sofre de uma doença rara e que você tem que mandar aquele e.mail para 20 pessoas para ajudar essa criança. Passam anos e essa criança volta. São coisas assim, que viraram um pouco lenda, como as pirâmides, a idéia de enriquecer facilmente. Isso constitui o mundo real na Internet.  O fluxo disso é muito maior que o fluxo de web art, é muito maior que o fluxo de comunicação, vamos dizer, útil realmente. A futilidade na Internet é imensa.

Christine Mello: Superficialidade?

L: Eu acho até que essas coisas são profundas em um certo sentido, porque elas estão conectadas com o grosso dos usuários, o caldo mesmo dos usuários.

Christine Mello: Você fica guardando essas mensagens, como você guarda outras coisas, como você guarda imagens quando você tinha banco de imagens, como você guardou os aparelhos de barbas, crachás de hotéis?

L: Eu guardo essas mensagens, geralmente as que chamam mais atenção por serem mais estranhas, quando eu começo a receber várias vezes a mesma, passo a não guardar mais. A primeira vez que eu vi alguém oferecendo consertar cadeira através da Internet, eu guardei, porque aquilo era um tipo de business entrando na Internet de uma forma totalmente inesperada. Hoje acho mais comum haverem pessoas oferecendo para consertar sofá. Mas enfim, esse site é todo feito com material recebido, eu não produzi nenhuma imagem, são imagens que circulam na Internet e foram apropriadas, enviadas para minha caixa postal sem a minha solicitação ou autorização. Desde a imagem do Courbet, até a imagem da mulher com milho ou a imagem de um olho, tudo o que está ali foi retirado desse universo, desse lixão originado da Internet.

Não é uma forma de chocar, não faço isso assim: olha vamos criar um trabalho para chocar. Como faz muito artista (que admiro inclusive), como o Mark Queen, um cara que sempre faz trabalhos de forma a chocar o público (dentro de um contexto espefíco), como a cabeça com sangue. Mas, o que me interessa é essa hipocrisia, a suposta não aceitação social dessas coisas e como cada um lida com isso. O fato de isso trazer vida, sem dúvida, eu acho que isso é algo que move a Internet hoje. Eu acredito que quando fecho os olhos e penso como é o perfil dos usuários, independente de qualquer estatística ou pesquisa, imagino um monte de usuários trabalhando dessa forma, enviando SPAM e entrando nesse submundo. Senhas para site pornô, buscando formas de ter uma vantagem aqui, outra ali, que é  o mundo real. Isso é gerado, principalmente pelos EUA, entre as classes mais ordinárias. Eles vivem muito essa coisa de como se livrar dos débitos, como obter uma renda extra, como sair da vida de assalariado, alguém que não consegue arcar com seus débitos.

A minha idéia é que hoje, nós somos influenciados por um estilo de vida, representado pelo que há de pior no “status quo” americano, e que os nossos pais questionavam em vários aspectos (ao menos os meus). Em nome da globalização estamos absorvendo um estilo de vida que não é nosso. Hoje a gente absorve muito de tudo, de uma forma muito menos perceptível. Só que acredito que através da internet a gente absorve o que realmente há de pior nesse modelo. Não é mais o sonho do carrão, mas é como fazer um financiamento para se livrar de outros financiamentos, como manejar sua dívida, como ter uma vida sexual melhor por meio de pílulas, como trepar melhor com a ajuda de manuais.

Christine Mello: Isso se revela também nesses guias de auto-ajuda. Como se você pudesse estabelecer uma vida sob controle?

L: Uma coisa assim: “venda mais”, “limpe seu crédito em 31 dias”, “esta é a revolução do comércio, entre você também”. A quantidade de e.mails que eu recebo sobre mortgages, loans (empréstimos) é impressionante. Para isso existir dessa forma tão grande, significa que existe público para isso. É isso que vem gerando esse tipo de comércio na Internet, de uma maneira estrondosa. Isso é a vida real na Internet e não adiante fechar os olhos para isso e falar: “não, isso é baixo, é o low Internet, isso não interessa a nós artistas”. Não adianta você querer entrar numa cidade como São Paulo e fechar os olhos para loucura que está aí, tem que enfrentar isso, tem que haver um enfrentamento. O tema já foi, não é a beleza que interessa ao artista há muito tempo. Então, que universo é esse que intriga, que instiga? Que matéria é essa que pode ser processada, ou que eu como artista, como indivíduo, como pessoa viva, que sofre essa tensão da cidade, o que eu posso fazer com isso? Uma coisa que eu tenho certeza, é que eu não posso fechar os olhos para isso.

Então tento uma forma de reprocessamento. No caso, um simples e singelo site. Ele aponta o dedo para essas coisas.  E como eu estava falando, ele é só um protótipo.

Christine Mello: O que é a matéria desse trabalho, o que você recolheu e resolveu usar?

L: ‘Lincando’ com o que a gente estava falando, a matéria desse trabalho é a própria matéria que circula na Internet. Então, um dos temas que o trabalho arranha é a intrusão e a intrusão na Internet é proporcionada em grande parte pelos cookies. Cookies são pequenos programas que quando você entra num site, aquele site coloca algo no seu computador, que faz, entre outras coisas, que na próxima vez que você entre naquele site, você seja identificado como um usuário que voltou. Ele é uma forma de bisbilhotar o seu computador, algo que fica dentro do seu computador.

Christine Mello: Quem coloca esses cookies?

L: Os sites que você visita geram um cookie dentro do seu computador. Os browsers oferecem a opção de você recusea-lo ou aceitá-lo. Mas todo mundo opta por aceitá-los porque a funcionalidade é maior com ele.

Christine Mello: Isso tem a ver com esses programas freehand log ins [??], eles sempre pedem para por nosso e.mail?

L: Essa é uma forma de registro para você poder comunicar com o serviço gratuito deles, para registrar o numero de série do seu software. Alguns usam cookies sim. A Apple por exemplo, usa cookie para que na próxima vez que você entrar no suporte técnico, eles terem um histórico do seu problema. Geralmente você entra para procurar ajuda sobre um problema técnico, então eles já sabem qual é o seu computador, qual é o seu sistema operacional. Ao invés de te perguntarem, isso já é passado automaticamente. O cookie tem uma utilidade genial, por exemplo, você entra num site que fornece informação, um jornal, “The Times” ou “Folha de São Paulo”, e depois de um certo tempo, se você entra no mesmo site (não sei que tipo de sistemas esse que eu citei usam),  se você só entra em cultura ou política, então da próxima vez, eles passam a te oferecer apenas cultura e política. É uma forma de te tratar diferenciadamente e personalizadamente. Só que é também uma coisa que está te vigiando, sabendo o que você faz.

Christine Mello: Nesse caso, você pegou isso de que jeito?

L: O trabalho utiliza em termos de tecnologia, apenas HTML básico, além de Flash.

Christine Mello: O HTML é uma linguagem?

L: O HTML é uma linguagem básica, estrutural da Internet. E utilizo Flash para incluir animações e programações, e permite animações interativas, permite criar situações randômicas, em programações mais ou menos complexas com bastante dinamismo — em um potencial que ainda não dou conta de explorar sozinho. As situações são pré-programadas e interativas em função dos clicks do usuário.

Christine Mello: Você acha que o Flash não te deixa muito próximo do que seria agir numa ilha de edição?

L: Depende. O Flash tem muitos usos, existem tipos diferentes de Flash. Tem a função do plug in, que permite que uma animação rode na sua tela. Ou permite acrescentar coisas. Por exemplo, tem uma aplicação interessante com Flash onde você partir de uma música tendo toda base dela separada. E  você pode remixar a música em tempo real. Remixar, não dá para fazer isso numa ilha dessa forma que estou falando.

Christine Mello: Você falou de música, isso dá para fazer com imagem também? Criar por exemplo uma peça audiovisual que exista e está em digital e você pega tudo isso que você falou da música e remixa essa musica ao vivo?

L: Dá pra fazer com pequenos clips, por exemplo. Tem jeito de usar o flash dessa forma. No meu caso, o Flash é utilizado na programação dos caminhos possíveis. A árvore de caminhos e opções do usuário foi feita em Flash. Poderia ter sido feita em Java (que é open-source), poderia ter sido feita através de CGI’s e poderia ter sido feita com HTML.

Christine Mello: Qual é a diferença se você tivesse ido ao encontro do Java, ou do HTML, ao invés de ter ido ao encontro do Flash?

L: O Flash é um aplicativo proprietário, ates da Macromedia e agora da Adobe. Isso já tem um si um caráter ideológico, o que me incomoda. Eu preferiria utilizar uma linguagem aberta, mas não sou programador. Em termos de estrutura as coisas são intrincadas, porque por exemplo, dentro do Flash tem Java Script. Não é dentro de todo flash que tem Java, mas dentro do meu tem alguns scripts em Java. Então, é uma coisa meio intrincada. Cada vez mais a programação disso esconde o que está acontecendo exatamente com a programação em HTML. Tudo isso depois vira HTML. depois acontece em um ambiente em transito entre o servidor e o computador usuário, onde os arquivos HTML demandam os JPGs, os arquivos flash SWF e outros que estão dentro também. O Flash pode ser rodado linearmente e pode ser interrompido nessa linearidade e utilizar uma outra linearidade. Ou lincar momentos diferentes desses caminhos. No meu caso é isso, mas tem várias formas de fazer. Eu já soube o que acontecia por trás da programação. Olhando os códigos da fonte (source) de programação, em 95, 96 eu já sabia ler tudo ali. A coisa ficou muito mais complexa hoje, e eu não sei me mover muito sozinho mais. Esse pessoal (Limbomedia) que me fez a programação utilizou basicamente isso, Flash com Java Script.

Christine Mello: Esse pessoal se chama como, engenheiro?

L: São designers de programação, não são designers gráficos. No caso eles são designers mesmo inclusive porque eles são ingleses, mas você poderia falar programadores, (ou developers pra continuar no Inglês). Tem gente que não gosta de ser chamado de programador, prefere ser chamado de designer, porque a questão do designer prevê como programar, que ferramenta utilizar na programação, é realmente um desenho de programação. Tem pessoas que vão discordar de mim.

Christine Mello: Como foi a tua conversa com eles, eles iam decidindo utilizar essas ferramentas a partir do que?

L: Eu expliquei qual era a intenção. Eu não sou totalmente leigo na questão, então, como forma de explicar enviei algumas telas: olha, quero ligar isso com isso. O fato de eu ter enviado algumas telas, sugestões visuais desenhadas graficamente, sugeriram para eles utilizar essa ou outra ferramenta.

Agora voltando à idéia dos cookies, o tempo todo você está aceitando cookies que são instalados no seu computador em muitas navegações. A idéia desse projeto sempre foi uma forma de devolver ao espectador, as informações acessadas através do cookie.  É a idéia de mostrar para o usuário que o sistema, que o site que ele esta visitando sabe mais sobre ele, sobre o usuário, do que ele pensa. Então, a idéia original era mostrar isso: que o cara que tivesse algum constrangimento ao entrar, ou que ele estivesse entrando de uma forma meio assustada, meio insegura, que depois tudo  isso retornasse para o usuário. E eu pensei inicialmente que isso poderia acontecer na forma de um telefonema real que o sistema gerasse a parti do acesso.

Christine Mello: Que é aquilo que depois vai ter na instalação?

L: Não nessa “4Walls”. Existe um projeto futuro.

Christine Mello: Na videoinstalação?

L: Não. A videoinstalação não tem telefonema.

Christine Mello: Você falou que previa isso…

L: Previa, mas isso envolve (além de negociações impossíveis com o sistema de telefonia brasileiro) uma programação bem cara. A idéia previa que a pessoa recebesse um telefonema ou uma carta com relatório descrevendo por onde ela passeou. Porque nessas sessões de Internet, muita gente as faz de forma escondida. Escondida do chefe no trabalho, o filho escondido dos pais. Isso é um problema hoje em dia na Europa, não digo moral, mas um problema sério assim: as empresas são responsáveis pelo que os funcionários fazem quando estão on line, se um funcionário esta acessando um site de pedofilia nos computadores da rede da empresa, a empresa é punida. Então, ela tem que policiar o conteúdo do que está acontecendo nos computadores dos usuários, porque existe uma lei hoje (potencializada na cabeça dos patrões principalmente depois do 11 de setembro), na qual está previsto que se você sabe de uma atividade terrorista e não denuncia, você é tão terrorista quanto o terrorista. Se uma empresa permite que um computador dela seja usado para uma atividade ilícita, ela tem que punir quem está utilizando. Isso gerou vários desempregos na Inglaterra. É uma coisa muito séria.

Christine Mello: O caminho que a gente faz é os cookies?

L: Os cookies existem no site, e são colocados através do Flash, da programação em Java Script e alguns formulários. Isso é uma forma de dar um feedback para o usuário. O usuário depois de passear no site por m tempo, ele recebe um relatório na tela, esse relatório vem na frente de tudo que ele esta vendo e mostra, fala assim, você esta usando um computador tipo PC IBM ou Macintosh… a resolução do seu monitor…

Christine Mello: Aquelas informações que aparecem, como se chama aquilo?

Aquilo é retirado na forma de um cookie. Aquilo é um cookie instalado, enquanto você está navegando pelo site, é instalado no computador do usuário que devolve aquela informação. É uma bisbilhotagem que o meu site faz no usuário, no computador do usuário.

Christine Mello: O cookie é um recurso criativo?

L: Ele pode ser. Ao menos está sendo usado aqui, mas a principio é um recurso de coleta de informação do usuário. Por isso, a Bienal não é um ambiente exatamente propício para mostrar esse site, porque ele prevê que o usuário esteja acessando aquilo entre quatro paredes, no ambiente dele, escondido, de uma forma solitária e não em um terminal público. Isso é importante que seja explicado, e está aqui gravado para você usar no texto. O ambiente ideal desse trabalho é esse ambiente entre 4 paredes, que cada um vê meio solitariamente e que à medida em que vai navegando, vai aflorando seus desejos ou, vamos dizer, o lado mais perverso, de ir por esse mundo abissal, meio mundano  e trash. Na medida em que ele se espelha e vê, ele percebe: “ops, alguém está coletando informações sobre mim, alguém sabe o que eu estou fazendo aqui”. Isso causa algum tipo de reação com relação ao sistema de vigilância.

Christine Mello: A gente pode dizer que a gente entra no trabalho, como é o processo de entrar de uma janela para outra?

L: No início ele vê uma imagem do Courbet, que é uma imagem dúbia, porque é uma mulher de pernas abertas, mas que é a também uma pintura que já foi apropriada pelo Duchamp. É uma pintura conhecida e que não é considerada obscena, mas que no contexto de um site é dúbia. Essa dubiedade é interessante, faz com que a pessoa queira saber o que esta por traz daquilo, então, na medida em que ela avança nas camadas, ela vai encontrando um nível subsequente.

Christine Mello: Essas camadas de janela?

L: De janela, de layers, ela entra numa próxima janela, já é uma mulher se enfiando um milho. A primeira vez que eu vi aquela imagem fiquei excitado. Através da excitação alguém pode ir ao próximo estágio, querendo algo do tipo: “eu quero mais disso que eu estou vendo”. Na medida em que a pessoa quer mais, ela procura ir mais adiante, e vai deixando um rastro por onde está indo. Esse rastro é devolvido para o usuário depois, que relata por onde ele passeou. Isso é uma forma de confrontar, de fazer a pessoa pensar no que é hoje a invasão de privacidade, a invasão dentro do seu proprio sistema, seu espaço privado.

About SPIO [interview to Jose-Carlos Mariategui]

Tuesday, January 26th, 2010

4 questions

Jose-Carlos Mariategui (Peru)

curator of Emergentes at Laboral, Gijon, Spain (2007)


1. Jose-Carlos Mariategui: Do you think your work is in some way connected

to scientific/technological research?   I see your research much more connected to

contexts, in that sense not just to Brazil, but sometimes to global

problematics.  Also something interesting from you is that it can be

impossible to define your pieces as series, all your pieces are different,

which means you are always looking for new things.  How do you start

working, from a more theoretical process?

Lucas Bambozzi: You are right, my work deals with contexts. More than usual it also deals with site and social-specific conditions, which as I see, also point to how one could perceive the particularity of the context around, meaning its social, political and technological environment. In this sense the scientific/technological approach is not the driven motor but it plays a big role in shaping the context. Sure, it also does influence the research  behind the work. It would be risky to affirm that such research is the core of the work, but if we consider the research as a way to establish links between the social reality and the communicational/technological systems, I tend to agree with that. My background are more communication than art, the art I do is permeated with communication.

My pieces are not too different. More than often I use different media to point to the same point (problems or conflicts generated by the introduction of technologies in or society). So it is also not true that I am always looking for new things. I would rather say that I keep looking for the same things (let’s say: the media, mediating tools and communication systems). The problem or the fascinating thing, is that ‘these things’ are changing constantly. For me, to produce a work is not a theoretical strategy, but an observation process.

2. J-CM: I believe you analyze quite a bit the users of the system in the spaces

it is being presented.  In that sense do you ‘tweak’ the installation after

watching the publics’ interaction?  Did you take into consideration the

publics’ interaction with your work to develop new ideas or works?  Did you

sometimes have found that your work is understood by people in a completely

different way?  Do you think that in that context the space of the

museum/galley is the best place to try out and present your projects, or you

think there might be better situated in other types of spaces?


L: I think that some kind of work, specially those involving interactions, are never really finished by the time of its first presentation. This is different from all those assumptions that the public will shape the work as a participant (the co-authorship ideas). I would rather “learn” with the work when I meets the public and its related participations of how to improve it, by expanding or narrowing down its concepts. More in technical sense, my works always demand some tweaking care and I think this is related to the fact that we never have the ideal conditions (time + resources + technologies) for preparing it 100% before the due time to be presented. Among us Brazilians, this is usually considered a sort of syndrome, a typical Brazilian condition. But it does happen in other contexts as well, as some ‘new media’ works do demand some kind of research that can not be conducted without proper support. In my case, even when the work is not being commissioned by the exhibition I took some exhibition’s opportunities as a way to further develop not only some ideas, but also some knowledge on hardware and software.

The museum/gallery space is not really the best place/environment to create, develop and test the work, but surely it can be the best place to tweak and fix the work, as in my case, it will be at the venue that the work will finally gain its ‘living’ condition, relating itself to the existing forces and specific conditions found in the space. However, more than often I have been trying to consider the public spaces as the place for such encounter.

So there are two things, sometimes being mixed up: the space itself, and the conditions proposed by the exhibitors – which would include available spaces. The first thing is more a conceptual issue and the latter is more related to production, financing issues.

In order to better deal with both, I am currently investing some money and time on a sort of atelier in São Paulo. I hope it will make it possible to work by my own, to build things independently from any invitation, without all that known pressure implied by an exhibition time-frame. With little exceptions, producers can help better when they are working for your work, not for the exhibition.

3. J-CM: As for New possibilities, do you think the project has some industrial/

commercial uses and possibilities.  Do you think you can apply some of your

works to more commercial or extended interfaces or ‘products’?


L: Talking specifically about the Spio project, it happened that it was related to an inverted situation. When it was produced and shown for the first time (2004), I wanted to point it directly to the growth of controlling devices and pervasive technologies such as the CCTV cameras, the introduction of RFID tags in ordinary products and the spread of automated and generative systems. It was a way of proposing the discussion of the physical presence of surveillance devices embedded in daily life. However I used a device (Roomba, the robotic vacuum cleaner) that was already absorbed by the industry and commerce. iRobot, the company behind Roomba, was developed like this, with a trajectory rooted in MIT labs and soon gaining a big market in the USA, not only in domestic appliances but also in more ‘sophisticated’ applications that would lead to some controversy, such as military use.

Spio was also inspired by the Fluxus’ and Nam June Paik’s use of irony and humour so as to highlight the contradictions of their time. We notice in Nam June Paik’s works the simulation of high-end techniques with excessive visual effects treatment, with references to science’s utopias such as robots and impossible gears, as well as the use of toys, furniture, domestic appliances or strange engines. Spio refers to some of these approaches,

Funny enough, the Roomba vacuum cleaner has evolved a lot in the last three years. It gained an operating system and a serial port, which allows different ways of programming with C++, Mobile Processing, MacOSX or Linux, via Arduino or Wiring. So it has been recently used as a platform for hacking purposes, driving attention from researchers, artists and potential hackers, from mechatronics, engineering and art fields. There is a book released this year called Hacking Roomba: ExtremeTech (by Tod E. Kurt) that teaches step-by-step many hacking possibilities.

Spio is not listed in the book as a hacking project there, but it could be, as it was really a sort of pioneer project dealing with Roomba (most projects are from 2006/2007). The version being presented at Laboral will feature many possibilities that was not easy to implement in 2004, but will now be possible (the tracking cameras will trigger some responses on the robot itself), improving and sharpening up the original concepts. It is now working under Ubuntu, with Pure Data and it has been very reliable.

Back to your question: No, Spio could not be really applied to commercial field (ate least as a product), as it is exactly the opposite: to bring a product to a different purpose.

As a system that is at the same time a sort of ‘found object’ and a surveillant/surveilled device, it produces confusion and misapprehension. It interfaces ‘nothing with nothing’ and this void may produce strangeness about a device whose functions, tasks or parameters one does not know for sure. It can be seen less as a finished object and more as a hub of linking possibilities.

4. J-CM: You have been quite involved for a long time with elements around

locative media and mobile apparatus. Spio is definitively one of them.

What do you think of the possibilities of locative media, is it that the

media becomes much more context aware or context dependent?  Why it

interests so much to you?


L: Your question implies a sort of conflict: to be more ‘context aware’ is to become more ‘context dependent’? I do not think about it this way, as I think I do both. My two feature films for example, deal with the context (anachronistic situations lead by substitutions in the way people work, the instability of life in the borders) as a result of an approximation, as a consequence to be immersed on a chosen/desired/given environment I do believe that this way we can better understand the context, and by doing so we can improve our lives, by means of real communication.

So, what does it means to become context-dependent? Is it something to avoid?

What I am particularly interested in locative media is that these systems are to be considered naturally immersed in the public environment, and for this reason it is expected that they would help to effectively improve the experience of public life, re-shaping social reality, at least with less mixophobia (a concept proposed by Bauman, as opposed to mixophilia – we already talked about that, remember?). Mobile apparatuses are spread in Brazil in such a big figure: more than 110 millions of registered mobile phones in use. And I am truly interested on the networking capabilities of this phenomenon. Mobile media can be used stupidly, but not only. Instead of just connecting private bubbles (in a one-to-one connectivity), it can potentially empower networking in an effective way, puncturing sealed private environments, broadening relationship to a richer experience. I do expect to see and produce more works dealing with these ideas, as the context it relates to, has been a challenge for us living in mega-cities like São Paulo, where the public spaces has been decreasing so drastically. Spio is still a model for a protected environment, but I am working on a couple of projects in which I want to see these edges widened.

(october 2007)

Mediated Life

Tuesday, October 7th, 2008

MEDIATED LIFE

by lucas bambozzi

 

 

 

Veridiana Zurita with Pharmakon performance group in front of the squatted building at Prestes Maia Avenue, in São Paulo (2004). It was one of several attempts to bring attention to the condition of 468 families being evicted due to a process of gentrification conducted in the city centre.

Veridiana Zurita with Pharmakon performance group in front of the squatted building at Prestes Maia Avenue, in São Paulo (2004). It was one of several attempts to bring attention to the condition of 468 families being evicted due to a process of gentrification conducted in the city centre.

 

 

The recent proliferation of tiny cameras, now embedded in mobile phones have been

leading to massive collections of supposed ‘warm moments’ that one would be likely

to forget, feeding a sort of obsession on intimacy aesthetics. Like camera-enabled

mobile phones, wearable computers, tactile media, location-based devices, instant

messengers and voice over IP technologies (VoIP), they all attempt to offer an idea

of comfort, a sort of ‘everywhere-privacy’ that can also be interpreted as intimacy.

Rather than describing the technological instance (cellular), mobile phones

encapsulate a notion of mobility, described as portable ‘temporary intimate zones’

(TIZ) by Matt Locke.1 The term TIZ borrows references from TAZ (Temporary

Autonomous Zone), coined by Hakim Bey referring to poetic events and actions that

suggest subtle changes in the social reality aiming to a ‘more intense mode of

existence’. But can we still think about intimacy as a terrain of intensity, pleasure,

proximity, fruition or appreciation?

 

Not only privacy but intimacy spheres are going public. The emergence of the so

called ‘intimate technologies’ has blurred even more the concepts related to intimacy,

privacy and reality. Sara Diamond says: ‘The new technologies we use to enhance

intimacy are also the very same ones being used to open up the social arena of

discovery around once-private affairs’ (2002: 3). The current flood of seductive

gadgets, loaded with promises of eliminating the distances between real life and its

representational possibilities, they all bring in an ‘ideal’ notion of privacy, which would

be the open door for an easy and ‘secure intimacy’. Devices designed for

representation purposes, like cameras, also serve the purpose of attaching to our

memory all those small details and warm moments that we are likely to forget.

A recent announcement by Microsoft emphasizes the extent to which the observation

of the context of mediating technologies implies the focusing on technologies that

affect our notions of intimacy and privacy.

 

Cool stuff you don’t know you need yet
SenseCam, touted as a visual diary of sorts, is designed to be worn around
the neck. It can take images when there are abrupt movements, temperature
fluctuations, variations of light or even changes in the wearer’s heartbeat,
capturing moments of joy or tension of one’s life. Microsoft suggests that the
diary can also help people to reconstruct scenes, remembering where an
object was forgotten or special moments, such as a nice dinner. The diary is
capable to take about 2.000 pictures automatically and works 12 hours a day.
(USATODAY.com 04/03/2004) 2

Beyond its representation capabilities, the camera, which is still a prototype,

suggests that the boundaries between private and public life really tend to disappear.

The pervasive immersion of the camera in public environments would suggest the

individual as a sentient ‘cyborg’, replacing any active participation in public life with a

passive documentation about ordinary incidents. Is it good or bad?

Since personal information has become a valuable commodity, both privacy and

intimacy turn out to be the most essential and recognizable icons of such value. As

any commodity, intimacy features an aesthetically constructed significance, which

becomes clear when it is connected to the idea of proximity or is a result of

technological mediation processes (instant access to privacy).

Also, intimacy acquires new configurations and meanings according to the

technological systems it is attached to. Distinct levels and shades of intimacy can be

obtained differently by phone, by e-mail, through VoIP devices, by touching sensors

or through webcams.

Such technological communication devices bring together the common aspiration to

interface ‘realities’, not necessarily promoting any true participation or closer touch

regarding the ‘outside’ space, in the sense pointed by Zygmunt Bauman in City of

Fears, City of Hopes. They attempt to introduce the notion that reaching distant and

separated ‘realities’ – often in-between private spheres – is the same of sharing

experiences in public domains.

 

In North of Brazil some will believe that putting a bottle of water on the top of a electricity clock will drop
In North of Brazil some will believe that putting a bottle of water on the top of a electricity clock will drop

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nevertheless, far from providing any legitimate experience of involvement in public

life, ‘the capability to connect’, or the feeling of participation suggested by

communication advertisements seem to be what best describes their ideologies

concerning the construction of realities.

As pointed by Maurizio Lazzarato, representation strategies play an important role in

contemporary alienating progression. Thus, intimacy aesthetics are related to how

separated domains are mediated, or as an effect of experiencing ‘reality’ as a mere

aesthetic understanding, an intangible occurrence. Moreover, the representation of

realities by means of its mediation, is already a fabrication, a form of replacement of

a given ‘reality’ with ‘media realities’. To accept fabricated worlds as a real

experience is to fall into the traps of representation, as the overwhelming abundance

of images produced by the media each day may compromise what we deem to be

‘real’. To participate in a fabricated world of signs described by Lazzarato as if

‘constructed through statement-arrangement’ is not as the same as engaging in

shared spaces of a city. Such technologies would not perforate the ‘bubble’ that

separates these different ‘realities’, preventing the private-to-private sphere from

reaching the city’s public spaces.

 

 

The project Cubo at Patriarca Square, in its first presentation weekend (2005)

The project Cubo at Patriarca Square, in its first presentation weekend (2005)

 

 

Bauman sees our current society as a dystopia that has emerged in lieu of a model

anchored somewhere between the totalitarian regimes of Orwell’s 1984 and Aldous

Huxley’s Brave New World. This new dystopia is configured in a world of flow, ‘where

social networks and collective action are irreversibly disintegrated as a side-effect to

the rise of an evasive and slippery kind of power’. Social disintegration is not only a

current condition but a result of such new power techniques.

As Brian Holmes affirms, new forms of power enforcements shape ‘societies that are

deeply sick and which cover their pathological conspiracies with deliberate lies’.3

Aspects once used to describe the end-of-the-century context still serve us to inquire

about our current state of affairs.

 

Perfomance by GAC - Grupo de Arte Callejero at Paulista Avenue in São Paulo (2004) throwing

Perfomance by GAC - Grupo de Arte Callejero at Paulista Avenue in São Paulo (2004) throwing

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Networked lifestyle within a technological society, where time has been compressed

into a state of ‘eternal present’, have been pointed out by Trebor Scholz as

‘instruments of oppression and casualized labour that squeeze every last drop of

energy and creativity out of the worker’.4 A possible antidote against this scenario

would be a commitment for a better analysis of the world around us. We need to

think and feel’5, says Scholz.

 

A consciously produced work of art offers analysis of the world around, it may lead

us to ‘think and feel’. But how can new media-based art fulfil these tasks without

being compromised by its own increasingly dependent structures on corporate

technologies? Are artists bound to hermetically and endlessly discuss artistic

authority and cultural politics, even when trying to break out of the bubble and inflict

social change with their art?

 

To which extent the gaps between private-to-private affairs and the need of

participation in public life is a typically socio-cultural syndrome? (related to cities

such as São Paulo, Lima or Johanesburg, where one can not afford raw realities due

to its wildly unequal class relations?) How much is it a typically reactionary position

to consider that real life experiences must necessarily include ‘physical references’?

 

The project Motoboy, implemented in São Paulo in 2007 by Antoni Abad was actually the starting point for the series Canales (2005-2006) at www.zexe.net.

The project Motoboy, implemented in São Paulo in 2007 by Antoni Abad was actually the starting point for the series Canales (2005-2006) at www.zexe.net.

 

 

The shifting boundaries between the private and public spheres, seen as a result of

the spread of pervasive technologies, is not preventing the raise of dichotomies such

as representation and mediation, ‘forged reality’ and social reality. As a challenging

responsibility for artists committed to social reality, can we foresee new networks that

would function as social interfaces, that would encourage individuals to re-enact

participation in the construction of public-life? Can we find in these new systems the

proper tools for producing awareness with regards to intrusive or alienating

procedures? Will it work out to perforate the ‘bubble’ that prevents one to better

grasp the world ‘outside’ of pervasive technologies?

Merging some of these questions it is possible to anticipate a common space for art

and politics,. Rather than drawing them closer or apart, one should explore the

existing hybrid and convergent zone: a politics contaminated by its neighbouring art,

and an art contaminated by its neighbouring politics.

Acoustic Head (1995) a work by artist Marepe.

Acoustic Head (1995) a work by artist Marepe.

 

 

 

 

 

 

 

It might be necessary to became aware of the art system’s contradictions and those

in our own artwork. We shall have let ourselves be transformed by convictions

constructed from experiencing the real spaces, mediation technologies and its traps.

Among contradictions and conflicts we must feel the urgency as individuals – in Brazil

or anywhere else – to put our ‘head and heart together’ (thanks Holmes!) in tune with

the other, with the outside space and its ‘raw-realities’ so as to create new

articulations, to generate empowerment, to stimulate actual collaborative and sharing

actions.

 

lucas bambozzi, 2006

 

Matt has referred to TIZ in his speech at Intimate Technologies Conference, held at the Banff
Centre in 2002.
Source: <http://www.usatoday.com/tech/news/techinnovations/2004-03-04-techfest_x.htm>
accessed: 06/12/2004 more info at Microsoft: <http://research.microsoft.com/hwsystems>

 

Source: Mailing list of the Institute for Distributed Creativity (iDC). Thread: Activism now and
<http://mailman.thing.net/pipermail/idc/2005-December/000106.html>.
Downtime. Source <http://collectivate.net/journalisms/2005/11/19/downtime.html>

5 Ibidem

 

 

Bibliography/references

Diamond, Sara (2002) Quintessence: Mobolized or Immobolized In The Mobile Era

HorizonZero: Banff

<http://www.horizonzero.ca>

Bauman, Zygmunt (2001) Modernidade Líquida tr. Plinio Dentzien, Rio de Janeiro:

Zahar

Bauman, Zygmunt (2003) City of Fears, City of Hopes London: Goldsmiths

College/University of London

Lazzarato (2003) Struggle, Event, Media Republicart.net

<http://www.republicart.net/disc/representations/lazzarato01_en.htm (translation

modified).